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segunda-feira, 23 de outubro de 2023

Resenha #308 Paradoxo de Theséus (Alexey Dodsworth)

Paradoxo de Theséus do Alexey Dosdworth é o segundo livro que li da coleção Dragão Mecânico da Editora Draco. É uma coleção com livros curtos com 126 páginas. É muito bom voltar a ler outro livro do Alexey que nos brinda com histórias com uma ciência muito apurada e inventiva, mas sem perder de vista qualidades literárias que tornam suas obras muito divertidas de ler. Difícil não sair entretido com seus livros e aqui não foi diferente. E antes de falar da história, quero decretar quem não se encantou com a pureza de Ângelo, não tem coração.

Vamos a história. Estamos em 2071 e acompanhamos o cientista brasileiro Thomas Rocco, em sua vida de exilado de um governo anticientífico fundamentalista religioso em Utreque, na Holanda, onde está desenvolvendo um projeto científico Basilisco, que pretendia reunir várias mentes científicas reconhecidas, de várias áreas do conhecimento para uma única inteligência artificial. Alexey não esconde, nas primeiras páginas que o projeto devastou a cidade de Utreque e que, antes disso Rocco teve um terrível revés numa entrevista sobre o projeto. A forma de polarização entre os cientístas e os conservadores humanistas e, também os militantes da defesa da vida animal se cruzam numa configuração que acompanha o avanço tecnológico. Tal como tem estado em debate, com autores como Yuval Harari, que já abordamos no blogue.

O que a habilidade do autor nos mostra é que o que importa, na verdade é o como essas coisas acontecem. Temos uma boa quantidade de revelações e surpresas em um romance curto o que torna a leitura cheia de movimentação. Um romance muito gostoso de ler, que aborda alguns conceitos complicados mas que na voz do autor se tornam de entendimento muito fluido.   

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segunda-feira, 27 de março de 2023

Resenha #278 Saros 136 (Alexey Dodsworth, Ioannis Fiore)


"Saros 136" é uma HQ lançada pela editora Draco com roteiro de Alexey Dodsworth e desenhada por Ioannis Fiore. A história se passa no mesmo universo da duologia Dezoito de Escorpião e Esplendor, cruzando o destino de quatro personagens separados pela distância e pelo tempo mas unidos em um evento catártico que vai salvar a raça humana, modificando-a para sempre.

Acompanhamos um sacerdote africano em 1865 fugindo de captores portugueses. Um astrofísico inglês na expedição que comprovou a tese de Einsein no Ceará de 1919. Uma astronauta brasileira arriscando a vida para proteger uma base lunar em 2045. Uma pesquisadora indiana que tem sobre os ombros a capacidade de trazer a cura de uma epidemia em 2135. Esses personagens e tempos se misturam com visões destes personagens uns com os outros, que os fazem parecer loucos para seus próximos. O narrador também está envolto de mistério pois apenas "ouvimos" a sua voz e sabemos que a sua vida é o resultado do evento catártico que une esses quatro seres.

Cada um é afetado de alguma forma pela sensibilidade eletromagnética, de forma semelhante a que Artur, o protagonista de Dezoito de Escorpião. O inglês de 1919 é o que mais sofre pois é o mais desconectado do fenômeno, enquanto o feiticeiro angolano é o mais conectado, tanto que entende seus dons como feitiçaria. Uma contradição bem colocada pelo autor. Surgem também outras reflexões sobre a ciência e a religião. Sobre a arte, não é meu forte, mas as visões pintadas pelo artista Ioannis Fiore, são lindíssimas. Dos detalhes das cenas mais comuns até os deslumbrantes quadros que trazem eventos cósmicos e abstrados de uma forma bela, apreciável e inteligível. Esta foi uma das melhores HQ nacionais que li até o momento. Uma peça maravilhosa!


