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segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Resenha #375 O labirinto da morte (Philip K. Dick)


"O labirinto da morte" é minha volta a leitura deste autor que é o meu favorito. Temos neste livro muita coisa que gosto do autor. Uma história intrigante, um caminho não-obvio, com um pouco de humor e ironia, e um desfecho que responde a inquietação deixando outra ainda maior e profunda.

Acompanhamos um grupo de pesquisadores no longínquo planeta Dalmak-O. O protagonista é Seth Morley, um sujeito que recebe visitas pessoais de uma figura divina que se materializa através de uma oração. O desejo de Morley é sair da estação onde trabalha e ser transferido. A chegada em Delmak-O é a realização desse pedido. Acompanhamos vários personagens que não são muito trabalhados, mas que cumprem a sua função na história. Os pesquisadores recebem Morley após uma morte no acampamento, sendo Morley e sua esposa, substitutos recém chegados. A morte está vinculada a fenômenos estranhos do planeta, mas também com o clima geral de abandono das autoridades que os enviaram. Os pesquisadores de uma forma geral, já estão completamente desesperançados e esse sentimento se une ao desespero, a medida que mais mortes acontecem. Acompanhamos muitos mistérios e vemos como cada personagem começa a sucumbir psicologicamente de uma forma diferente, contudo, Morley ainda está firme em sua fé.

O final do livro, faz a revelação que tanto somos aticados a saber. Em uma leitura mais apressada, pode parecer um final ruim e mal feito, que seria digno de pulps, quando tudo era novidade na Ficção Científica, porém é um daqueles finais que mostra a fragilidade da realidade na visão do autor, combinada com um fim melancôlico e ironico do protagonista. Recomendo! 
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domingo, 26 de julho de 2026

Resenha #372 Depois da Bomba (Philip K. Dick)


"Depois da Bomba" é uma das obras mais interessantes de Philip K. Dick pois é muito rica em personagens estranhos, instigantes, que nos deixa curioso em saber como vão lidar um com o outro em um mundo que tenta se erguer após uma hecatombe nuclear. Livro lançado em 1965 em plena paranoia da Guerra Fria, e o medo de uma guerra nuclear, mostra um mundo onde este pesadelo já aconteceu e temos personagens tentando reconstruir a vida, focando no pequeno condado de Maine, na Flórida. São eles: Hoppy nasceu sem os braços e sem as pernas, uma sequela da radiação, mas adquiriu poderes telecinéticos, que esconde por medo de ser exposto como uma aberração. Dr. Bruno Bluthgeld se culpa por ter desenvolvido a bomba nuclear e esconde sua identidade por culpa. Walt Dangerfield é o astronauta que está no espaço durante a hecatombe, e do espaço, torna-se uma figura quase divina, transmitindo mensagens e músicas porém ele não consegue receber mensagens mas de alguma forma ele entende que é um símbolo de esperança nos lugares onde há um rádio para ouvi-lo.

Quem mais movimenta a história é Hoppy pois, neste novo mundo, ele não é apenas um inválido e rejeitado, mas seus poderes o tornaram extremamente útil devido a regressão tecnológica. Contudo, o poder sobe a cabeça devido ao ressentimento da vida antes da bomba. Quem se torna uma ameaça aos planos de poder de Hoppy é o Bill, o irmão gêmeo siamês que vive dentro de sua irmã e se comunica telepaticamente dentro dela. 

A tradução em português de Portugal, mesmo se acostumando, é difícil de ler mas conhecer o estilo do autor, que é muitas vezes seco e sarcástico, ajuda a entender as ironias enquanto outras referências se perdem na tradução. Contudo, o ritimo nas duas primeiras partes é de comédia de costumes e no fim começa a ter mais ação quando vários personagens entram em conflito. Gosto das referências do autor a Deus e confrontos morais e todo o debate religioso feito num cenário de Ficção Científica. Vale a pena para colecionadores, mas recomendo esperar a versão português-BR pela Suma ou pela Aleph. 
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segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

Resenha #371 A Guerra Longa (Terry Prachett e Stephen Baxter)


"A Guerra Longa" é o segundo volume da saga de cinco livros que iniciou com "A Terra Longa" e, no que tange as traduções, parece que não veremos os demais livros da série tão cedo. A não ser que vire uma série de streaming. Até lá temos apenas os dois primeiros livros traduzidos, o que é bem frustrante. A premissa da obra é maravilhosa, mas a execução tem um tom de descobertas e maravilhamento que simplesmente vão ficando pálidos ao longo da obra, como se os autores se cansassem antes do leitor. O resultado é um livro que vale mais pelo meio que pelo fim. Contudo, diferente do primeiro livro acompanhamos personagens que simplesmente não vão a lugar algum e tem desfechos completamente sem sal.

