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segunda-feira, 2 de setembro de 2024

Resenha #351 Apagão: Ligação Direta (Raphael Fernandes/Camaleão)


Apagão: Ligação Direta é uma HQ da editora Draco de 2014 e funciona como um prólogo da série Apagão que conta com uma HQ mais robusta e até um jogo de tabuleiro. É uma história curta e realmente é uma pincelada nesse mundo, baseado numa São Paulo distópica em que a energia elétrica caiu e nunca mais voltou e a ordem como conhecemos (que já não é lá essas coisas) colapsa e no lugar, gangues sanguinárias lutam para mandar nos escombros. O protagonista tem que contar com a agilidade e malandragem para andar por estas ruas e encontrar uma das poucas fontes de energia que ainda restam: uma bateria de carro. A história cumpre muito bem o seu papel de inserir o leitor neste mundo, explicando suas regras e nos brindando com artes sensacionais e uma estética apurada e com identidade própria. Gostei bastante! 

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segunda-feira, 5 de agosto de 2024

Resenha #347 Freakshow: Escape dos Sentidos (Raphael Fernandes/Daniel Canedo/Omar Viñole)


Freaskshow: Escape dos Sentidos é uma HQ da editora Draco de 2018 e conta a história de uma banda chamada Os Baudelaires, que passa por uma briga generalizada dos membros que culmina na saída do vocalista. O guitarrista e compositor da banda propõe que os demais membros joguem numa Escape Room para que a banda trabalhando em equipe possam encontrar o entendimento perdido com a briga. Uma ideia muito boa se Escape Room não fosse dirigido por um psicopata e o jogo não fosse pelas próprias vidas. A história é curta e acho que pedia mais páginas para saborearmos os momentos de tensão e terror que a própria história pede. Gosto da saída episódica da história e ela diverte como um bom slasher deste tipo faz.

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segunda-feira, 1 de julho de 2024

Resenha #342 Terra Morta (Tiago Toy)


Terra Morta: A Obsessão de Vitória é uma HQ da editora Draco de 2014 e conta uma pequena história em meio a um apocalipse zumbi. Vitória é uma garota completamente viciada em redes sociais e nem o fim do mundo a fará parar de caçar likes e atenção nas redes. O traço e o Preto e Branco, valorizam o grotesco e a pungência da crítica e me agradaram bastante. O amante de histórias de zumbis não vão ficar decepcionados com a carnificina e o banha do sangue. É uma HQ sucinta, sincera e nada elegante.

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segunda-feira, 24 de junho de 2024

Resenha #341 O Gaúcho (Júlio Shimamoto)


O Gaúcho é um compilado de todas as tirinhas deste personagem publicado num suplemento da Folha de São Paulo entre 1963-65, criado por Júlio Shimamoto a pedido de Maurício de Souza, que havia pedido por um herói que vivesse aventuras como nos faroestes americanos, mas num cenário brasileiro. Shimamoto cogitou encenar suas histórias no nordeste com cangaceiros, mas sua decisão final foi pelo pampa gaúcho. Surge assim Fidêncio, um ex-soldado da Guerra do Paraguai que volta aos pampas depois do conflito e decide ajudar os mais fracos.

As tirinhas eram publicadas em poucos quadros por vez, mas juntas formam quatro arcos narrativos. No primeiro Fidêncio encontra um menino que sobreviveu a um assalto que vitimou seus pais e passa a cuidar do menino. Joca acompanharia Fidêncio em todas as suas aventuras. As histórias são muito bacanas. As cenas de ação são bem feitas, apesar de não muito extensas, mas temos tramas que envolvem terras, tesouros encontrados, bandidos perigosos como nos faroestes, mas ao invés dos revólveres sacados rapidamente, a habilidade valorizada pelos gaúchos é ser bom no jogo do talho (briga com facões). A grande vantagem desta publicação é que toda a obra do personagem foi reunida aqui. Um trabalho do CAQ, Coletivo Alvoradense de Quadrinhos, de Paulo Kobielsky e Denilson Reis, fanzineiros renomados no Brasil. Vale a pena!
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segunda-feira, 6 de novembro de 2023

Resenha #310 Tecnodreams (Isaque Sagara)

