segunda-feira, 19 de outubro de 2020

Resenha #153 - Contos do Dragão. Parte 1 (Menina Bonita Bordada de Entropia + Brazil Reloaded)

Começa agora uma série de resenhas de contos da ediora Draco que publica de forma digital que geralmente estão presentes em alguma das suas coletâneas. Já fiz algumas resenhas de contos dessa série, (chamada Contos do Dragão) isolados mas agora serão feitos de dois em dois.
"Menina Bonita Bordada de Entropia" (2013) é um conto de Cirilo S. Lemos que entraria facilmente na categoria Weird Fiction, "Ficção Esquizita" que busca o estranhamento estético. Na história, uma menina é encontrada em alto mar, ferida quando é salva por uma embarcação tripulada por demônios e um capitão robô, que impede que a menina seja servida de almoço pelos sonhos mas a menina frágil não é o que parece. A construção é muito eficiente em causar estranhamento e é muito rica em provocar imagens em nossa mente e vale muito a pena ser lida. 

Brazil Reloaded é um conto de 2012 publicado pela primeira vez na coleção Imaginários 4 e depois em formato digital sozinho na coleção Contos do Dragão da editora Draco. Foi uma das minhas leituras do Kindle e como tem apenas 16 páginas li em uma vez junto de vários outros contos. Então essa resenha é para você que ainda tem dúvidas em relação esse conto.

É um conto cyberpunk que se passa num cenário político diferente. Acompanhamos Jamal, um americano que recebe um trabalho duvidoso. O mundo não é mais o mesmo, os EUA estão em franca decadência após uma invasão chinesa e a liderança política do mundo está nas mãos dos países dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) e isso faz toda a diferença nos agente que vão mudar essa história. O conto é curto e na medida certa para contar bem a história, explicar o necessário e querer passear mais por esse mundo cyberpunk politicamente diferente. Se você gosta de ação, gosta de cyberpunk e não tem medo de imaginar um mundo diferente, então altamente recomendo esse conto!
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segunda-feira, 12 de outubro de 2020

Resenha #152 - Feiticeiro de Aluguel: Noite em Neon (Jean Gabriel Álamo)


"Feiticeiro de Aluguel" é um conto do autor Jean Gabriel Álamo, lançado de forma independente na plataforma da Amazon. O conto é o primeiro de uma série de fantasia urbana que considero a melhor criação do autor até aqui. Acompanhamos Iago Lima, um Bruxo que trabalha como detetive particular resolvendo casos místicos numa Rio de Janeiro habitada por espíritos e diversos seres não-humanos. Nesta primeira aventura, Iago é contratado para encontrar Tiffany, uma prostituta que foi capturada por um mago dono de um prostíbulo na zona boêmia do Rio de Janeiro. A história não traz nada de essencialmente novo mas a transposição de um mundo místico para um cenário urbano no Brasil foi bastante orgânica. O autor nos brindou com uma narrativa livre de pudores e nos imergiu em um mundo de podridão que combina bem com o cenário. O sistema de magia não teve muitos detalhes, mas como o conto se pretende uma porta de entrada desse mundo, cumpriu bem esse papel. Que venha mais histórias deste feiticeiro!
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segunda-feira, 5 de outubro de 2020

Resenha #151 - Um Berço de Heras (Anna Fagundes Martino)

"Um Berço de Heras" foi lançado em 2017. A história se passa alguns anos depois (1927) de "A Casa de Vidro" e segue um misterioso homem preso em Belfast acusado de matar um policial que está apavorando os outros presos e carcereiros pelo jardim que brota espontaneamente de sua cela.

A história consegue estabelecer e resolver bem os mistérios e desenvolver melhor alguns personagens da primeira história, reforçando a ideia que "A Casa de Vidro" soa como prólogo. A personagem Stella é quem alavanca a história pois ela convence seu meio-irmão Mark a ver o misterioso homem. O que poderia ser uma história sobre a resolução do mistério, é baseada em revelações do passado, assim como no primeiro livro, mostrando a natureza do homem preso e seus filhos, o que dá mais profundidade a história. 