Acompanhamos novamente Sally Lindsay e Joshua Valentié, mas agora em aventuras separadas. Lindsay busca resgatar uma troll e seu filhote que foram presos para experimentos crueis, enquanto Lobsang, está preocupado com uma debandada dos Trolls, que estão abandonando a humanidade. Também acompanhamos um padre sul-africano, que recebe uma proposta de trabalho que infelizmente não leva em nada e uma expedição chinesa que busca chegar a Terra 20 milhões oeste, que dá em menos ainda. Me incomodou que os autores tiveram imaginação para conceber uma Terra Longa, cheia de recursos, e conseguem imaginar um colapso do "regime chinês" mas não conseguem vislumbrar o fim do capitalismo, fazendo a colonização da terra longa um "revival" das 13 colônias nos EUA. Achei bem pobre. O livro tem bons momentos de exploração, que realmente valem o livro, mas não consegue extrair uma boa história, apenas ameaçar o leitor que vai haver uma. Acho que isso tira o leitor da série. Eu leria os próximos livros, mas não consigo ver os volumes seguintes eles sendo traduzidos.
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segunda-feira, 10 de novembro de 2025

Resenha #370 Perdido em Marte (Andy Weir)


"Perdido em Marte" ganhou destaque na Ficção Científica por sua abordagem leve, de uma situação extrema e suas soluções complexas. Isso acontece pois a extrapolação científica não é baseada em grandes reflexões filosóficas propostas pelo autor Andy Weir, pelo contrário, o enredo é basicamente de um homem, perdido, sobrevivendo em um ambiente completamente inóspito. Seria uma história de sobrevivência como tantas outras se fosse em um deserto da Terra, mas o cenário é Marte e a extrapolação é sobre uma missão espacial que se daria algumas décadas no futuro.

Acompanhamos Mark Watney, um botânico e engenheiro, parte da Missão Ares, com o objetivo de explorar planeta vermelho, junto com seus companheiros de missão. Porém, uma tempestade de areia obrigou todos a abortarem a missão e Watney fica para trás pois todos acham que ficou morto. A história começa de fato, quando Watney acorda e se vê obrigado a sobreviver com os equipamentos que ficaram da missão. Um habitat provisório de 6 meses de validade, comida para cerca de 300 dias, porém a próxima missão só chegaria em 4 anos. A partir daí Watney começa uma jornada para sobreviver e extrair do equipamento que a missão deixou, para conseguir água e plantar batatas dentro do habitat.

Os problemas e desafios são descritos com muito apuro técnico mas tudo isso é entrelaçado pela descontração da narração de Watney, que conta tudo com sarcasmo e otimismo. A narração é mostrada inicialmente por entradas no diário de missão. Isso acontece até o controle da missão descobre que Watney está vivo, então começam os planos para encurtar o tempo até a próxima missão para Marte, enquanto Watney tenta esticar o máximo de tempo de vida em Marte. Como observei antes, não há grandes questões filosóficas no livro. É uma luta pela sobrevivência, e os demais personagens são personificações baratas de heroísmo patriótico. O que deixa tudo com cara de roteiro simples para filmes. Na verdade, o livro ter se transformado em um filme foi mais do que óbvio pois a estrutura do livro é bastante similar a de um filme. Tanto que o filme difere pouco do livro, exceto que o aprofundamento dos dados científicos, que é a grande graça do livro, são apenas detalhes. Resumindo, o livro é bem divertido e bastante informativo. O final do livro é bastante exagerado, mas não compromete a proposta geral do livro e o que ele faz de melhor que é divertir.
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segunda-feira, 3 de novembro de 2025

Resenha #369 Confissões, Visões e o Desterro (Luciano Prado)


"Visões, Confissões e o Desterro" é o romance de estreia de Luciano Prado, autor gaúcho que conheci na Odisseia de Literatura Fantástica de 2024, onde ele fez uma fala sobre o lançamento. O livro é uma especulação em um futuro próximo, em que a Pandemia de COVID-19 foi muito mais mortal. O suficiente para fragilizar a sociedade como conhecemos e fazer emergir facções poderosas que evidenciam a decadência que se instalou com a pandemia. Nesse cenário, acompanhamos Gama Fred, um porto-alegrense que mora na área central de POA onde os moradores da redondeza se organizaram com um mínimo de civilidade no Conselho de Guimarães, uma comuna de sobreviventes.

O livro é uma jornada do protagonista atrás de suprimentos em uma área perigosa, mas o que mais aguardamos são os encontros com os NeoErectus, um grupo que domina a Zona Norte de Porto Alegre com uma doutrina violenta e bizarra, baseada em masculinismo e infantilismo. Gosto bastante dos dilemas sobre matar, e como isso é diferente de quando é você que tem que fazer a sangue frio e não só assistindo pelas redes. Por extensão, o como uma sociedade pode decair rapidamente, ainda que de forma desigual, tanto por povoações que tentam manter uma ordem parecida com a anterior, quanto outros pontos onde coisas absurdas e bizarras podem surgir. Gosto das conversas baseadas em filmes, entre Ricardo e Gama Fred, pois ficaram bem naturais. Contudo, não gostei de algumas viradas no final do livro, por melhor que estivessem explicadas, achei rocambolescas demais. Porém a cena final ficou bacana. Espero que o autor volte a escrever pois achei o livro bastante equilibrado, talvez equilibrado até demais, mas definitivamente bem escrito. 
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segunda-feira, 15 de setembro de 2025