Tecnodreams é uma HQ de Isaque Sagara parte do Selo Negro Geek da Ultimato do Bacon editora. É uma história completa de Ficção Científica que foi lançada com sucesso via Catarse, mas que fui conhecer apenas quando comprei na 5ª Gibifest em Alvorada/RS. A pegada cyberpunk com toques philipkdickianos me atraiu imediatamente e a leitura não decepcionou minhas expectativas. É uma daquelas histórias que nos deixa com aquele nó sobre o que é real e o que não é, como nosso profeta louco Philip K. Dick nos ensinou. Tudo isso com uma pegada brasileira contando a historia de duas mulheres: Cida, uma mulher negra da periferia que trabalha como empregada doméstica na casa de Viviane, uma mulher muito insegura no casamento. Enquanto Cida deseja a vida de Viviane mas ao mesmo tempo odeia como é tratada, Viviane destrata Cida pois desconfia que ela é amante de seu marido. Cida é assediada pelo marido de Viviane, e também pelas propagandas praticamente onipresentes da Tecnodreams, que oferecem uma fuga temporária para ela, mas não se pode fugir de quem você é.

O final é maravilhoso. A escolha por ser um final aberto mas abrangente em interpretações foi muito bem construído. É uma história que fala com nossa realidade. Da classe média com fetiche escravista da empregada doméstica, mostra o lado mais escroto do Brasil, que conhecemos bem, mas facilmente esquecemos que fora do Brasil é muito incomum a figura da empregada doméstica fazendo coisas que qualquer pessoa pode fazer sozinho em casa. Confesso que o que me pegou nessa revista é o "História Completa" na capa, pois não gosto do modelo mais comum de publicação de HQs, mas no fim fui premiado com uma história que se completa de muitas maneiras na minha cabeça. Espero que venham mais publicações do selo Negrogeek!

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segunda-feira, 27 de março de 2023

Resenha #278 Saros 136 (Alexey Dodsworth, Ioannis Fiore)


"Saros 136" é uma HQ lançada pela editora Draco com roteiro de Alexey Dodsworth e desenhada por Ioannis Fiore. A história se passa no mesmo universo da duologia Dezoito de Escorpião e Esplendor, cruzando o destino de quatro personagens separados pela distância e pelo tempo mas unidos em um evento catártico que vai salvar a raça humana, modificando-a para sempre.

Acompanhamos um sacerdote africano em 1865 fugindo de captores portugueses. Um astrofísico inglês na expedição que comprovou a tese de Einsein no Ceará de 1919. Uma astronauta brasileira arriscando a vida para proteger uma base lunar em 2045. Uma pesquisadora indiana que tem sobre os ombros a capacidade de trazer a cura de uma epidemia em 2135. Esses personagens e tempos se misturam com visões destes personagens uns com os outros, que os fazem parecer loucos para seus próximos. O narrador também está envolto de mistério pois apenas "ouvimos" a sua voz e sabemos que a sua vida é o resultado do evento catártico que une esses quatro seres.

Cada um é afetado de alguma forma pela sensibilidade eletromagnética, de forma semelhante a que Artur, o protagonista de Dezoito de Escorpião. O inglês de 1919 é o que mais sofre pois é o mais desconectado do fenômeno, enquanto o feiticeiro angolano é o mais conectado, tanto que entende seus dons como feitiçaria. Uma contradição bem colocada pelo autor. Surgem também outras reflexões sobre a ciência e a religião. Sobre a arte, não é meu forte, mas as visões pintadas pelo artista Ioannis Fiore, são lindíssimas. Dos detalhes das cenas mais comuns até os deslumbrantes quadros que trazem eventos cósmicos e abstrados de uma forma bela, apreciável e inteligível. Esta foi uma das melhores HQ nacionais que li até o momento. Uma peça maravilhosa!


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segunda-feira, 9 de janeiro de 2023

Resenha #266 Olho de Vidro: Manguetown (Raphael Fernandes e Vitor Wiedergrün)


"Olho de Vidro: Manguetown" é uma HQ da Editora Draco que expande o universo criado para um áudio jogo da Rede Geek. Sobre o podcast interativo ainda não consegui ouvir mas a HQ já está lida e é sobre ela que vamos falar hoje. Ela tem o roteiro de Raphael Fernandes e artes de Vitor Wiedergrün e se passa num Brasil cyberpunk em 2162 que após uma guerra nuclear devastou os maiores países do mundo. Apesar de relativamente poupado (São Paulo é uma mancha radioativa no mapa), o Brasil acabou sendo dividido em Brasil do Sul e Brasil do Norte. Sendo o lado Norte bem evoluído com tecnologias verdes e o Sul dominado por corporações como num bom cyberpunk.

