segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Resenha #375 O labirinto da morte (Philip K. Dick)


"O labirinto da morte" é minha volta a leitura deste autor que é o meu favorito. Temos neste livro muita coisa que gosto do autor. Uma história intrigante, um caminho não-obvio, com um pouco de humor e ironia, e um desfecho que responde a inquietação deixando outra ainda maior e profunda.

Acompanhamos um grupo de pesquisadores no longínquo planeta Dalmak-O. O protagonista é Seth Morley, um sujeito que recebe visitas pessoais de uma figura divina que se materializa através de uma oração. O desejo de Morley é sair da estação onde trabalha e ser transferido. A chegada em Delmak-O é a realização desse pedido. Acompanhamos vários personagens que não são muito trabalhados, mas que cumprem a sua função na história. Os pesquisadores recebem Morley após uma morte no acampamento, sendo Morley e sua esposa, substitutos recém chegados. A morte está vinculada a fenômenos estranhos do planeta, mas também com o clima geral de abandono das autoridades que os enviaram. Os pesquisadores de uma forma geral, já estão completamente desesperançados e esse sentimento se une ao desespero, a medida que mais mortes acontecem. Acompanhamos muitos mistérios e vemos como cada personagem começa a sucumbir psicologicamente de uma forma diferente, contudo, Morley ainda está firme em sua fé.

O final do livro, faz a revelação que tanto somos aticados a saber. Em uma leitura mais apressada, pode parecer um final ruim e mal feito, que seria digno de pulps, quando tudo era novidade na Ficção Científica, porém é um daqueles finais que mostra a fragilidade da realidade na visão do autor, combinada com um fim melancôlico e ironico do protagonista. Recomendo! 
Leia Mais ››

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Resenha #374 O que é Ficção Científica (Bráulio Tavares)


"O que é Ficção Científica" é um ensaio do Braulio Tavares que saiu pela coleção Primeiros Passos. E para um tema que não é tão debatido, visto que é um gênero pouco abordado no Brasil, é um livro perfeito para iniciar o debate. É bem curtinho e escrito por um dos maiores pensadores e escritores da nossa Ficção Científica. Gosto muito dos levantamentos do autor.

Inicialmente o autor fala da dificuldade de definir a nossa amada ficção científica é e, diante dessa dificuldade, surgem apontamentos de características muito interessantes. Como a proximidade com a Fantasia, pela figura do Mago e do Cientista como explorador dos limites do conhecido com o desconhecido. através da contraposição do outro com o eu com histórias de povos imaginários, universos alternativos, planetas distantes, bem como a extrapolação dos limites da mente com telepatas, telecinetas e o uso de drogas. Como na obra Frankenstein, temos a abordagem da criação da vida ou pela criação de robôs, um escravo perfeito ou um supercomputador. 
O livro escrito em 1986, ainda faz um leve apanhado das a fases do gênero na literatura até ali, destacando a ingenuidade das abordagens até por volta dos anos 40, passando por novas abordagens mais maduras nos anos 60. Os anos 80 viram o surgimento do cyberpunk, ainda pouco consolidado para que pudesse ser abordado pelo autor, mas as reflexões mais importantes estão no livro, fazendo dele uma excelente primeira leitura sobre a Ficção Científica. Mais que recomendado. 
Leia Mais ››

domingo, 2 de agosto de 2026

Resenha #373 Eros Ex Machina Robos Sexuais (Org. Luiz Bras)


"Eros Ex Machina: Robôs Sexuais" é uma antologia organizada por Luiz Bras e publicada em 2018 e tem uma proposta bastante explicita. Tratar o sexo com a ficção científica com um toque indiscutivelmente brasileiro. São 18 contos curtos, de autores que orbitam o organizador que além de autor é um pensador e divulgador da Ficção Científica como uma arte que pode ser feita no Brasil com referências e técnicas mais amplas que a que importamos da tradição literária anglo-saxônica. Este é mais uma antologia escrita com vários autores em comum do Coletivo KriptoKaipora, entre outra que já abordamos aqui como Mundo VertigemEra de Aquária e Realidades Voláteis & Vertigens Radicais, além de obras do próprio Luiz Brás e de autores como Ricardo Celestino.