Resenha #367 A Malta Indomável (Ale Santos)


"A Malta Indomável" é o segundo livro ambientado no mundo de "O Último Ancestral" de Ale Santos. Não é uma sequência imediata mas uma nova história ambientada neste mundo. Os personagens do primeiro livro fazem uma ponta e se integram muito bem a história, mas o protagonismo é de uma nova geração de personagens, que vivem em uma outra cidade chamada Sumé. Essa cidade é regida por um sistema religioso rígido que impõe aos cidadãos a função que vão exercer na cidade como se fosse uma revelação divina. Nossos três protagonistas são rejeitados pelo sistema, cada um por um motivo. Vik perdeu o movimentos das pernas e nunca pode recuperá-los pois a intervenção cirúrgica foi negada por motivos religiosos. Cosme é um hacker que vive isolado pois suas invasões são consideradas profanas ao regime de Sumé e sofre com crises de ansiedade e, por fim, Juba que é um beat-maker, dono de uma personalidade rebelde com origem de Nagast.

O destino une estes três jovens rejeitados pelo sistema de Sumé e passam a nutrir uma amizade entre eles, então, quando decidem invadir o sistema de escolha de funções em Sumé acabam despertando forças sobrenaturais poderosas, que podem destruir toda a cidade caso não façam nada. Então, o trio tem que engolir o orgulho e qualquer sentimento de vingança contra a cidade que os rejeitou e partem em uma missão para salvar a cidade de Sumé da ira do deus que dá nome a cidade. Para isso eles devem correr na Batalha das Maltas, pois é a única forma de acessar o Deserto de Nagast e salvar sua cidade. 

O livro expande em muito o universo do primeiro livro, que passa a ser um evento histórico relevante, e faz isso com uma pegada mais adolescente. É um livro claramente Young Adult, pois mostra conflitos típicos desta fase da vida e acho que faz muito bem. Mazelas que eram ignoradas na minha geração, são abordadas frontalmente no livro como a menina cadeirante, a religião impedindo uma cirurgia simples, a ansiedade impedindo de fazer certas coisas, pessoas imigrantes, entre outros. É um livro que pretendo deixar na biblioteca da minha escola pois acho que lá vai encontrar um público necessário para o livro. Sinceramente, não gosto tanto de ler livros YA, mas a construção de mundo do Ale Santos é tão bacana que pretendo ler as continuações mesmo que elas sejam YA. Nos vemos no próximo! 
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segunda-feira, 8 de setembro de 2025

Resenha #366 Estaleiro Voltaire (Victor Allenspatch)


"Estaleiro Voltaire" é o segundo livro da série Dente-de-Leão do autor Victor Allenspatch, que iniciou com Jardins Suspensos e ainda tem mais 3 livros além deste. Infelizmente demorei bastante para continuar a série. Digo isso pois os personagens principais não estavam frescos na minha cabeça, pois o final inclusivo do primeiro livro deixou tudo muito no ar. Contudo, após entrar em contato com os personagens, logo lembramos de como eles são: Pedro sendo bastante passivo e reprimido, a ponto de fazer muitas besteiras e Yara tendo mais atitude mas uma pessoa fragilizada pelo abandono. Mas nem tanto do motivo de estarem ali.

Pedro esta enclausurado com Weechay como cobaias de um experimento que os obriga a viver uma vida inteira em simulação para acordarem apenas após a morte nessa vida. Contudo, na vida delas se passaram apenas algumas horas em que o outro fica completamente isolado. Enquanto Yara está em uma vila onde todos usam lentes que simulam não apenas adições ao mundo real, mas cobrem tudo que veem e percebem. Yara é alertada a não desligar as lentes pois o real seria bastante perturbador e lendo não dei muita bola, mas achei bem impactante quando ela é obrigada a ver a realidade sem lentes. Ela passa boa parte da obra tentando se adaptar a nova vida em Marte, como uma estrangeira mas o mesmo abandono que a leva para Marte acaba fazendo ela querer voltar para a Terra e afundar-se no mesmo ciclo. Enquanto Pedro consegue se libertar de sua cela e do experimento, quase morrendo no processo, apenas para entrar em Deimos após descobrir que estava em Fobos, que foi destruída em sua fuga. Pedro é resgatado e encontra uma outra população em Deimos que já nasceu vivendo sob as lentes e tendo seus corpos movimentados por estruturas que os mantém ativos ainda que sem saírem dos seus lugares. Pedro também descobre que o mesmo Valentin do final do primeiro livro, está criando essas crianças em Deimos para serem o futuro da humanidade, uma nova humanidade. 