É na fronteira desses Brasis que fica a Nova Sampa, a capital do Brasil do Sul, na divisa dos antigos Estados de Minas Gerais e Bahia, mais precisamente Juazeiro e Petrolina. Lá conhecemos Bidu, um malandro que é um guia turístico dos clandestino para os turistas do Norte. Nesta história Bidu vai oferecer ajuda a um ex-namorado dono de uma companhia de teatro anarquista que está sendo perseguido pela Polícia Privada depois de uma peça de protesto contra uma corporação poderosa na cidade. Bidu vai mexer seus pauzinhos e parece ter um excelente plano para salvar seu ex.

A história é curta mas boa o suficiente para conhecer esse mundo. Uma releitura muito brasileira do cyberpunk com versões esteticamente nordestinas dos clichês mais conhecidos do subgênero adicionados da figura do malandro, bem conhecida por aqui. Adorei os desenhos, o traço e as cores, que souberam usar o tema pastel do nordeste com o super colorido do cyberpunk. Cores que entraram na obra por conta do sucesso do financiamento coletivo que chegou a 400% do valor pretendido e uma das recompensas foi que a edição seria com o miolo colorido, e de fato seria uma pena que toda aquela cor se resumisse aquela capa maravilhosa. A história deixa um gosto de quero mais e espero poder ouvir logo esse podcast e ler mais histórias desse universo, pois a combinação funcionou muito bem!
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segunda-feira, 6 de setembro de 2021

Resenha #199 - Marighella #livre (Rogério Faria, Ricardo Sousa, Jefferson Costa)


"Marighella #livre" é uma HQ da Editora Draco de 2020. Tem roteiro de Rogério Faria e desenhos de Ricardo Sousa e Jefferson Costa. A HQ não foi feita para fazer média com o leitor, muito menos se desculpar de qualquer coisa. É uma celebração e uma biografia dos momentos mais intensos da vida do guerrilheiro que foi preso diversas vezes apenas por ser comunista. Apesar de Marighella ser mais conhecido por sua trajetória durante a Ditadura Militar, onde entrou para a guerrilha armada, a história mostra momentos onde foi torturado na era Vargas, mostrando que a tradição do autoritarismo não nasceu em 1964. A história vai e vem no tempo enganchando momentos até o ápice trágico. A opção pelos desenhos em preto e branco ajuda o leitor a entrar no clima de época e valoriza principalmente a sequência final. Não adianta nada curtir a estética cyberpunk e seus heróis revoltosos e cheios de atitude e ignorar nossos próprios exemplos de revolta.

Marighella Vive!
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segunda-feira, 30 de agosto de 2021

Resenha #198 - Blade Runner 2019 p1 (Michael Green, Mike Johnson, Andres Guinaldo)


"Blade Runner 2019" é uma HQ lançada no Brasil pela Excelsior em 2020. Roteirizada por Michael Green (Roteirista do filme Logan e Blade Runner 2049) e Mike Johnson (Já roteirizou HQs de Batman, Superman e Star Trek) e com artes do espanhol Andres Guinaldo, que já desenhou mais de 185 histórias dos principais estúdios de HQ. Trata-se do volume #1 que reúne 6 das 12 publicações em capa dura. As páginas finais falam de quatro volumes no total, além de uma sequência Blade Runner 2029. Contudo, até agora só encontrei a primeira parte. Particularmente não gosto de publicações seriadas e só percebi o #1 quando abri a encomenda (culpa minha, eu sei), prefiro um volume único a ter que aguardar sabe-se lá quanto tempo para o próximo volume. Contudo, uma vez que esse é um dos meus universos preferidos e o volume já estava na minha mão, parti para a leitura e não me decepcionei.

Achei as artes bonitas, puxadas para o realismo. A história seque a linha de sempre dos cyberpunks: uma pessoa fudida, numa cidade fudida aceita um trabalho fudido e enfrenta vilões fudidos. Gostei da linha investigativa do início, do raciocínio, dos métodos e dos questionamentos de Ash (a protagonista) e entregaram bem os motivos e as consequências da sua situação. As cenas de ação achei um pouco forçadas, com a Ash derrotando inimigos como se fosse o Rambo. O forte dela é a investigação e não o combate. Voltando as artes, gosto mais das artes que passam a dureza da vida de Ash (felizmente isso acontece na maior parte dos quadros) ao invés de mostrar sua beleza, como na segunda capa do volume. O lado ruim é não saber o fim da história após virar a última página, mas como disse, a culpa foi minha mesmo. 
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segunda-feira, 5 de julho de 2021

Resenha #190 - Arcanjo (William Gibson e Michael St. John Smith)


"Arcanjo" é a primeira HQ criada por William Gibson, que escreveu essa história inicialmente como um roteiro para o cinema. A história certamente daria um ótimo filme pela ação e carisma dos personagens (quem sabe isso não acontece, um dia...) e parte deste carisma está na arte de Butch Guice. A história é sobre viagem no tempo e mesmo que essa não seja muito complexa, o roteiro conseguiu explicá-la sem desperdiçar muito espaço, abrindo espaço para a ação que move o enredo.