Os contos tem uma boa variedade de abordagens, muitas vezes passam longe do épico e usam a tecnologia para imaginar causos em um cenários do futuro. Maridos e esposas se deliciando com ginoides e androides sexuais, desilusões amorosas e sexuais, embebido de diálogos bem brasileiros, e bastante humor. Isso há na maioria dos contos, mas não é uma regra. Nem todos os contos expões ou abordam a erótico frontalmente, mas também debatem tangenciando de forma mais tímida, mas o assunto vai permear toda a antologia. Como um bom antologista, soube reunir contos que não caem fora da proposta de guarda-chuva temático, que foi o erótico.

A leitura foi muito prazerosa pois os contos curtos são dinâmicos, muitas vezes divertidos e impactantes, não apenas pelo erótico e como é um livro curto, passa rápido mas te deixa com várias dicas de autores para procurar por ai. Recomendo como, recomento tudo que o Luiz Bras faz.
Leia Mais ››

domingo, 26 de julho de 2026

Resenha #372 Depois da Bomba (Philip K. Dick)


"Depois da Bomba" é uma das obras mais interessantes de Philip K. Dick pois é muito rica em personagens estranhos, instigantes, que nos deixa curioso em saber como vão lidar um com o outro em um mundo que tenta se erguer após uma hecatombe nuclear. Livro lançado em 1965 em plena paranoia da Guerra Fria, e o medo de uma guerra nuclear, mostra um mundo onde este pesadelo já aconteceu e temos personagens tentando reconstruir a vida, focando no pequeno condado de Maine, na Flórida. São eles: Hoppy nasceu sem os braços e sem as pernas, uma sequela da radiação, mas adquiriu poderes telecinéticos, que esconde por medo de ser exposto como uma aberração. Dr. Bruno Bluthgeld se culpa por ter desenvolvido a bomba nuclear e esconde sua identidade por culpa. Walt Dangerfield é o astronauta que está no espaço durante a hecatombe, e do espaço, torna-se uma figura quase divina, transmitindo mensagens e músicas porém ele não consegue receber mensagens mas de alguma forma ele entende que é um símbolo de esperança nos lugares onde há um rádio para ouvi-lo.

Quem mais movimenta a história é Hoppy pois, neste novo mundo, ele não é apenas um inválido e rejeitado, mas seus poderes o tornaram extremamente útil devido a regressão tecnológica. Contudo, o poder sobe a cabeça devido ao ressentimento da vida antes da bomba. Quem se torna uma ameaça aos planos de poder de Hoppy é o Bill, o irmão gêmeo siamês que vive dentro de sua irmã e se comunica telepaticamente dentro dela. 

A tradução em português de Portugal, mesmo se acostumando, é difícil de ler mas conhecer o estilo do autor, que é muitas vezes seco e sarcástico, ajuda a entender as ironias enquanto outras referências se perdem na tradução. Contudo, o ritimo nas duas primeiras partes é de comédia de costumes e no fim começa a ter mais ação quando vários personagens entram em conflito. Gosto das referências do autor a Deus e confrontos morais e todo o debate religioso feito num cenário de Ficção Científica. Vale a pena para colecionadores, mas recomendo esperar a versão português-BR pela Suma ou pela Aleph. 
Leia Mais ››

segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

Resenha #371 A Guerra Longa (Terry Prachett e Stephen Baxter)


"A Guerra Longa" é o segundo volume da saga de cinco livros que iniciou com "A Terra Longa" e, no que tange as traduções, parece que não veremos os demais livros da série tão cedo. A não ser que vire uma série de streaming. Até lá temos apenas os dois primeiros livros traduzidos, o que é bem frustrante. A premissa da obra é maravilhosa, mas a execução tem um tom de descobertas e maravilhamento que simplesmente vão ficando pálidos ao longo da obra, como se os autores se cansassem antes do leitor. O resultado é um livro que vale mais pelo meio que pelo fim. Contudo, diferente do primeiro livro acompanhamos personagens que simplesmente não vão a lugar algum e tem desfechos completamente sem sal.

