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terça-feira, 21 de janeiro de 2020

Resenha #118 - O Homem Invisível (H. G. Hells)


O Homem Invisível (1897) de H. G. Wells é um dos clássicos da ficção científica que imortalizou o autor como um dos seus expoentes, ao lado de Mary Shelley e Júlio Verne. A obra é cheia de ação e uma imaginação fora do comum, que é a característica mais importante de um bom escritor de ficção científica.

A história foi publicada em capítulos semanais num jornal inglês. É de se esperar que essa forma busque construir uma expectativa, alimentando o mistério do homem cheio de bandagens, luvas e óculos escuros que se instala numa pousada no vilarejo de Iping, na Inglaterra. O homem é desmascarado e empreende uma fuga que o coloca contra a sociedade. 

Podemos dividir a obra em duas partes. Na primeira, vemos como a sociedade despreza o diferente, mesmo que esse não faça mal algum a eles. Vemos isso pelo olhar dos habitantes do vilarejo com o reservado homem. O homem invisível toma a palavra apenas a partir da metade da obra, onde conta em retrospecto como ficou invisível e seu caminho até o vilarejo de Iping e uma perseguição após esse relato que é recheada de ação. Nessa segunda metade a reflexão deixa de ser sobre a sociedade hipócrita que julga um homem por ser diferente e passa a do homem que faz uma experiência e ganha um poder que o corrompe. Nesse ponto a obra perde consistência pois acaba validando exatamente o que criticava no início, ainda que o questionamento que passa a ser feito seja bastante válido. 

Hells usa a imaginação nas suas descrições das implicações práticas de ser invisível e sua escrita é muito direta o que mostra uma opção em privilegia uma boa história, cheia de criatividade. Os primeiros leitores dessa história leram um capitulo por semana, o que deve ter gerado uma expetativa imensa do público. Ler a obra foi como maratonar uma série na Netflix e se eu pudesse reler (sem saber do mistério, obviamente) faria com as leituras semanais. Quem sabe numa próxima obra de Hells. De qualquer forma recomendo.
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terça-feira, 14 de maio de 2019

Resenha #93 - A Máquina do tempo (H. G. Wells)

Estamos de volta aos clássicos, e agora vamos resenhar uma obra de um dos autores mais importantes da Ficção Científica, por ser um dos seus precursores. "A Máquina do tempo", é tão impactante que criou um subgênero na Ficção Científica. Histórias sobre viagens no tempo se tornaram populares graças ao sucesso dessa obra e hoje é um recurso narrativo utilizado a exaustão, principalmente pelos quadrinhos e cinema - vide o último filme dos Vingadores. 

A história é bastante simples. O narrador é um amigo do homem que é referido apenas como "Viajante do tempo" que narra para este e seus amigos a descoberta de um maquinário feito por esse homem que promete fazer viagens temporais. No outro dia, o Viajante no tempo volta em farrapos e conta como foi viajar para o ano 802.101. Esta forma abre precedente para que tudo não passe de lorota do nosso Viajante.  

Uma vez acreditando no Viajante, temos a vida animal na Terra reduzida a seres humanos frágeis, frívolos e estranhamente felizes chamados Elois. Esses pequenos seres, não conseguem ajudar o Viajante a recuperar sua máquina, que some logo depois de sua viagem. Na sua busca, o Viajante descobre uma outra raça de humanos, os medonhos Morlocks. Como a narração aponta, o protagonista retorna ao seu tempo, mas não antes de avançar até o mais perto do fim da Terra e do Sol que consegue. 

Wells consegue nos transportar para uma visão potente e viva em muito poucas palavras. Obviamente pelo texto curto, as soluções, principalmente a final, parece um pouco apressada, mas nem por isso estragam a obra pois a aventura em si não é o principal mas o mundo que ele encontrou na viagem e as reflexões que seguem. 

A edição é a 4º da Francisco Alves e tem uma introdução sensacional de Jorge Luiz Borges. Vale a pena ler por ser um clássico e pelas reflexões. Recomendado!
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