Acompanhamos vários personagens e começamos em um 2016 alternativo onde um desastre nuclear global colocou o Coronel Henderson como presidente vitalício (um ditador, obviamente) dos EUA e seu filho (Henderson Júnior) parte em uma missão no tempo para a Alemanha já derrotada em 1945 para controlar "nossa" linha do tempo, em resposta, a Major Torres lança uma missão para impedir os planos dos Henderson, mas o bombardeiro B-2 se choca em pleno ar com um esquadrão de B-52. O piloto sobrevivente é aprisionado num quartel estadunidense na Alemanha. Então a oficial do Naomi Givens é incumbida de buscar informações sobre o acidente com o Capitão Vince Mathews, um antigo caso que não terminou bem. Começa então um jogo de perseguição e busca pela verdade que pode transformar o nosso futuro tão terrível quanto o 2016 comandado pelos Henderson. Outros personagens de destaque são o Alemão Fritz, um refinado sobrevivente do Holocauso (por ser gay), que conhece os caminhos secretos das ruas para ajudar Naomi; e o agente soviético Yerenkov, retratado quase como sempre se retratam os soviéticos, sisudo e desconfiado, mas longe de ser um vilão automático. Aliás, é uma constante de William Gibson não se render a dicotomia cansada da Guerra Fria para ambientar esse período. Recomendo essa HQ para quem curte FC, viagem no tempo e o trabalho de Gibson mais focado na aventura sem perder a inventividade do autor. 
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terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

Resenha #121 - Periferia Cyberpunk (org. Raphael Fernandes)


"Periferia Cyberpunk" (2018) é uma coletânea de histórias em quadrinhos que traz valor do quadrinho brasileiro ao mostrar uma versão brasileira da estética cyberpunk em oito histórias que variam em narrativa e traço, sem compartilhar um universo em comum mas firmes na sua proposta geral.

"Só os vilão" mostra um grupo de assalto que habita os esgotos de um rio tóxico radioativo que gerou uma casta de mutantes deformados. Eles buscam um artefato robótico que os daria vantagem para enfrentar o Estado que os segrega mas a arma acaba se voltando contra eles. O traço é bom e os diálogos são fluídos por se distanciarem da linguagem formal.

"Iansã Ferida" a população pobre vive no subterrâneo, quando duas garotas acordam de uma bad trip não conseguem mais acesso para a superfície até que uma amiga da PM, Dendê, tem uma saída. A linguagem informal flui muito bem. O traço aqui é muito bonito e elegante, com ângulos que dão efeitos muito bons e a página que representa o uso de uma nova droga merecia um quadro na parede.

"Um tucano me ensinou a voar" é aspecto cyberpunk aparece muito mais pela essência que pela estética. Usa bem o humor para estampar as paranoias do trabalho e o fracasso do protagonista, que trabalha sem parar e continua sem qualquer perspectiva de melhorar de vida. Toda dor do protagonista é regada pela leveza enganosa do traço de mangá.

"Babel de Cristo" mostra a volta de Alexandre ao Rio de Janeiro, de 2054 e recebe o leitor com um Cristo Redentor com um braço protético. A história é bastante clichê. Veterano voltando a ativa ao receber um pedido de uma mãe de um filho desaparecido e no caminho se depara com bandidos armados. O que me agradou foi o cenário numa favela montada no morro do corcovado que sofre uma ocupação da polícia. A referencia ao presidente e aos capacetes dos soldados podiam ser mais incisivas, pois o clima de clichê e aquele cyberpunk que não se leva muito a sério já esta estabelecido.

"Golen Binário" Nuke é uma hacker que vive numa cidade poluída até que forçada a aceitar um trabalho invadindo um sistema, mas seu passado que a tinha aposentado retorna para atormentá-la em um ciclo sem fim. A resolução da trama passa mais tempo explicando a resolução do que desenrolando a trama, mas mesmo assim é uma boa história.