Os aspectos do primeiro livro são amplificados neste segundo livro, a introspecção dos protagonistas, a solidão da sociedade e o isolamento que vivemos na pandemia seguem cada vez mais intensos. Uma coisa que não gostei, foi que se repetiu no livro anterior: a história terminou de forma aberta, mas não como um livro completo, nos obrigando a ler o próximo livro para saber o que vai acontecer com ambos. E de forma muito parecida como aconteceu no primeiro livro. Ao fim da leitura, fiquei com a sensação de que os eventos dos dois primeiros livros poderiam estar em apenas um livro. Apesar dessas ressalvas, é um bom livro e trouxe uma visão interessante da colonização em Marte (assunto que sempre me interessa). Vamos ver o que sai do próximo livro!  



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terça-feira, 11 de fevereiro de 2025

Resenha #364 Babel-17 (Samuel R. Delany)

 


"Babel-17" é um romance que veio publicado junto com Estrela Imperial pela Editora Morro Branco naquelas edições que você vira a contra-capa e encontra a capa do outro livro. Como são obras do mesmo autor, mas não são complementares vou publicar uma resenha de cada vez. Já publiquei a resenha da outra parte aqui

Babel-17 ocupa 274 páginas da edição. Nela acompanhamos Rydra Wong, uma linguista experiente que foi convocada pelas Forças Armadas para traduzir uma língua falada pelos membros dos Invasores, uma liga de raças inimigas da Aliança. Rydra tem dons praticamente telepáticos que a ajuda a decifrar idiomas complexos mas para esta missão ela precisa explorar o espaço para contextualizar a Babel-17. Então, Rydra junta uma tripulação de desajustados e parte espaço a fora. Contudo, as Forças Armadas tem pressa pois entender pois vários atentados aconteceram e a unica pista foram mensagens nessa língua estranha.

O tratamento que o autor dá a linguagem como forma de entender um povo, me remeteu diretamente a Os Despossuídos de Úrsula Le Guin. Há cenas muito bacanas dela explicando a complexidade de Babel-17 primeiramente pela falta de similaridade com as línguas humanas e mais para frente pela proximidade com linguagens artificiais. A capacidade da língua de, não apenas tornar a realidade de quem a fala compreensível, mas também se torna um poder capaz de impactar a realidade, me lembra a obra de Philip K. Dick. Isso me aproximou muito da obra. Nos capítulos finais, exceto o último, entramos numa espiral de experiências que chega a tornar a coisa toda confusa. O que não é necessariamente ruim. Quanto ao desfecho ele explica todas as dúvidas, talvez explicado demais. De qualquer forma não foi uma leitura que se segura pelo final, mas pela viagem linguística e filosófica em Babel-17. Uma obra que me agradou bastante.

Um adendo, achei muito engraçado quando citam a noveleta "Estrela Imperial" como um livro que alguns personagens de Babel-17 conhecem e já leram.
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segunda-feira, 20 de janeiro de 2025

Resenha #362 Estrela Imperial (Samuel Delany)

 


"Estrela Imperial" é uma noveleta que veio publicada junto com Babel-17 pela Editora Morro Branco naquelas edições que você vira a contra-capa e encontra a capa do outro livro. Como são obras do mesmo autor, mas não são complementares vou publicar uma resenha de cada vez. Afinal, nem em sequência li ambos os livros.

Estrela Imperial ocupa 120 páginas da edição, é o que podemos considerar uma noveleta, e ela acompanha Cometa Jo um jovem que vive em um planeta distante do centro de expansão colonial da humanidade. Equivalente a um jovem matuto da roça que se mete em uma aventura na cidade grande. Isso acontece depois que uma nave cai e o único sobrevivente tem de se transformar em uma pedra parecida com uma joia para sobreviver. O outro sobrevivente, antes de morrer, dá uma missão a Cometa Jo para levar uma mensagem, através do alienígena/pedra até a Estrela Imperial. Assim, começa uma aventura narrada pela pedra que vê e ouve tudo, mas não pode conversar sem que lhe dirijam a palavra mas como ninguém sabe que ele não é só uma pedra, o autor usa como narrador.

Em meio as aventuras, eu gostei de como o autor usa a questão da linguagem na história. Os termos usados pelo "caipira" Cometa Jo e sua falta de jeito com conceitos usados fora do seu planeta. Temos uma gradual mudança no personagem pelo seu aprendizado rápido (como é com os jovens) e as revelações muito bacanas que remetem a uma circularidade em vários níveis na história. Personagens que são mentores dele, descobriremos que foram mentorados pelo próprio Cometa Jo no futuro.

Foi um bom livro, mas não o suficiente para quebrar minha regra de não ser dois livros do mesmo autor em sequência. Então até a próxima!
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segunda-feira, 13 de janeiro de 2025

Resenha #361 A última colônia (John Scalzi)

 


"A última colônia" é o terceiro livro da série Guerra do Velho de John Scalzi. Neste livro há um encerramento da primeira trilogia da série, também dá um encerramento para as histórias de John Perry do primeiro livro e Jane Sagan do segundo livro. Diferente dos dois primeiros livros, não há foco na ação militar, mas no aspecto político numa escala maior, mas sem perder seu aspecto cinematográfico, cheio de boas reviravoltas e sua habilidade de nos fazer virar páginas constantemente.