Acompanhamos novamente Sally Lindsay e Joshua Valentié, mas agora em aventuras separadas. Lindsay busca resgatar uma troll e seu filhote que foram presos para experimentos crueis, enquanto Lobsang, está preocupado com uma debandada dos Trolls, que estão abandonando a humanidade. Também acompanhamos um padre sul-africano, que recebe uma proposta de trabalho que infelizmente não leva em nada e uma expedição chinesa que busca chegar a Terra 20 milhões oeste, que dá em menos ainda. Me incomodou que os autores tiveram imaginação para conceber uma Terra Longa, cheia de recursos, e conseguem imaginar um colapso do "regime chinês" mas não conseguem vislumbrar o fim do capitalismo, fazendo a colonização da terra longa um "revival" das 13 colônias nos EUA. Achei bem pobre. O livro tem bons momentos de exploração, que realmente valem o livro, mas não consegue extrair uma boa história, apenas ameaçar o leitor que vai haver uma. Acho que isso tira o leitor da série. Eu leria os próximos livros, mas não consigo ver os volumes seguintes eles sendo traduzidos.
Leia Mais ››

segunda-feira, 10 de novembro de 2025

Resenha #370 Perdido em Marte (Andy Weir)


"Perdido em Marte" ganhou destaque na Ficção Científica por sua abordagem leve, de uma situação extrema e suas soluções complexas. Isso acontece pois a extrapolação científica não é baseada em grandes reflexões filosóficas propostas pelo autor Andy Weir, pelo contrário, o enredo é basicamente de um homem, perdido, sobrevivendo em um ambiente completamente inóspito. Seria uma história de sobrevivência como tantas outras se fosse em um deserto da Terra, mas o cenário é Marte e a extrapolação é sobre uma missão espacial que se daria algumas décadas no futuro.

Acompanhamos Mark Watney, um botânico e engenheiro, parte da Missão Ares, com o objetivo de explorar planeta vermelho, junto com seus companheiros de missão. Porém, uma tempestade de areia obrigou todos a abortarem a missão e Watney fica para trás pois todos acham que ficou morto. A história começa de fato, quando Watney acorda e se vê obrigado a sobreviver com os equipamentos que ficaram da missão. Um habitat provisório de 6 meses de validade, comida para cerca de 300 dias, porém a próxima missão só chegaria em 4 anos. A partir daí Watney começa uma jornada para sobreviver e extrair do equipamento que a missão deixou, para conseguir água e plantar batatas dentro do habitat.

Os problemas e desafios são descritos com muito apuro técnico mas tudo isso é entrelaçado pela descontração da narração de Watney, que conta tudo com sarcasmo e otimismo. A narração é mostrada inicialmente por entradas no diário de missão. Isso acontece até o controle da missão descobre que Watney está vivo, então começam os planos para encurtar o tempo até a próxima missão para Marte, enquanto Watney tenta esticar o máximo de tempo de vida em Marte. Como observei antes, não há grandes questões filosóficas no livro. É uma luta pela sobrevivência, e os demais personagens são personificações baratas de heroísmo patriótico. O que deixa tudo com cara de roteiro simples para filmes. Na verdade, o livro ter se transformado em um filme foi mais do que óbvio pois a estrutura do livro é bastante similar a de um filme. Tanto que o filme difere pouco do livro, exceto que o aprofundamento dos dados científicos, que é a grande graça do livro, são apenas detalhes. Resumindo, o livro é bem divertido e bastante informativo. O final do livro é bastante exagerado, mas não compromete a proposta geral do livro e o que ele faz de melhor que é divertir.
Leia Mais ››

segunda-feira, 3 de novembro de 2025

Resenha #369 Confissões, Visões e o Desterro (Luciano Prado)


"Visões, Confissões e o Desterro" é o romance de estreia de Luciano Prado, autor gaúcho que conheci na Odisseia de Literatura Fantástica de 2024, onde ele fez uma fala sobre o lançamento. O livro é uma especulação em um futuro próximo, em que a Pandemia de COVID-19 foi muito mais mortal. O suficiente para fragilizar a sociedade como conhecemos e fazer emergir facções poderosas que evidenciam a decadência que se instalou com a pandemia. Nesse cenário, acompanhamos Gama Fred, um porto-alegrense que mora na área central de POA onde os moradores da redondeza se organizaram com um mínimo de civilidade no Conselho de Guimarães, uma comuna de sobreviventes.

