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segunda-feira, 21 de outubro de 2024

Resenha #357 Almanaque Gibi do Terror Nº 2 (Denílson Reis e Paulo Kobielski)


O Almanaque Gibi do Terror chega ao número dois como uma publicação muito aguardada no meio independente. A edição é do CAQ (Coletivo Alvoradense de Quadrinhos) capitaneado pelo Denílson Reis e pelo Paulo Kobielski, ambos já agraciados com o Troféu Paulo D'Agostini de melhor Fanzine e essa publicação é aquele passo a mais, é uma publicação independente mas cada vez mais com cara de profissional, afinal tantos anos de experiência se manifestam nesse numero e a qualidade das contribuições cresce como consequência. 

Parece pouco humilde da minha parte falar de que as contribuições estão melhores, pois participei em ambas as edições, com contos. Na edição anterior, publiquei um conto sobre múmias no esçao, agora o tema é vampiros e trouxe o conto "Tenório perde sua alma" que está no mesmo universo steampunk que o conto "Um Crime no Mercado Público" e da noveleta "A Sombra da Rua do Arvoredo". O conto é uma carta de um pai para os filhos onde conta sua participação numa Guerra dos Farrapos de uma forma que você nunca viu pois é uma história alternativa.

Agora falando da publicação como um todo, não são todas as histórias exatamente sobre vampiros. Acredito que os editores se preocupem em trazer bons conteúdos, dando preferencia pelos que abordem o tema da edição mas não impondo como condição. Isso ajuda nas histórias de mistério pois nem sempre o mistério é sobre vampiros. A organização ficou muito boa, alternando entre conteúdos de quadrinhos e conteúdos escritos, começando com Não mexa com quem está quieto uma HQ com um traço simples (parecido com Meninas Superpoderosas?) mas numa história cruel de dois caçadores na floresta procurando a lendária Cobra Norato, quando ninguém menos que o Curupira aparece para azedar a caçada. O primeiro conto é o meu, Tenório perde sua alma, que já falei no início. O hábito faz o monge é uma curta HQ de um garoto que acha uma roupa de vampiro, com máscara e tudo. Enquanto mortes misteriosas acontecem a sua volta. O soldado e o vampiro, de Eduardo Alós temos, nesse conto, o encontro infortuito de um soldado gaúcho recém chegado dos horrores da Guerra do Paraguai decide buscar abrigo num casarão misterioso. O primeiro na fila é uma HQ muito fofa sobre um idoso que aguardou 8 dias para comprar seu novo jogo de vídeo game sangrento e divertido. O final é cruel mas ainda assim achei tudo muito engraçado. Acho que foi o traço que trouxe uma leveza para tudo, mesmo sendo bastante elaborado. A mansão etérea de Duda Falcão, é um conto bastante curto mas que consegue nos colocar no clima de casarão muito rápido. Nas tuas longas pernas procuro a paz que jaz no quarto contíguo ado seu túmulo é uma HQ incrivelmente bem desenhada, não apenas pelo realismo, mas pelas expressões e movimentação dos personagens. O roteiro é simples mas bem feito e a crueza é bem vinda numa história de horror, que nada tem de fantasioso. Pela estrada deserta de Silvio Ribeiro, é outra HQ, mais curta, simples e bem feita. Temos um jovem casal que busca um Motel para passar a noite (é para dormir, pessoal. Eles estão em viagem, ok? Motel nos EUA é o que chamamos de pousada aqui) contudo um recepcionista ganancioso se acha muito esperto ao decidir roubar os jovens. O final me surpreendeu. Temos um comentário sobre o filme As Sete Vampiras, por Paulo Kobielski, que trouxe muitas informações mostrando domínio sobre o cinema fantástico brasileiro. Pesadelo Real retomamos as HQs com um homem entrando e saindo de um pesadelo no inferno, porém conhecemos um pouco dele nesse delírio e o delírio o persegue quando ele acorda. Os Negrinhos é uma HQ que vai de 100 a 1000 muito rápido e o traço acompanha muito bem a loucura dos gêmeos e de sua algoz em poucas páginas. Retornamos ao texto para ler um novo artigo de Paulo Kobielski sobre Rubens Francisco Lucchetti lenda do fantástico e do pulp brasileiro, novamente vemos o domínio do tema e a habilidade em condensar uma vida tão rica em poucos parágrafos. Fazer você sumir... é uma HQ muito engenhosa ao usar os quadros para conta a história. É bacana ver nos quadrinhos, histórias de personagens que sabem que são personagens, ou melhor que descobrem isso da pior forma possível. A Fórmula a última HQ da edição que nos engana parecendo que vai ser uma versão de Dr Jekyll e Sr. Hyde, mas é outra coisa. Por fim temos uma entrevista com o desenhista Silvio Ribeiro, que não tem papas na íngua e faz um verdadeiro desabafo. Bacana ler entrevistas que não são estéreis.

Lista com o conteúdo e as devidas autorias:

Não mexa com quem está quieto: Lauro Ferreira.
Tenório perde sua alma: Davenir Viganon.
O hábito faz o monge: Júlio Shimamoto.
O soldado e o vampiro: Eduardo Alós.
O Primeiro na fila: Marcelo Saraiva no roteiro e Bira Dantas nos desenhos.
A mansão etérea: Duda falcão.
Nas tuas longas pernas procuro a paz que jaz no quarto contíguo ado seu túmulo: Maicol Cristian no roteiro e J. Herrero nos desenhos. 
Pela estrada deserta de Silvio Ribeiro.
Artigo sobre As Sete Vampiras: Paulo Kobielski.
Pesadelo Real: Sandro Leonardo fez os textos, Artes com Aurélio Filho e John Castelhano.
Os negrinhos: Denílson Reis fez o texto e as artes são de Sérgio Fernandes.
Artigo sobre Rubens Francisco Luccheti por Paulo Kobielski.
Fazer você sumir...: Arthur Filho.
A Fórmula: J. França.

