"O Covil do Demônio" é o segundo livro da duologia Guanabara Real e complementa perfeitamente o primeiro livro como uma contraparte das possibilidades de um mundo steampunk, reimaginando um Brasil com tal tecnologia. O desafio de escrever a seis mãos deve ter sido muito difícil, como eles próprios já haviam comentado na época do primeiro livro, pois exige entrosamento e alinhamento do que esta sendo feito. Lendo, contudo, foi uma experiencia muito mais fácil. A escrita é leve e gostosa, e a aventura muito bacana de acompanhar.
Acompanhamos nossos detetives quatro anos após a conclusão do primeiro livro. Desde então, o Barão do Desterro teve sucesso tanto em colocar a culpa nos detetives pelos crimes narrados no primeiro livro, quanto em se tornar o presidente através de um golpe de estado, instaurando uma ditadura baseada na vigilância constante, violência, e obviamente a manutenção de um governo como alavanca para algo ainda mais nefasto. Gosto de como muita coisa mudou de um livro para outro. Se no primeiro temos uma sociedade vibrante, com nossos detetives circulando em vários níveis para investigar o caso, agora temos indivíduos cansados, reprimidos e acoados pela perseguição que sofrem, bem como a população se torna desconfiada e arredia, sendo cada vez mais difícil de acessar locais para que nossos heróis consigam investigar para provar sua inocência. O ritmo da leitura consegue fazer um sentido de urgência, não apenas pela perseguição como também pelo que é descoberto na investigação. Uma pena isso acabar tornando o cenário menos trabalhado, pois não há uma cena de crime, nem uma geografia da cidade para ser explorada, pois os personagens estão fugindo o tempo todo.
O desfecho da história é bem satisfatório, sem muita brecha para uma sequência, mas consigo imaginar contos ou histórias solo dos personagens com suas questões não resolvidas. Por exemplo, Cordenonzi lançou um conto com Firmino Boaventura, na antologia Outros Brasis da Ficção Científica, e os outros personagens Maria Teresa Floresta e Remy Rudá, também tem muito ainda o que dar.