O livro é uma jornada do protagonista atrás de suprimentos em uma área perigosa, mas o que mais aguardamos são os encontros com os NeoErectus, um grupo que domina a Zona Norte de Porto Alegre com uma doutrina violenta e bizarra, baseada em masculinismo e infantilismo. Gosto bastante dos dilemas sobre matar, e como isso é diferente de quando é você que tem que fazer a sangue frio e não só assistindo pelas redes. Por extensão, o como uma sociedade pode decair rapidamente, ainda que de forma desigual, tanto por povoações que tentam manter uma ordem parecida com a anterior, quanto outros pontos onde coisas absurdas e bizarras podem surgir. Gosto das conversas baseadas em filmes, entre Ricardo e Gama Fred, pois ficaram bem naturais. Contudo, não gostei de algumas viradas no final do livro, por melhor que estivessem explicadas, achei rocambolescas demais. Porém a cena final ficou bacana. Espero que o autor volte a escrever pois achei o livro bastante equilibrado, talvez equilibrado até demais, mas definitivamente bem escrito. 
Leia Mais ››

segunda-feira, 27 de outubro de 2025

Resenha #368 Saint Seiya nº1 (Masami Kurumada)


"Saint Seiya" ou como é mais conhecido aqui no Brasil, Cavaleiros do Zodíaco, é o primeiro mangá que comento aqui no blogue. Isso porque foi a nostalgia do anime que passava nos anos 1990 que me fez ler este primeiro volume que é uma versão definitiva. Não li nenhuma versão anterior, mas sei que nessa há uma cena com alguns cavaleiros de ouro que não tinha no original. Fora isso não difere muito do anime mas a leitura não me empolgou, não passou pelo teste da nostalgia. Não continuarei a colecionar esta versão nova do mangá, principalmente pelo preço. Cada volume está entre 35 a 45 reais e considerando que a série vai passar dos 100 volumes, fica muito mais factível adquirir as coleções antigas das primeira edições. Mesmo assim, é um projeto complicado. A primeira história é basicamente como Seiya conseguiu a armadura de Pégaso e a sua motivação para entrar na Guerra Galáctica. Não tem como ler esse mangá e não lembrar das trilhas sonoras do anime e constatar que não é tão épico ler o mangá. De qualquer forma é uma leitura rápida e divertida, só não é para o meu momento atual.
Leia Mais ››

segunda-feira, 15 de setembro de 2025

Resenha #367 A Malta Indomável (Ale Santos)


"A Malta Indomável" é o segundo livro ambientado no mundo de "O Último Ancestral" de Ale Santos. Não é uma sequência imediata mas uma nova história ambientada neste mundo. Os personagens do primeiro livro fazem uma ponta e se integram muito bem a história, mas o protagonismo é de uma nova geração de personagens, que vivem em uma outra cidade chamada Sumé. Essa cidade é regida por um sistema religioso rígido que impõe aos cidadãos a função que vão exercer na cidade como se fosse uma revelação divina. Nossos três protagonistas são rejeitados pelo sistema, cada um por um motivo. Vik perdeu o movimentos das pernas e nunca pode recuperá-los pois a intervenção cirúrgica foi negada por motivos religiosos. Cosme é um hacker que vive isolado pois suas invasões são consideradas profanas ao regime de Sumé e sofre com crises de ansiedade e, por fim, Juba que é um beat-maker, dono de uma personalidade rebelde com origem de Nagast.

O destino une estes três jovens rejeitados pelo sistema de Sumé e passam a nutrir uma amizade entre eles, então, quando decidem invadir o sistema de escolha de funções em Sumé acabam despertando forças sobrenaturais poderosas, que podem destruir toda a cidade caso não façam nada. Então, o trio tem que engolir o orgulho e qualquer sentimento de vingança contra a cidade que os rejeitou e partem em uma missão para salvar a cidade de Sumé da ira do deus que dá nome a cidade. Para isso eles devem correr na Batalha das Maltas, pois é a única forma de acessar o Deserto de Nagast e salvar sua cidade. 

