"Dengue Boy" (Ou no original "La infancia del mundo") é o primeiro livro de Michel Neiva, autor da Argentina, que traz uma obra com muitos elementos bizarros mas que vão fazendo sentido em sua bizarrice. Particularmente, o definiria como New Weird, e não um "steampunk" como classificado no blurb do próprio livro, apesar de achar que combine também com um "cyberpunk" (acho que foi o que queria ter escrito) pela capa e o título da versão brasileira que tentou apresentar o livro em total oposição a versão original argentina, completamente sóbria, ou seja, nada de mosquito vivendo entre seres humanos sem nenhuma explicação.
Classificações a parte, a história segue este Dengue Boy, uma criança que é um mosquito, que habita entre humanos, frequenta a escola e sofre bulying até que começa a se descobrir. Também acompanhamos Dulce, um colega de escola do Dengue Boy que deseja apenas um novo console de jogos e é fã de um jogo online de luta entre indígenas e colonizadores. Eles vivem em um mundo distópico onde a temperatura do planeta subiu absurdamente, tornando os polos do planeta, os únicos lugares habitáveis para a humanidade. A história se desenrola entorno no misterio da Grande Anarca, e traz criticas que já deveriam estar obvias pelo desastre climático que a Terra passa e a normalidade do capitalismo, como causador e mantenedor do desastre. É um livro bastante rico em influências estéticas, gore sem freio e criticas ácidas. A influencia de "A Metamorfose" do Kafka, vai alem da existência do inseto andando entre nós, mas do fato de não haver necessariamente uma explicação para tudo. As vezes as coisas simplesmente são. A maior ironia do livro é constatar que as criticas criticam esse absurdo mas não acham nada absurdo o futuro que o capitalismo desenhou para a humanidade.