A escrita é continua muito boa e nesta história o contexto histórico aparece muito mais e aqui a formação acadêmica da autora aparece junto com o talento literário de mesclá-lo com o mundo feérico. O veredito é que valeu a pena continuar a ler essa série, pois Um Berço de Heras é melhor que A Casa de Vidro e as duas histórias combinam muito bem! 
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segunda-feira, 28 de setembro de 2020

Resenha #150 - Coletânea Afrofuturismo (Junno Sena, Org.)


A coletânea "Afrofuturismo" da editora Recorte foi a primeira das minhas leituras sobre o tema, aproveitando os 30 dias gratuitos de Kindle Unlimited. Aqui são oito contos curtos de autores negros brasileiros, que tem o negro como personagem e tema principais. A introdução me empolgou bastante quando falou da literatura afrofuturista, como uma forma de imaginar e construir um futuro em que os negros estão vivos, o que é particularmente significativo num país onde tantos negros morrem. Fiquei com a expectativa alta por esperar contos de ficção científica (estava na prateleira de FC na Amazon) mas ao ler os contos percebemos que apenas três contos são FC. Lá pela metade do livro já entendi que a temática era outra, então consegui aproveitar melhor os contos, que são bem variados e bem escritos. Então os leitores de FC controlar essa expectativa ou para quem não gosta de FC, se abrir para os contos que são de FC, vão aproveitar melhor os contos. Vamos agora, falar dos contos separadamente: 
 
"Os ensinamentos ancestrais da menina senhora Luandê" (Caena Rodrigues Conceição) conta a história da menina Luandê, que nasceu com maturidade, inteligência de adultos ou divindades e suas mensagens para o povo. Tem um ritmo como se fosse contado por um Griô.

"O reino de Agunttah" (Fernando Gonzaga) é uma ficção científica que conta de Agunttah que vive na cidade Supertrix, uma cidade de uma diáspora interplanetária onde ainda se reverencia a ancestralidade do velho continente africano. O conto desenha um cenário muito interessante, de um povo que vive em harmonia com a natureza e como chegaram até ali. Novamente temos uma história que tem um ritmo de história contada por um griô, o que é ótimo, mas acho que mesmo para um conto curto, faz falta um conflito que movimente a história e não a deixe com cara de introdução a uma história maior.

"Saudades Creitino" (Giovany de Oliveira) Conta a história de Creiton que tem um encontro casual com Djanilton, quando este briga com a namorada pelo telefone. O conto é um slice of life, conta apenas um momento de um dia, um causo que o protagonista vá contar para um amigo e trabalha muito bem com as minucias de uma conquista, uma conversa cheia de descrições dos pensamentos, intenções e gira entorno do não dito, principalmente as hipocrisias diárias da sexualidade.

"O ano?" (Junno Sena) O organizador da coletânea traz um conto que é um drama distópico sobre um fugutivo que depois de ser capturado com o amante passa sofrer a perseguição de um agente da polícia. O clima opressor é bem conduzido e o estabelecimento de uma distopia é feito de forma orgânica no conto. A revelação do final faz uma reflexão bem vinda. Prefiro não falar mais para não estragá-la.

"Indecisão" (Kuku Dada) Conto é um momento do cotidiano, muito curto de uma violência sexual em um transporte coletivo. Foca mais nas sensações e pensamentos da protagonista, em ritmo de confissão e desabafo, e passa bastante autenticidade no cotidiano.

"O futuro negro" (Lorena Nascimento) Outra ficção Científica que narra como um desastre natural favoreceu a morte de quase toda a humanidade menos o povo africano, pelo seu modo de convivência com o clima árido e a melanina da pele. Novamente um cenário muito interessante mas sem apresentar um conflito ou personagens, parecendo mais um texto de apoio para uma história a ser escrita. 