O livro é narrado do ponto de vista de John Perry, protagonista do primeiro livro, agora aposentado das Forças Coloniais de Defesa, onde vive como administrador de uma pequena colônia ao lado de Jane Sagan e Zöe Boutin, sua filha adotiva. Então esta família irá se mudar para Roanoke uma nova colônia que está sendo criada, mas sob condições inéditas, pois ao invés de formada por colonos da Terra, como era a política da União Colonial, será formada por membros de outras colônias. Contudo quando chegam a Roanoke, descobrem que o planeta era outro do que foi prometido. Apenas a primeira de muitas mentiras contadas pela UC. Perry, Jane e Zöe encontram várias dificuldades em lidar com as ameaças representadas principalmente pelo Conclave, e quem leu os livros anteriores sabe o perigo que esta organização representa para a humanidade.

Gosto das reviravoltas, apesar de algumas serem bem telegrafadas, mostram que a trama é bem dinâmica. Mantêm-se o humor característico da série sem perder a mão, a agilidade na escrita garantem a diversão. Assim, como os livros anteriores, temos um livro ideal para ler na praia pois Scalzi o pega pela mão e o faz dar um passeio seguro por um universo perigoso. Há temas pesados mas não espere um debate profundo sobre eles. O ponto negativo fica para os "lobisomens" nativos de Roanoke que somem quando a trama não precisa mais deles e não são mencionados mais. Contudo, gosto de como o antagonismo Conclave/UC soou como o antagonismo EUA/BRICS, mas nada feito com profundidade mas o bastante para que o leitor faça uma associação simples.
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segunda-feira, 6 de janeiro de 2025

Resenha #360 Batalha no Setor Vega, Perry Rhodan 10 (K. H. Sheer)

 


"Batalha no Setor Vega" é o décimo livro da série Perry Rhodan. O livro começa três anos após os acontecimentos do livro anterior. Ironicamente, minha leitura deu-se em um bom espaço de tempo entre o número 9 e o 10, onde fiquei quase dois anos afastado da leitura. Contudo, estou de volta para deixar meus dois centavos sobre esta aventura.

A Terceira Potência é teve tempo para se desenvolver e se consolidar. Ainda que já tenha impactado o mundo, não foi o suficiente para unificar o planeta. Apesar disso, tempos uma sequencia considerável no início para mostrar o General Pounder (que treinou Perry Rhodan) impressionado com seus progressos. Maravilhamento interrompido apenas por um alarme no relativamente próximo Sistema Solar de Vega. Rhodan decide investigar, pois acredita que a presença detectada, pode ser uma ameaça a Terra. Assim, inicia a primeira a jornada de Rhodan fora do Sistema Solar.

Esta viagem trouxe, de fato, aquilo que sempre queremos ver ao abrir um livro de Perry Rhodan: uma aventura espacial. A nave de Rhodan, sua tripulação, a exploração de novas formas de vida. São elementos que encontraríamos em Star Trek (relembrando PR é de 1961 e Star Trek 1966). A tripulação da nave auxiliar arcônida Good Hope se vê chegando em Vega em meio a uma batalha de naves de guerra entre os Ferrônios (raça humanoide que habita os plantas 7, 8 e 9 do Sistema Vega) e os Tópsidas (seres bípedes mas assemelhados a lagartos). Os Ferrônios estavam em desvantagem até Perry Rhodan tomar partido pelos nativos e refrear a invasão, até que após uma intensa batalha encontram um cruzador arcônida pilotado por Tópsidas, e se vê obrigado a recuar.

A segunda parte é incrivelmente melhor que a segunda. O gancho sobre o cruzador sob controle tópsida, foi excelente. O ponto baixo, se for citar algum, é a forma como Rhodan é descrito de forma messiânica (como se já soubessem que passariam no número 3000, e não sabiam) e da forma desumanizante como os Tópsidas são retratados, para que fiquemos mais tranquilos em ver a Good Hope estraçalhar naves e mais naves de seres vivos.


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segunda-feira, 7 de outubro de 2024

Resenha #356 Apócrifos do Futuro (Romy Schinzare)