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segunda-feira, 24 de junho de 2024

Resenha #341 O Gaúcho (Júlio Shimamoto)


O Gaúcho é um compilado de todas as tirinhas deste personagem publicado num suplemento da Folha de São Paulo entre 1963-65, criado por Júlio Shimamoto a pedido de Maurício de Souza, que havia pedido por um herói que vivesse aventuras como nos faroestes americanos, mas num cenário brasileiro. Shimamoto cogitou encenar suas histórias no nordeste com cangaceiros, mas sua decisão final foi pelo pampa gaúcho. Surge assim Fidêncio, um ex-soldado da Guerra do Paraguai que volta aos pampas depois do conflito e decide ajudar os mais fracos.

As tirinhas eram publicadas em poucos quadros por vez, mas juntas formam quatro arcos narrativos. No primeiro Fidêncio encontra um menino que sobreviveu a um assalto que vitimou seus pais e passa a cuidar do menino. Joca acompanharia Fidêncio em todas as suas aventuras. As histórias são muito bacanas. As cenas de ação são bem feitas, apesar de não muito extensas, mas temos tramas que envolvem terras, tesouros encontrados, bandidos perigosos como nos faroestes, mas ao invés dos revólveres sacados rapidamente, a habilidade valorizada pelos gaúchos é ser bom no jogo do talho (briga com facões). A grande vantagem desta publicação é que toda a obra do personagem foi reunida aqui. Um trabalho do CAQ, Coletivo Alvoradense de Quadrinhos, de Paulo Kobielsky e Denilson Reis, fanzineiros renomados no Brasil. Vale a pena!
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segunda-feira, 4 de setembro de 2023

Resenha #301 Mundo Gibi nº4 (Paulo Kobielski)

 

Olá, pessoa! Hoje vamos falar novamente de um fanzine de quadrinhos independentes do Paulo Kobielski. Fanzineiro premiado da mesma cidade que eu, Alvorada/RS. O Mundo Gibi nº5 veio mais grosso, com 50 páginas e uma porrada de conteúdos. Essa edição é de outubro de 2021, com material referente a uma boa parte da pandemia. Como uma boa revista, veio com materiais variados.

As matérias são sobre o fanzineiro Oscar Kern, e seu personagem Homem-Força; e uma homenagem que receberia na 4ª Gibifest em 2019. Outra matéria é sobre a Mitologia Afro-brasileira nas HQs, seguias de uma resenha da HQ Contos dos Orixas do Hugo Canuto (já resenhada aqui no blogue) e, também, uma entrevista com Alex Mir, autor de outra HQ com o tema de mitologia afro-brasileira, Orixás em Guerra. Há uma crônica do Anderson ANDF, outro fanzineiro de Alvorada e uma matéria do jornal local, A Semana, sobre a consagração do Paulo como vencedor do 36º Troféu Ângelo Agostini, na categoria fanzine com a edição sobre o Vigilante Rodoviário.

Outra matéria muito bacana é sobre um detetive obscuro chamado Dylan Dog, criado na Itália e que eu nunca ouvi falar, mas achei muito interessante. Uma resenha de "Último Assalto" me fez querer catar essa revista para ler. Também sobre as histórias de Cazador, um anti-herói argentino e Caballeros, também da Argentina. 

Adorei a sequência de histórias do Aldo Mães dos Anjos, com várias histórias engraçadas sobre uma família se prevenindo contra a pandemia. Lendo assim não parece que iria ficar divertido ou sequer de bom gosto, mas as histórias são ótimas! Outra história, que também é sobre a pandemia, é de Laura Laco, chamada Atrás dos Números, que fez uma abordagem mais sensível que achei bastante tocante. Há também duas historias curtíssimas e bem divertidas do Juanito. Enfim. É tanta coisa que nem parece que coube em apenas 50 páginas, mas coube sem nada ficar apertado demais, com letras pequenas ou perda na qualidade. Mal posso esperar pelo volume 6!

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segunda-feira, 3 de julho de 2023

Resenha #292 Mundo Gibi nº4 (Paulo Kobielski)

 



Quem já curte fanzines deve conhecer o Paulo Kobielski, premiado mais de uma vez por seus trabalhos. Nesta edição do seu Mundo Gibi, ele traz uma entrevista muito bacana com o quadrinista Pablito Aguiar, sobre a mistura de jornalismo com quadrinhos, uma combinação que é pouco comum mas que vemos ao longo da conversa como ela faz sentido e nos deixa se perguntando porque não é mais usada! A entrevista tem várias ilustrações das entrevistas do Pablito. Antes disso, tem um artigo muito bacana com o Cavaleiro Solitário, que trouxe muitas coisas que eu não sabia. Leitura enriquecedora. 

Tem também a parte final de uma entrevista muito bacana também do Rubens Francisco Lucchetti, figura clássica do terror no Brasil, contando muitos causos. Tem um artigo do Paulo sobre os fanzines como resistência na contracultura, com o prof. Denílson Reis, também outro fanzineiro clássico; e também uma minicrônica do Anderson ANDF. Entre as matérias alguns quadrinhos curtinhos, afinal o nome da revista é Mundo Gibi. Muito bacana a publicação, a capa colorida e interior P&B em boa qualidade, dá gosto de ler e o conteúdo é muito legal e relaxante de ler.

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