"OMARA OMNIRA" (Margarete Carvalho) Conta a história de entidades que encarnam em negros escravizados na travessia do atlântico. Foca bastante na relação entre eles e sua condição sobrenatural. A revelação no final, me fez querer saber loucamente o que ia acontecer no final.
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segunda-feira, 21 de setembro de 2020

Resenha #149 - Solfieri e o Espectro do Casarão Sombrio (Enéias Tavares)


"Solfieri e o Espectro do Casarão Sombrio" é o segundo conto da série Brasiliana Steampunk de Enéias Tavares, dando destaque a Solfieri de Azevedo, que no romance desta série (Lição de Anatomia do Temível Dr. Louison) acabou ficando como um coadjuvante de luxo. Neste conto ele brilha como um investigador paranormal solicitado a investigar estranhas atividades em um casarão. O conto é conduzido com a elegância que o personagem exige e lembra bastante Remi Rudá da série Guanabara Real, também outro projeto com o mesmo autor. O Conto é excelente para relembrar o universo criado pelo autor e dar mais voz a um dos personagens mais bacanas remodelados por Enéias. Sendo assim, recomendo deveras a apreciação do conto!
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segunda-feira, 14 de setembro de 2020

Resenha #148 - Projeto Crajubar (Jaime G. Bullock)


"Projeto Crajubar" é uma obra independente escrito por Jaime G. Bullock (pseudônimo) é o primeiro de uma série ainda sem continuação lançada, que conta a história da primeira missão tripulada a Marte. É uma narração epistolar, ou seja, é narrado em forma de carta que foi deixada para um amigo do mensageiro. Esse recurso é um dos que mais gosto na literatura pois privilegia o ponto de vista que pode tanto estar falando sua versão da verdade quanto mentindo mas não necessariamente uma verdade absoluta. O livro faz isso da mesma forma que H. G. Wells faz em Máquina do Tempo.

A premissa parte desse relato da primeira missão tripulada a Marte, sendo totalmente composta por brasileiros e a narração não dá explicações mais profundas, tampouco coerentes da supremacia espacial brasileira. Seria mais interessante ver um grupo formado por várias nacionalidades e então colocar um brasileiro na liderança. Contudo isso deixa de ser muito relevante para o andamento da história que conta com muitas reviravoltas que são tão mirabolantes que deixam a história com cara dos antigos contos pulps. Se o leitor se dispuser a suspender a descrença como faria numa FC pulp, então vai aproveitar muito bem essa aventura. Espero poder ler a sequência!
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segunda-feira, 7 de setembro de 2020

Resenha #147 - Poder Absoluto (Jean Gabriel Álamo)


"Poder Absoluto" é o primeiro livro de Jean Gabriel Álamo, lançado de forma independente em 2017 na plataforma da Amazon e desde então o autor vem lançando vários trabalhos na plataforma - contos, noveletas, romances - dentro do mesmo universo sem se limitar a Ficção Científica, o que me instigou a ler essa obra com perspectiva de acompanhar outros escritos. A história começa em 2257 e a humanidade é governada pelo Suserano, uma inteligência artificial resultado da transferência de consciência de um cientista que implantou uma ditadura global, governando com mão de ferro. Acompanhamos o protagonista Pietro que vive na cidade 1223 (todas as cidades são números) e, depois que vê seu amigo Darcy ser abatido a tiros pela polícia, entra em uma trama que envolve diretamente o governo e um grupo subversivo chamado MK Ultra, enquanto isso Pietro também conhece e se apaixona por Diana, uma repórter do Menestrel (imprensa permitida pelo governo) mas mesmo sem saber ela também tem uma ligação estreita com o MK Ultra. A partir daí vão entrando mais personagens e se instaura um conflito de interesses. Pietro se torna importante para o MK Ultra que deseja usá-lo em seus planos enquanto ambos são caçados pela polícia do Suserano. A obra se define como um cyberpunk, e apesar de constar a atitude contra o sistema que justifique o sufixo "punk", a ambientação se encaixa em qualquer futurismo.

A obra é organizada em vários capítulos curtos que alternam de personagem. Boa parte dos capítulos é com Pietro e outros com Diana, e uma pequena parte alterna entre outros personagens, o que traz um dinamismo bem vindo. A história tem muitos eventos e revelações, os mistérios ficaram bem construídos. As cenas de ação são o forte do livro, com destaque a fuga pelos buracos de minhoca. As tecnologias utilizadas em armas, veículos e demais objetos são muito bem elaborados e explicados na medida certa, pois o autor deixa as notas de rodapé os detalhes técnicos para os curiosos e poupa o leitor que quer mais ação de uma quebra de ritmo. Contudo, o que a obra explica em detalhes técnicos, falta na construção dos personagens principais que não tem qualquer curva de evolução: a grande maioria deles são os mesmos do início ao fim, acabei me afeiçoando mais de Quorra, líder do MK Ultra que parece ser a única personagem com motivações mais profundas, mas os personagens principais Pietro e Diana soam adolescentes o tempo todo. Temos apenas um fundo raso de motivação mas não faz o protagonista ficar mais interessante pois não sabemos como os protagonistas se sentem, então quando eles mudam de atitude e passam a agir diferente, acaba sendo algo repentino, forçado. Sendo assim, o livro é bom se você gosta de cenas de ação e um ritmo frenético. Já tenho várias obras lidas do autor que pretendo trazer no blogue!
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terça-feira, 1 de setembro de 2020