Apócrifos do Futuro faz parte da coleção Futuro Infinito da Editora Patuá. Coleção essa que considero uma das melhores coisas que a Ficção Científica brasileira fez em sentido editorial pois aposta em vários estilos e densidades na escrita, ou seja, desde as escritas mais complexas as mais aventurescas. Nesta obra Romy traz uma nova coleção de contos com seu estilo característico como em seu livro anterior Contos Reversos com contos de sabor pulp muito envolventes, geralmente são curtos e não demoram a chegar na sua surpresa, mas sem serem dependentes de viradas de enredo. Porém em Apócrifos do Futuro, temos uma leve enfase na criação de cenários que nas viradas de enredo, em comparação com o livro anterior. Ao final de vários contos nos pegamos admirando o cenário que construído. Vemos isso em "Shelby" onde em um mundo pós apocalíptico mistura de Corrida Maluca com Mad Max, os carros são possuídos pelos pilotos anteriores. Em "Robôs de Marte II" que traça uma trama política entre ciborgues, máquinas e humanos em Marte que desequilibra com a chegada de indígenas da Amazônia brasileira de antes de 1500. Ou ainda como em "Cubo do Destino" onde um jogo mortal vai se desenrolando na sua frente. Contudo, há contos onde viradas de enredo acontecem o tempo todo como "Valparaíso" onde vítima, algoz, polícia e bandido se fundem numa trama absurda. Ou no sombrio "Zayn" que nos apresenta uma criatura fantástica revelando sua verdadeira forma apenas no final. Em resumo, Apócrifos do Futuro é mais uma amostra do talento e versatilidade da Romy. São contos gostosos de ler e diria até que são despretensiosos, algo muito bacana em tempos de autores pretenciosos cheios de sagas tão enormes quanto seus egos.




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segunda-feira, 30 de setembro de 2024

Resenha #355 Sobre Fantasmas e Outras Memórias (Pedro Teixeira)


Sobre Fantasmas e Outras Memórias é segundo livro de Pedro Teixeira, que conheço dos tempos de Entre Contos, e sempre tive afinidade por ambos gostarmos de ficção científica. Isso culminou no convite para escrever um dos textos de capa do livro, buscando sintetizar o que a obra nos oferece no seu conjunto. No texto de orelha eu menciono que uma leitura marcante é aquele que fica dentro de nós quando fechamos o livro, e no caso dos contos, esse momento se repete nos momentos entre a leitura de um conto para outro. No livro do Pedro isso aconteceu em todas as vezes. O tema da memória perpassa todos os contos transitando em diversos gêneros e subgêneros, paisagens e narrativas.

Obviamente os contos de ficção científica me saltavam aos olhos, como "Possessão" onde um hacker de mentes assassino é perseguido pela sua presa ou até "Sonhos Febris" que faz uma narrativa da loucura na memória com uma pegada muito philipkdickiana. Contudo, muito me agradei de histórias que não haviam nada de fantástico nem do terror como "Vocação", que é uma história sobre as memórias de um cangaceiro e "Anos Punk" que fala sobre a nostalgia da rebeldia de punk nos seus tempos de garoto. Em resumo, temos uma obra que aborda o tema da memória de forma transversal em várias narrativas. Acredito que tendo isso em mente, e não se prendendo a gêneros, o leitor conseguirá aproveitar melhor essa obra.

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segunda-feira, 23 de setembro de 2024

Resenha #354 Um milhão de mim (Cirilo S. Lemos)


Um Milhão de Mim é o ultimo livro que li da coleção Dragão Mecânico fechando a coleção. Este foi escrito pelo Cirilo S. Lemos, que já resenhamos com livros com pegadas opostas: O Alienado é um romance complexo e philipkdickiano em que a realidade é sempre questionada. Em E de Extermínio, uma aventura cheia de ação e referências históricas manipuladas com habilidade numa história alternativa. Aqui voltamos a faceta que vimos em O Alienado, mas referenciando Jorge Luis Borges em um romance quebra-cabeça, e com um pleno domínio das referências históricas enquanto seus capítulos viajam em várias épocas enquanto tentamos entender o que é Uqbar. Como numa boa ficção borgeana, a realidade é mais que questionada, mas uma questão de perspectiva.

A leitura do livro é muito desafiante se você procura ter tudo claro em sua cabeça. Acompanhamos vários personagens ou facetas do mesmo. Inicialmente Nicolau Borges, um investigador de polícia que vive no Brasil dos anos 1970 em plenos anos de chumbo da ditadura, quando encontra uma mulher morta mas é acusado do crime. Mas não espere que seja um romance de investigação. Temos capítulos curtos organizados de forma irregular, buscando fugir de qualquer padrão. Me fez lembrar bastante das experimentações de Luiz Brás. Acredito que ler saboreando cada capítulo vai recompensar o leitor com várias referências e a boa escrita do autor, pois a história vai se desenrolando pelas pistas que são deixadas aos poucos. Acho que consegui entender mas não o suficiente para explicar, de qualquer forma buscar respostas é uma das graças do livro e vale a pena cada um tentar juntar as peças como conseguir.

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terça-feira, 17 de setembro de 2024

Resenha #353 O grito do sol sobre a cabeça (Brontops Baruq)


O grito do sol sobre a cabeça chegou como um presente do autor Brontops Baruq quando me enviou alguns livros do Coletivo KriptoKaipora, e como membro do coletivo já sabia da qualidade de sua escrita em suas participações nas antologia do grupo e da oficina que tive a satisfação de compartilhar com ele. 