O livro expande em muito o universo do primeiro livro, que passa a ser um evento histórico relevante, e faz isso com uma pegada mais adolescente. É um livro claramente Young Adult, pois mostra conflitos típicos desta fase da vida e acho que faz muito bem. Mazelas que eram ignoradas na minha geração, são abordadas frontalmente no livro como a menina cadeirante, a religião impedindo uma cirurgia simples, a ansiedade impedindo de fazer certas coisas, pessoas imigrantes, entre outros. É um livro que pretendo deixar na biblioteca da minha escola pois acho que lá vai encontrar um público necessário para o livro. Sinceramente, não gosto tanto de ler livros YA, mas a construção de mundo do Ale Santos é tão bacana que pretendo ler as continuações mesmo que elas sejam YA. Nos vemos no próximo! 
Leia Mais ››

segunda-feira, 8 de setembro de 2025

Resenha #366 Estaleiro Voltaire (Victor Allenspatch)


"Estaleiro Voltaire" é o segundo livro da série Dente-de-Leão do autor Victor Allenspatch, que iniciou com Jardins Suspensos e ainda tem mais 3 livros além deste. Infelizmente demorei bastante para continuar a série. Digo isso pois os personagens principais não estavam frescos na minha cabeça, pois o final inclusivo do primeiro livro deixou tudo muito no ar. Contudo, após entrar em contato com os personagens, logo lembramos de como eles são: Pedro sendo bastante passivo e reprimido, a ponto de fazer muitas besteiras e Yara tendo mais atitude mas uma pessoa fragilizada pelo abandono. Mas nem tanto do motivo de estarem ali.

Pedro esta enclausurado com Weechay como cobaias de um experimento que os obriga a viver uma vida inteira em simulação para acordarem apenas após a morte nessa vida. Contudo, na vida delas se passaram apenas algumas horas em que o outro fica completamente isolado. Enquanto Yara está em uma vila onde todos usam lentes que simulam não apenas adições ao mundo real, mas cobrem tudo que veem e percebem. Yara é alertada a não desligar as lentes pois o real seria bastante perturbador e lendo não dei muita bola, mas achei bem impactante quando ela é obrigada a ver a realidade sem lentes. Ela passa boa parte da obra tentando se adaptar a nova vida em Marte, como uma estrangeira mas o mesmo abandono que a leva para Marte acaba fazendo ela querer voltar para a Terra e afundar-se no mesmo ciclo. Enquanto Pedro consegue se libertar de sua cela e do experimento, quase morrendo no processo, apenas para entrar em Deimos após descobrir que estava em Fobos, que foi destruída em sua fuga. Pedro é resgatado e encontra uma outra população em Deimos que já nasceu vivendo sob as lentes e tendo seus corpos movimentados por estruturas que os mantém ativos ainda que sem saírem dos seus lugares. Pedro também descobre que o mesmo Valentin do final do primeiro livro, está criando essas crianças em Deimos para serem o futuro da humanidade, uma nova humanidade. 

Os aspectos do primeiro livro são amplificados neste segundo livro, a introspecção dos protagonistas, a solidão da sociedade e o isolamento que vivemos na pandemia seguem cada vez mais intensos. Uma coisa que não gostei, foi que se repetiu no livro anterior: a história terminou de forma aberta, mas não como um livro completo, nos obrigando a ler o próximo livro para saber o que vai acontecer com ambos. E de forma muito parecida como aconteceu no primeiro livro. Ao fim da leitura, fiquei com a sensação de que os eventos dos dois primeiros livros poderiam estar em apenas um livro. Apesar dessas ressalvas, é um bom livro e trouxe uma visão interessante da colonização em Marte (assunto que sempre me interessa). Vamos ver o que sai do próximo livro!  



Leia Mais ››

segunda-feira, 9 de junho de 2025

Resenha #365 O Torneio das Sombras (Fábio Fernandes)

 


"O Torneio das Sombras" é um romance publicado pela AVEC Editora, em 2024. Livro que estava ansioso para ler e quando li foi em poucos dias. Comprei minha edição na Odisseia de Literatura Fantástica em 2024 e já estava louco para passar esse livro na frente dos outros. E foi o que acabei fazendo e não me arrependi.