Resenha #146 - A Casa de Vidro (Anna Fagundes Martino)

"A Casa de Vidro" foi lançada em 2016, sendo o primeiro lançamento da Editora Dame Blache, que entrou no mercado para valorizar a autoria e valorização entre autores de minorias sociais (resumindo grosseiramente) e lançar novos nomes na ficção fantástica e científica. Anna Fagundes Martino, foi o primeiro nome escolhido com sua noveleta, "A Casa de Vidro", que conta a historia de Eleanor em dois tempos distintos: A jovem que se apaixona por um jardineiro misterioso e a senhora que relembra seu passado ao encontrar sua filha.

A história não tenta manter um mistério sobre as natureza fantástica do jardineiro Sebastian e sua habilidade de criar a vida vegetal por onde passa, o que encanta e instiga Eleanor, além de seu jeito autentico e alheio as convenções sociais. O amor entre os dois parece inevitável. Enquanto isso a velha Eleanor encontra pela primeira vez Stella, o fruto desse amor de dois mundos.

O ponto alto do livro é a qualidade da escrita que consegue aclimatar o leitor no cenário bucólico e isolado do interior da Inglaterra, e ainda tem passagens que nos coloca para refletir sobre a vida. Confesso que minha vontade de ver história em lugares inusitados murchou com a escolha batida de uma casa no interior da Inglaterra, mas o fato da autora tem uma história consistente com esse lugar (ela estudou Relações Internacionais nesse país) torna a escolha coerente com sua vivência. Não é o caso de autores iniciantes com histórias fruto de uma mente colonizada, que escolheriam facilmente esse mesmo cenário. Contudo, a história soa como um prólogo de algo maior e carece de alguma surpresa pois tudo que se imagina que vai acontecer, de fato acontece. Como essa história possui, até onde pesquisei, duas continuações, vou apostar minhas fichas nelas. A casa de Vidro sustenta-se como um excelente prólogo, estabelecendo bem as regras deste mundo fantástico (tanto que lerei as sequencias) mas não como uma história fechada em si.
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segunda-feira, 24 de agosto de 2020

Resenha #145 - Eu, Robô (Isaac Asimov)


"Eu, robô" é um clássico de Isaac Asimov, ao lado de "Fundação" e "O Homem Bicentenário", são obras que se recomenda tranquilamente para quem nunca leu Ficção Científica. Lançada nos anos 50, é aqui que Asimov define e exemplifica ao longo das histórias o que são as três leis da robótica, para que foram criadas e como podem ser burladas. Tudo entorno deste livro é bastante conhecido mas a ideia aqui é ajudar o possível leitor que nunca leu esse livro, sem spoilers. Vamos começar pelas três leis da robótica, pois é através delas que todos os dilemas de cada conto são embasados:
  1. um robô não pode ferir um humano ou permitir que um humano sofra algum mal.
  2. os robôs devem obedecer às ordens dos humanos, exceto nos casos em que tais ordens entrem em conflito com a primeira lei.
  3. um robô deve proteger sua própria existência, desde que não entre em conflito com as leis anteriores.
No futuro imaginado por Asimov essas leis protegeriam a humanidade do que ele chama de "Complexo de Frankenstein", ou seja, uma pré disposição das máquinas a se revoltarem ou dos medo dos seres humanos de uma revolta. Sendo assim, essas leis são um dispositivo que permitiria que os robôs fossem sempre aliados dos humanos. Para explorar essas leis, os nove contos nos mostram como essas leis se comportam na lógica dos robôs. Os contos são histórias que podem ser lidas separadamente, mas aqui são permeadas pela visão da Dr. Susan Calvin que concede entrevista para um jornalista. Como nem tudo são flores, a construção da personagem é bastante pobre, como em geral são os personagens humanos do livro, pois servem apenas como vozes e peças do quebra-cabeças lógicos entorno dos robôs. O que encontra uma saída válida com a dupla de detetives, Greg Powell e Mike Donavan, que são um alívio cômico, mas para Susan é uma visão pobre da mulher cientista como destituída de qualquer feminilidade, como se as duas coisas não pudessem andar juntas e/ou como se a inteligência não possa ser uma forma de tornar a mulher atraente por si. É uma contradição interessante colocar alguma profundidade em robôs e fazer humanos robotizados e rasos.