Fui surpreendido positivamente pela sua coletânea de contos pois gosto muito do estilo de experimentação. A obra fez lembrar de Linha Tênue de Rubem Cabral, por seguir a linha experimental, mas a sua própria maneira. A escrita de Brontops é muito apurada e ao mesmo tempo é possível ler seus contos freneticamente. Principalmente seus contos curtos que abrem e os encerram a obra. Dentre estes, destaco "rebobinados" que me pegou de surpresa, até "pausa", um conto longo cheio de aventura e uma construção de mundo muito envolvente. "(ficção especulativa)" traz uma história de viagem no tempo que já é bacana por si, mas instiga pela forma que conta, fazendo alusões a outras formas de contar de outras mídias, e vemos isso em outros contos, mas este foi meu conto favorito do livro. Gostei bastante de dois contos que contam sobre o último humano da Terra vivo, resgatado antes do planeta ser engolido pelo Sol transformado numa gigante vermelha. Destaco também, uma série de contos titulados de Planetas Invisíveis que acompanham aventuras de um cínico viajante que anda por lugares estranhos.

A leitura foi muito bacana. Pena que não há muito mais escritos dele por ai, pois o livro vale a pena.

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segunda-feira, 19 de agosto de 2024

Resenha #349 Diva Galactica: A cidade púrpura e outras histórias (Diego Mendonça)


Diva Galactica: A Cidade Púrpura e Outras Histórias é um livro de contos do Diego Mendonça. Uma das revelações da literatura fantástica do Rio Grande do Sul. Apesar de já ter escrito muitos contos em diversas antologias, este foi meu primeiro contato com seus contos. A capa com uma ilustração chamativa, e a própria coleção remeter as revistas pulp dos anos 1920, faz uma promessa de histórias cheias de ação, aventura. E adianto que o livro cumpre o que promete porque, acima de tudo, diverte.

Acompanhamos Diva, a líder de uma trupe de piratas em busca de sustento desonesto, em várias histórias curtas que fecham aventuas em si, mas que no conjunto formam uma narrativa coesa. É o que se chama de romance fix-up, como por exemplo, Território Lovercraft de Matt Ruff e Shiroma: Maradora Ciborgue, do Roberto Causo, mas aqui o autor é mais focado em contar suas histórias individuais que numa grande narrativa que todos os contos formam. O resultado é que, diferente do livro de Matt Ruff, todos os contos são autossuficientes, não dependem dos outros para ser entendido. Inclusive, a voz narrativa nem sempre está com Diva, ainda que ela seja uma personagem muito marcante destacando-se em todas as histórias. Gosto do estilo sucinto, do uso da violência e do uso dos clichês da ficção científica que contribuem para a atmosfera de pulp que se torna mais variada a cada conto. A leitura fluiu muito bem e o livro poderia ter o dobro do tamanho que a leitura fluiria igualmente bem. Enfim, é isso, espero que venham mais livros deste autor, de preferência com mais histórias da Diva.

 
São histórias curtas, cheias de aventura, que não poupam a violência e sabe usar os clichês ao favor

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segunda-feira, 12 de agosto de 2024

Resenha #348 Revista Mafagafo 3, Setembro. Corpo Estampado (Iris M. Fonseca)


Corpo Estampado é a noveleta da edição de Setembro/2020 da Revista Mafagafo. Se você acompanha este blogue já notou que minha ordem de leitura desta revista já abraçou o aleatório, mas um aleatório dentro do ano de 2020. Foi o primeiro ano em que a revista adotou este formato de contos muito bem produzidos em edições curtas mensais. Como baixei todas as edições de 2020 e joguei de uma vez só no meu Kindle estou lendo sem nenhuma ordem específica pois pretendo ler todos.

Este conto me chamou a atenção pelas onças pintadas na capa e ao começar a ler já confirmou minha suspeita, de que se tratava de uma história que brinca com a lenda da mulher que vira onça, lenda popular da região do pantanal e que ficou muito popular no resto do Brasil com a novela Pantanal. Contudo, as semelhanças param neste fenômeno, pois a história é outra pegada. Luiza é uma jovem mulher-onça (um metamorfo) que herdou esta habilidade das mulheres de sua família, sendo que elas se tornam suas mentoras nessa vida em que muitas vezes não é possível não se transformar. Gosto da abordagem do lado ruim de ter uma fera em si, que necessita matar, e fica irracional, como um lobisomem. A autora usa a condição de mulher-onça como uma forma de mostrar a união necessária entre mulheres independentes que precisam ser fortes para suportar as imposições de uma vida difícil, principalmente com as mulheres no interior. Um conto que explora bem a lenda e expande tanto no passado quando no futuro da protagonista. Muito bom!

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segunda-feira, 22 de julho de 2024

Resenha #345 Banho de Sol (Ricardo Celestino)


Banho de Sol é o segundo livro de Ricardo Celestino que já nos trouxe o sensacional Até que a Brisa da Manhã Necrose teu Sistema trouxe um livro mais provocante e profundo que o anterior. Uma obra que acabou me acertando em níveis pessoais e o fará com qualquer pessoa que minimamente já questionou o sistema.

