domingo, 26 de julho de 2026

Resenha #372 Depois da Bomba (Philip K. Dick)


"Depois da Bomba" é uma das obras mais interessantes de Philip K. Dick pois é muito rica em personagens estranhos, instigantes, que nos deixa curioso em saber como vão lidar um com o outro em um mundo que tenta se erguer após uma hecatombe nuclear. Livro lançado em 1965 em plena paranoia da Guerra Fria, e o medo de uma guerra nuclear, mostra um mundo onde este pesadelo já aconteceu e temos personagens tentando reconstruir a vida, focando no pequeno condado de Maine, na Flórida. São eles: Hoppy nasceu sem os braços e sem as pernas, uma sequela da radiação, mas adquiriu poderes telecinéticos, que esconde por medo de ser exposto como uma aberração. Dr. Bruno Bluthgeld se culpa por ter desenvolvido a bomba nuclear e esconde sua identidade por culpa. Walt Dangerfield é o astronauta que está no espaço durante a hecatombe, e do espaço, torna-se uma figura quase divina, transmitindo mensagens e músicas porém ele não consegue receber mensagens mas de alguma forma ele entende que é um símbolo de esperança nos lugares onde há um rádio para ouvi-lo.

Quem mais movimenta a história é Hoppy pois, neste novo mundo, ele não é apenas um inválido e rejeitado, mas seus poderes o tornaram extremamente útil devido a regressão tecnológica. Contudo, o poder sobe a cabeça devido ao ressentimento da vida antes da bomba. Quem se torna uma ameaça aos planos de poder de Hoppy é o Bill, o irmão gêmeo siamês que vive dentro de sua irmã e se comunica telepaticamente dentro dela. 

A tradução em português de Portugal, mesmo se acostumando, é difícil de ler mas conhecer o estilo do autor, que é muitas vezes seco e sarcástico, ajuda a entender as ironias enquanto outras referências se perdem na tradução. Contudo, o ritimo nas duas primeiras partes é de comédia de costumes e no fim começa a ter mais ação quando vários personagens entram em conflito. Gosto das referências do autor a Deus e confrontos morais e todo o debate religioso feito num cenário de Ficção Científica. Vale a pena para colecionadores, mas recomendo esperar a versão português-BR pela Suma ou pela Aleph. 

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