A primeira história é "Robbie" que conta de uma amizade entre um robô, dos primeiros a serem vendidos para servir de companhia, e a pequena Glória. A amizade dos dois é ameaçada pela desconfiança da mãe com a tecnologia dos robôs. É uma história com mais apelo emocional que uma exploração das 3 Leis e quem já viu filmes de amizade na Sessão da Tarde não vai ver muita diferença. Depois temos três histórias com a dupla de agentes da US Robôs, Greg Powell e Mike Donavan. "Brincando de Pique" se passa em Mercúrio onde eles estão presos em uma instalação de mineração, enquanto Speedy está em um nó lógico sem conseguir voltar para a base. Os agentes, munidos do seu conhecimento das 3 Leis e criatividade, tem que tirar Speedy dali antes que torrem no sol escaldante do planeta. "Razão" se passa em uma estação de conversão de energia quando o robô-administrador Cutie se recusa a aceitar a autoridade deles alegando que não existe nada fora da estação orbital. Em "Pegue o Coelho" eles estão em um asteroide minerado pelo robô Dave e seus ajudantes, mas vem sofrendo apagões sem motivo aparente e mesmo Dave sendo colaborativo com a dupla.

"Mentiroso!" é uma história do inicio da carreira de Calvin e conta sobre Herbie, um robô que lê mentes e desafia as capacidades de Susan e os principais diretores da US Robôs, empresa pioneira na fabricação e desenvolvimento da robótica. Em "Pequeno robô perdido", Susan Calvin volta a encarar um problema com robôs, aqui ela tem que encontrar um robô da série Nelson 10 que fugiu de uma base espacial e pode se tornar uma grande ameaça pois suas Leis fundamentais foram alteradas para fins militares. "Fuga!" começa com Susan Calvin sendo chamada para lidar com um cérebro robô de uma concorrente, que se destruiu por entrar em conflito ao receber a missão de construir uma nave com capacidade de dobra. Quando Susan consegue convencer o robô a planejar e construir a nava, cabe aos agentes da US Robôs, Greg Powell e Mike Donavan, serem os pilotos de teste mas a nave tem comportamentos que fogem a compreensão de Susan e dos outros especialistas. Em "Evidência", O dr. Lanning e Susan Calvin são pressionados pelo político Francis Quinn a investigar seu concorrente Stephen Byerley, alegando que este seja um robô. Contudo, mesmo com a cooperação de Byerley, os fatores políticos prometem complicar tudo. Encerrando o livro, o conto "Conflito Evitável" se passa anos depois quando Calvin e convidada por Stephen Byerley a resolver um problema com robôs administradores que aparentemente apenas Byerley está enxergando.

As histórias podem ser lidas individualmente, mas são organizadas e entremeadas por trechos que conectam todas as histórias e as organiza de forma cronológica de forma que vale a pena ler do início ao fim. Se você gosta de histórias cheias de engenhosidade e tramas instigantes, o livro é mais que recomendado.    
 
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segunda-feira, 17 de agosto de 2020

Resenha #144 - Glória Sobria (Roberto de Sousa Causo)


"Glória Sombria", foi lançado em 2013 pela Devir, é o primeiro livro do universo de Space Opera de Roberto de Sousa Causo chamado Galáxis onde se passam várias histórias do autor, inclusive o autor mantém um site sobre o universo Galáxis http://universogalaxis.com.br/. Este não foi o meu primeiro contato com esse universo, pois o autor tem uma noveleta, "Trunfo de Campanha", na coletânea Assembléia Estelar que reuniu contos que abordassem a política. 