Ricardo usa de sua escrita característica, que usa de frases em linhas quebradas combinadas com blocos, as vezes, longos de texto em itálico. Recurso esse que torna a leitura muito dinâmica apesar da prosa densa do autor. Acompanhamos Richie, (uma redução de Ricardo?) um transeunte paulistano que descobre que os registros de sua consulta com sua psiquiatra é usado em um show de comédia Stand Up. Um início muito sarcástico para a saga de um homem completamente médio e por isso mesmo ideal para mostrar a canalhice de uma São Paulo cyberpunk que não é apenas um personagem (como consuma acontecer em obras cyberpunks) como é também um dos narradores do livro. Outro narrador, é a doença psicológica de Richie, ou seria apenas uma parte dele mesmo (?) que responde por eu-neurótico-delirante. Sendo constantemente humilhado, desde o Stand Up, que é só a ponta do iceberg, a sua relação com o pai (Odair) e com a ex (Stella) o aproximam de um grupo revolucionário chamado EMB 5.0 com seu líder João da Gagueira. 

Como disse antes, é um livro que me balançou. Primeiro pois eu o li a primeira vez como leitor beta e não consegui dar nenhuma contribuição relevante mesmo tendo gostado muito da obra. Acredito que seja porque a obra não carecia de nenhum retoque. Tanto que, na segunda leitura, com a obra impressa e pronta, não encontrei nem procurei mudanças em relação a primeira versão que li. Digo isso porque a obra e a história de Richie teve muitas afinidades com minha própria história. Se no primeiro livro, Ricardo conquistou com sua prosa aliada a estética crua e cenas gore, em Banho de Sol, Ricardo entrega o microfone a cidade de São Paulo cometer um sincericídio, cheio de sarcasmo encanando uma fala de uma personalidade cheia de poder. Enquanto isso faz uma análise de todas as nossas angustias centralizadas em Richie, que são as de toda pessoa que já se questionou severamente sobre o mundo dominado pelo capitalismo.

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segunda-feira, 15 de julho de 2024

Resenha #344 Silêncios Infinitos (Nikelen Witter)


Silêncios Infinitos é o quinto livro da Série Dragão Mecânico da Editora Draco e foi o que mais me envolveu na atmosfera de tensão. Temos um romance que nos convida a investigar um mistério tanto dentro quando fora da cabeça da protagonista. 

Na história, acompanhamos uma nave colônia que busca colonizar Próxima B, segundo planeta que orbita a estrela mais próxima do sol. Esta nave não é uma nave geracional, onde os viajantes que chegam ao destino são descendentes dos que embarcaram, ao invés disso, mandou embriões congelados em uma nave. Quando a nave chegou perto do seu destino, a produção de clones que tripulariam a nave foi iniciada gerando indivíduos já adultos, mas carregando memórias de uma equipe na Terra, implantadas nos clones. Tendo algumas lembranças da Terra e do conhecimento técnico e científico dos originais escolhidos para a missão (cuja a missão foi justamente fornecer essas memórias). Desta forma, cada um recebeu um nome derivado de entidades da cultura latina e da asiática.

Passado um ano depois do nascimento dos clones (quando começa o livro) a colônia parece bem, com todos os especialistas fazendo seu trabalho de forma ordeira, mas Liu sente uma angustia que não consegue compartilhar com ninguém. Tem pensamentos e memórias de uma outra pessoa dentro de si. Contudo, antes que consiga se entender, uma crise sem precedentes inicia na colônia: o líder foi encontrado morto. Suicídio? Assassinato? Uma interferência alienígena? Casualidade? É nesse jogo que Liu tem de desvendar esse mistério enquanto tem de lidar com Teo, um membro da colônia que desconfia da normalidade de Liu.

O clima de mistério e tensão permeia todo o livro. O grande mistério sobre o que esta acontecendo foi minha grande curiosidade mas o livro aborda o grande tema da ficção científica: o que é o ser humano e inclusive politicamente uma vez que os membros da tripulação são cópias de pessoas da Terra mas eles nunca estiveram lá e nunca irão para lá. As perspectivas dessa condição pareciam que não teriam espaço em meio a crise mas o assunto acaba se tornando de importância vital. O resultado é um romance tenso com uma boa protagonista e um mistério que me prendeu o livro todo.

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segunda-feira, 17 de junho de 2024

Resenha #340 Sankofa (Juliana Vicente)


Sankofa é um conto de Juliana Vicente de 2023 que faz uma viagem afrofuturista que começa com a investigação de um assassinato na corte da Rainha Dyia, soberana de Lapak. Ela recorre ao ritual do Sankofa. O conto é bastante introspectivo e a escrita é muito envolvente e, ao mesmo tempo, consegue criar um mundo de Space Ópera muito intrigante. Principalmente porque o conto termina como o fim de uma pincelada de algo maior. Ainda sim, o conto é bastante satisfatório e não parece algo reduzido de um livro. Espero que venham mais histórias baseadas neste universo.
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