"Condomínio Paradise" segue o desespero de uma mulher sendo expulsa de um edifício que logo fica evidente se tratar de uma área abastada da sociedade, para um exílio no local esquecido e pobre. Quando a mulher chega ao solo ela encontra uma sociedade que aguardava e uma pessoa de seu passado e percebe que sua chegada pode mudar tudo. A cena inicial é bem desenvolvida e angustiante, mas compensa mesmo apressando um pouco o resto do desenvolvimento da história que tem uma virada e resolução muito boas. O roteiro consegue prender  o leitor com uma boa construção de acontecimentos.

"Midriasi" conta sobre uma sociedade pós-apocalíptica que vive em uma cohab num navio cargueiro que obriga os habitantes a utilizar um colírio, mas a protagonista começa a investigar em cima de suas duvidas e chegar a uma revelação sobre o que é a verdade. 

"Fortaleza 2068" é uma típica aventura cyberpunk, cheia de humor, ironias gritantes e violência desmedida na pele do policial brucutu Everaldo que é obrigado a trabalhar com nerd Júnior. O primeiro quadro já mostra essa ironia ao vermos Everaldo acertando vários inocentes  (vinte mortos, segundo seu capitão) enquanto massacrava uma quadrilha de assaltantes. Mais que o dobro das oito vitimas feitas pelo assassino que a dupla persegue. A história consegue divertir e expor com humor a violência desse futuro.

Ficha Técnica.
Só os vilão: Roteiro - Airton Marinho, Arte: Jader Corrêa.
Iansã Ferida: Roteiro - Guilherme Wanke, Arte: Braziliano.
Um tucano me ensinou a voar - Roteiro: Cauê Marques, Arte: Cássio Ribeiro.
Babel de Cristo - Roteiro: Lucas Barcellos, Arte: Jean Sinclair.
Golen Binário - Roteiro: Antonio Tadeu, Arte: Thiago Lima.
Condomínio Paradise - Roteiro: Larissa Palmieri, Arte: Azrael de Aguiar.
Midriasi - Roteiro: Bruna Oliveira, Arte: Akemi, Hayashi.

Fortaleza 2068 - Roteiro: Raphael Fernandes, Arte: Doc Goose.
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terça-feira, 26 de novembro de 2019

Resenha #112 - Cangaço Overdrive (Zé Wellington e Walter Geovani)

Cangaço Overdrive de 2018 é uma HQ nacional da Editora Draco roteirizado por Zé Wellington e uma equipe, em sua maioria cearenses, que traz uma fusão muito bacana da literatura de cordel com o cyberpunk. 

A história se passa em um futuro próximo, onde o nordeste brasileiro entra em colapso ambiental sendo praticamente abandonado pela população, restando alguns focos de pobreza extrema tendo no morro do Preã, uma comunidade no Ceará que resiste apesar dos constantes ataques da polícia e das maquinações de uma corporação chefiada por uma poderosa e tradicional família. Até que uma caixa misteriosa é interceptada pelo grupo de Rosa, líder da resistência armada do morro. O conteúdo da caixa é nada menos que o lendário cangaceiro Cotiara. Sua chegada vai desencadear uma escalada de morte e violência e uma pendência que dura mais de um século. 

A história consegue fundir os mundos de forma muito agradável. É uma história sobre o cangaço, mas levada ao futuro pela tecnologia. O narrador canta como num cordel com a mesma fluidez que fala de tecnologia. Tudo com bastante concisão, sem quadros desperdiçados fora da trama principal. Uma perseguição a um grupo de cangaceiros tornada numa batalha de ciborgues. As redes sociais aparecem de forma sutil mas tão fluída que quase não se percebe. O elemento de resistência do povo sofrido contra os interesses do capitalismo selvagem trouxe uma agradável lembrança ao filme Bacurau (lançado depois) e que dá força ao quadrinho pois aliou o regional ao universal, das lendas a nossa dura realidade. Apesar de não ser especialista, as artes agradam bastante, sendo a que menos me agradou foi justamente a capa. Leitura altamente recomendada!

Ficha Técnica, Cangaço Overdrive, editora Draco, 2018.
Roteiro: Zé Wellington
Layouts: Walter Geovani
Desenhos: Luiz Carlos B. Freitas
Arte Final: Rob Lean
Cores: Dika Araújo, Tiago Barsa e Mariane Gusmão.
Letras: Deyvison Manes.
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