Em Glória Sombria acompanhamos o mesmo protagonista, Jonas Peregrino, um combatente de elite do século XXV que luta pelas forças de uma região equivalente a América Latina (ELAE) que junto com outras três regiões, representam a humanidade em franca expansão espacial. Peregrino é convocado pelo Almirante Túlio Ferreira para liderar um novo grupamento para enfrentar os Tadais, alienígenas hostis que vem travando uma guerra contra as forças humanas e seus aliados na galáxia. Peregrino é incumbido de formar uma força de elite que consiga achar uma forma de vencer os aparentemente invencíveis Tadais. Além do inimigo em combate, peregrino vai encontrar desafios políticos por todos os lados pois ao contrário das muitas histórias de Space Ópera, não há nenhuma Federação, como em Star Trek, que aglutine os interesses humanos num governo mas muita politicagem e jogo de interesse. Esperava encontrar ação frenética por ser um livro curto e que não haveria espaço para muita coisa além disso, mas o livro diverte pela construção do cenário e as engrenagens políticas que dão uma boa profundidade ao universo. Quando comentei sobre a noveleta, Trunfo de Campanha, mencionei que ela me desagradou pois o autor não suavizou o cenário ou o colocasse em uma obra maior, e Glória Sombria é essa obra maior e conseguiu deixar tudo mais interessante. Contudo, o livro é como um episódio piloto de algo mais longo mas bom o suficiente para me fazer procurar mais pelo universo. Por sinal já tenho o outro livro para continuar acompanhando, "Shiroma: a matadora ciborgue".
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segunda-feira, 10 de agosto de 2020

Resenha #143 - Nas Nuvens: Um conto para tempos sombrios (Fábio Fernandes)

"Nas Nuvens: Um conto para tempos sombrios", é um conto publicado em 2014 no quinto livro da série "Sagas: Revolução" e em formato digital pela Amazon em fevereiro deste ano. E o conto faz jus aos tempos sombrios que menciona no subtítulo, agora parecendo quase premonitória, por mais que a piada de mal gosto que se tornou o Brasil, já fosse um tipo de tragédia anunciada. 

Acompanhamos o protagonista que é chamado apenas de subversivo enquanto é torturado por agentes do Estado da novíssima República Teocrática do Brasil. A angústia da tortura é alternada por momentos da vida do subversivo que o levaram até ali. A tensão da iminência da tortura é tão angustiante quando o ato em si, tomando toda a narrativa pela tensão. O final ainda nos reserva uma boa revelação. Vale a leitura!

Foi o primeiro conto da minha Corrida Kindle 2020!

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terça-feira, 4 de agosto de 2020

Resenha - Revista Peryc, o Mercenário n°3


A terceira edição de Peryc, mostra como a revista evoluiu. É bacana ler as continuações de novas histórias e ver o personagem desbravar várias regiões do mundo. Na primeira história, "O Aventureiro" a saga de Peryc na áfrica continua com a aliança do mercenário com a princesa que luta para assumir o trono de um usurpador. Em seguida mais um texto que continua o levantamento de todas as publicações de Conan no Brasil. "A Besta" é uma história de uma única página envolta de duas páginas de ilustrações que mostram várias versões de Peryc. "Sob o sol dos Abutres" é a história que mais gostei do personagem. A começar pelo traço de Sandro Andrade, e pelo texto que carrega uma violência que combina com a ação que ele desenvolve na história. A história é apenas o encontro de Peryc com três soldados violentos que depejam ódio racial pela origem indígena de Peryc que não deixa por menos quando os derrota. Segue mais um texto sobre Conan, agora falando sobre sua presença em ouras mídias. "O Preço da liberdade" é a terceira parte da saga iniciada em Rumo a Pedras Negras, onde Peryc foi pego em uma armadilha pelos mercadores e agora tem que se livrar de seus captores. A história faz um debate bom sobre a liberdade. Encerrando o número, "Fogo e paixão" mostra Peryc e Splinter sobrevivendo ao frio dos pampas. A única coisa que posso acrescentar ao que já disse sobre a revista é que espero ansiosamente pelo próximo número!
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