O livro não é apenas uma tradução da versão em inglês, como é uma ampliação, de uma noveleta publicada originalmente em inglês, chamada Under Pressure. Como eu adoro Steampunk, tinha ficado triste pela Under Pressure não ter saído em português, mas a AVEC não apenas trouxe o livro para o Brasil como também pediu para o autor ampliá-lo. O resultado é uma aventura steampunk que extrapola a característica que mais gosto do subgênero: referências a personagens literários e reais da época Vitoriana.

Acompanhamos January Purcell, uma geóloga que é contratada para uma expedição pelo Dr. Jones. O que está por trás desta viagem? Nada de mais. Apenas a existência de uma rede de espionagem que usa sonhos para influenciar a história, ou melhor dizendo, as histórias. January é uma oneironauta, uma pessoa capaz de viajar pelos sonhos, acessando outros universos e versões de si mesmo. A jornada de aprendizagem da protagonista nos conduz pela ideia do universo que o Fábio criou e não tem como não se empolgar, se você gostar da proposta, nesse ponto talvez eu não seja a melhor pessoa para tecer uma crítica para esse livro por já ter gostado tanto antes de ler e mais ainda após ler. Poxa vida, tem David Bowie na história, uma linda homenagem e um baita uso dele na trama. Não é só um fan service.

O mundo que o Fábio criou, a ideia do oneironauta, já tinha trabalhado nisso em outra obra sua, mas de forma mais cômica e absurda em Oneironautas (com Nelson de Oliveira) e antes disso no conto Charlotte Sometimes. Contudo, a brincadeira com o livro como um universo alternativo a ser explorado pelos oneironautas é criativa e poética em si, afinal a imaginação e os sonhos bebem da mesma fonte e uma base muito fértil para várias histórias. Uma forma muito bonita de ver a arte do escritor e somando isso a homenagem a arte do cantor David Bowie, transformam esse livro em uma carta de amor a arte. Sem deixar de ser uma aventura divertida de ler. 



Leia Mais ››

terça-feira, 11 de fevereiro de 2025

Resenha #364 Babel-17 (Samuel R. Delany)

 


"Babel-17" é um romance que veio publicado junto com Estrela Imperial pela Editora Morro Branco naquelas edições que você vira a contra-capa e encontra a capa do outro livro. Como são obras do mesmo autor, mas não são complementares vou publicar uma resenha de cada vez. Já publiquei a resenha da outra parte aqui

Babel-17 ocupa 274 páginas da edição. Nela acompanhamos Rydra Wong, uma linguista experiente que foi convocada pelas Forças Armadas para traduzir uma língua falada pelos membros dos Invasores, uma liga de raças inimigas da Aliança. Rydra tem dons praticamente telepáticos que a ajuda a decifrar idiomas complexos mas para esta missão ela precisa explorar o espaço para contextualizar a Babel-17. Então, Rydra junta uma tripulação de desajustados e parte espaço a fora. Contudo, as Forças Armadas tem pressa pois entender pois vários atentados aconteceram e a unica pista foram mensagens nessa língua estranha.

O tratamento que o autor dá a linguagem como forma de entender um povo, me remeteu diretamente a Os Despossuídos de Úrsula Le Guin. Há cenas muito bacanas dela explicando a complexidade de Babel-17 primeiramente pela falta de similaridade com as línguas humanas e mais para frente pela proximidade com linguagens artificiais. A capacidade da língua de, não apenas tornar a realidade de quem a fala compreensível, mas também se torna um poder capaz de impactar a realidade, me lembra a obra de Philip K. Dick. Isso me aproximou muito da obra. Nos capítulos finais, exceto o último, entramos numa espiral de experiências que chega a tornar a coisa toda confusa. O que não é necessariamente ruim. Quanto ao desfecho ele explica todas as dúvidas, talvez explicado demais. De qualquer forma não foi uma leitura que se segura pelo final, mas pela viagem linguística e filosófica em Babel-17. Uma obra que me agradou bastante.

Um adendo, achei muito engraçado quando citam a noveleta "Estrela Imperial" como um livro que alguns personagens de Babel-17 conhecem e já leram.
Leia Mais ››