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segunda-feira, 13 de janeiro de 2025

Resenha #361 A última colônia (John Scalzi)

 


"A última colônia" é o terceiro livro da série Guerra do Velho de John Scalzi. Neste livro há um encerramento da primeira trilogia da série, também dá um encerramento para as histórias de John Perry do primeiro livro e Jane Sagan do segundo livro. Diferente dos dois primeiros livros, não há foco na ação militar, mas no aspecto político numa escala maior, mas sem perder seu aspecto cinematográfico, cheio de boas reviravoltas e sua habilidade de nos fazer virar páginas constantemente.

O livro é narrado do ponto de vista de John Perry, protagonista do primeiro livro, agora aposentado das Forças Coloniais de Defesa, onde vive como administrador de uma pequena colônia ao lado de Jane Sagan e Zöe Boutin, sua filha adotiva. Então esta família irá se mudar para Roanoke uma nova colônia que está sendo criada, mas sob condições inéditas, pois ao invés de formada por colonos da Terra, como era a política da União Colonial, será formada por membros de outras colônias. Contudo quando chegam a Roanoke, descobrem que o planeta era outro do que foi prometido. Apenas a primeira de muitas mentiras contadas pela UC. Perry, Jane e Zöe encontram várias dificuldades em lidar com as ameaças representadas principalmente pelo Conclave, e quem leu os livros anteriores sabe o perigo que esta organização representa para a humanidade.

Gosto das reviravoltas, apesar de algumas serem bem telegrafadas, mostram que a trama é bem dinâmica. Mantêm-se o humor característico da série sem perder a mão, a agilidade na escrita garantem a diversão. Assim, como os livros anteriores, temos um livro ideal para ler na praia pois Scalzi o pega pela mão e o faz dar um passeio seguro por um universo perigoso. Há temas pesados mas não espere um debate profundo sobre eles. O ponto negativo fica para os "lobisomens" nativos de Roanoke que somem quando a trama não precisa mais deles e não são mencionados mais. Contudo, gosto de como o antagonismo Conclave/UC soou como o antagonismo EUA/BRICS, mas nada feito com profundidade mas o bastante para que o leitor faça uma associação simples.
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segunda-feira, 19 de junho de 2023

Resenha #290 As Brigadas Fantasma (John Scalzi)


"As Brigadas Fantasma" é a sequência de "A Guerra do Velho". Se você não leu o primeiro livro, sinceramente: dê o fora daqui, vá ler e depois volte aqui, se quiser. Digo isso, porque o definitivamente primeiro livro merece uma leitura com o mínimo de informação possível. E acredito que o segundo também. Isso acaba sendo uma recomendação de ler qualquer resenha do segundo livro também, pois As Brigadas Fantasma tem muitas surpresas simples mas muito gostosas de acompanhar e descobrir lendo. John Scalzi mantém o ritmo e o estilo ágil caracteristico da saga d'A Guerra do Velho buscando surpreender o leitor com essa visão de mundo militarizada que encanta e entristece ao mesmo tempo, sem perder a ironia e a leveza em momentos que poderiam ser densos. Afinal, Scalzi nunca perde a prioridade do livro que é divertir.

Acompanhamos o soldados das Forças Especiais Jared Dirac, um soldado criado a partir de uma consciência de uma pessoa morta, como quem já leu o primeiro livro, deve se lembrar. Revemos a tenente Jane Sagan e o comandante Szlilard, mas desta vez acompanhamos as Forças Especiais por dentro, junto com Dirac que carrega em si a consciência de um traidor, Charles Boutain. Seu crime: trair a raça humana em uma guerra, contra uma aliança composta por três raças contra a humanidade. E nem estamos falando da raça consu, a mais poderosa e avançada tecnologicamente do universo conhecido.

Uma vez que você está aqui, ou já leu o livro ou ignorou meu conselho, seguirei falando com o mínimos de revelações possíveis. O que costuma imperar em sequências (principalmente as cinematográficas) é a falta de criatividade, onde o lugar comum é repetir o tipo de ameaça tornando a maior. Nesta sequência, não deixa de ter um pouco disso. Temos um problema mais grave, ainda dentro da mesma guerra generalizada entre várias raças além da humana, afinal trata-se de um conluio de três raças inimigas; e um herói maior e melhor, uma vez que acompanhamos um soldado das forças especiais da União Colonial. Contudo, a própria origem dessas forças especiais e do soldado Dirac em si é bem utilizada para alavancar a trama. Conhecemos o herói que é feito com partes do vilão, e a busca do soldado Dirac para saber quem ele é, torna-se ao mesmo tempo o desenvolvimento de ambos os personagens. Como já dito, temos várias considerações sobre a mente humana, a consciência e a velha pergunta d'O que é um ser humano? que vão além da mera desconfiança sobre sua lealdade e tudo de uma forma leve, em um ritmo cinematográfico. É uma leitura ágil e você vai sentir as mais de 350 páginas passarem como se fossem 100. Recomendado!

Aliás, mal posso esperar por uma versão live action das historias dessa série, pois quem sabe assim, lançam o quarto volume do livro em português. Até lá terei que me contentar com o próximo A Última Colônia.
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terça-feira, 7 de janeiro de 2020

Resenha #116 - Guerra do Velho (John Scalzi)


Vamos começar o ano de 2020 falando de um livro ideal pra ler nas férias, se você quer algo rápido e divertido. "Guerra do Velho" (2016) é o primeiro de uma bem sucedida saga de Ficção Científica space opera militar, que bebeu assumidamente do clássico "Tropas Estelares" de Heimlein, mas com uma proposta bem mais leve buscando entreter o leitor, o que faz bem. 

A história acompanha John Perry que aos 75 anos alista-se no Exército de Defesa Colonial, que atua em vários planetas da galáxia. Para os habitantes da Terra, tudo entorno de como esse exército atua é envolto de mistério. Qual a utilidade de idosos de 75 anos para um exército? Que tipo de tecnologia utilizam? Até se alistarem eles podem apenas deduzir e o autor conduz essa curiosidade pelo ponto de vista do protagonista e responde todas essas dúvidas e joga o leitor em ação frenética, onde Perry se mostra um excelente soldado, além disso consegue trazer mais mistérios ao longo da trama.

A construção de mundo é bem interessante e faz querer conhecer mais sobre as diversas criaturas inteligentes que vivem na galaxia, porém a ação frenética não deixa espaço para qualquer debate mais profundo sobre o que é ser humano. Indústria da guerra e dilemas existenciais são apenas tangenciados, deixando bem evidente que o livro é feito para divertir. O mesmo vale para o aprofundamento dos personagens. Eles são bem rasos mesmo, e o fato de que alguns não vivem muito, não me serve de desculpa pois Perry é apenas um bode expiatório para nos apresentar o mundo bem construído. Ainda não sei porque não virou filme, pois a sequência de acontecimentos é linear, de fácil compreensão e tem boas cenas de ação. Pronto para virar filme. Recomendo para quem já sabe o que esperar da obra.
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