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segunda-feira, 28 de novembro de 2022

Resenha #262 O Esplendor (Alexey Dodsworth)


"O Esplendor" (2016) é uma obra que podemos classificar como Hard Sci-Fi, pelo enfoque na especulação usando as ciências exatas e biológicas, como as grandes obras clássicas dos mestres da ficção científica, como Arthur C. Clarke ou Asimov, por exemplo. Uma qualidade que adoro nas obras deste autor é a capacidade de nos submergir em grandes passagens de tempo e contemplações de proporções gigantescas. Contudo, Alexey faz isso com uma identidade própria, sem perder de vista as raízes brasileiras mesmo que sua história se passe distante daqui no tempo e espaço. Ou seja, temos uma ficção científica hard sem o mofo das histórias clássicas de décadas atrás.

A historia se passa em Aphriké, um planeta banhado pela luz de seis estrelas que o impede de conhecer a escuridão da noite. Lá vivem seres melaninados em uma sociedade de telepatas que desconhecem a privacidade e o próprio conceito de dormir. Porém tudo está prestes a mudar com o nascimento de uma criança capaz de sonhar e dormir. Como trata-se de um livro longo, o autor usa bem o espaço para nos inserir nas estruturas sociais de Aphriké onde o trabalho é dividido Ilês - um tipo de guilda ou soviete, porém em uma estrutura muito mais rígida. Contudo este é um mundo dividido. De um lado a capital é Irridiscente onde o líder o Supreme 1920 lidera com suposta benevolência e do outro Kalgash, onde vivem um povo rebelde liderados por Lah-Ura 23.

A estrutura rígida de Irridiscente os isolaram a ponto de não acreditarem haver nada além do próprio planeta e negarem a existência do universo. Tal pensamento é considerada uma heresia do povo de Kalgash. O Esplendor é uma história complexa mas que entrega todos os elementos para que possamos compreendê-la, logo não é prolixo, muito menos é desnecessariamente complicado. Contudo, vai exigir do leitor atenção para que possamos viajar pelas estruturas sociais e entender o que de fato está em jogo para os personagens. O livro fecha muito bem com a obra anterior, Dezoito de Escorpião formando um dueto bem amarrado, mas nem por isso o torna um pré-requisito para a leitura de O Esplendor. A verdade é que Dezoito de Escorpião acaba funcionando tanto como continuação quando como prequela a Esplendor tanto que o primeiro livro já entrou para a lista de releituras. Este universo criado por Alexey é bastante rico e gostoso de acompanhar, felizmente está para sair uma HQ ambientada neste universo chamada Saros 136 e certamente veremos aqui no blogue!
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terça-feira, 30 de abril de 2019

Resenha #91 - Dezoito de Escorpião (Alexey Dodsworth)

Dezoito de Escorpião de Alexey Dodsworth é um romance de Ficção Científica brasileira, vencedor do prêmio Argos 2015. A obra consegue combinar tanto uma obra de ficção clássica com uma ambientação no Brasil de forma muito sólida.  

Na história, acompanhamos vários personagens que invariavelmente sofrem com a sensibilidade eletromagnética alem de seus próprios contextos sociais, sendo os principais: Arthur, Laura, Lionel e Martin. Todos acabam sendo convidados pelo misterioso Dr. Ravi Chandrasehkar para habitar a Vila de Mahipu, um vilarejo indígena onde a organização secreta Areté abriga vários "Eleitos" portadores da sensibilidade para estudos. A história remonta diversos momentos do tempo, dos anos 1920 até 2070, passando pela descoberta de uma estrela gêmea do sol, a 18ª estrela em brilho da constelação de escorpião até pela busca de novas forma de vida inteligente no universo.

O que chama a atenção é a desenvoltura em criar uma ficção científica brasileira em que não se pauta no que acontece nos Estados Unidos, o que é bem vindo pois o complexo de vira-latas torna isso tudo mais inusitado que deveria. Outra qualidade bem vinda são as histórias dos protagonistas antes de se cruzarem, sem muito moralismo contam histórias tristes e pesadas e muito bem trabalhadas. Contudo, a história em si não desenvolve de forma conclusiva e isso se justifica pela continuação que se molda a medida que o livro vai terminando.

Acreditava que o livro terminaria em si, pois estava com planos de terminar as sequencias de obras já lidas e não de iniciar mais outra. Isso vai ter que ficar com o próximo livro, mas este vai ficar na minha mente por um tempo.Recomendo a leitura e muito!
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