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segunda-feira, 28 de março de 2022

Resenha #228 - Poeira Lunar/Os Náufragos do Selene (Arthur C. Clarke)

 


Poeira Lunar (To Fall on Moondust) é uma obra de Arthur C. Clarke que foi lançada recentemente com este nome, pois a antiga Nova Fronteira já havia lançado como "Os Náufragos do Selene". É uma história sobre o drama de 21 ocupantes de uma nave de turismo na lua que sofre um naufrágio em um de seus mares. Os mares da lua imaginada por Clarke são repletos de uma poeira fina que em gravidade quase zero ganha uma consistência que se comporta como um liquido. Hoje sabemos que os mares da nossa lua são uniformemente firmes. Alguns poucos anos depois do livro ser lançado, a teoria dos mares de poeira foi derrubada, deixando o Poeira Lunar imediatamente obsoleto como especulação. Fica a pergunta: o que sobra para uma ficção científica que não serve mais para especulação?

Se olhar com extremo rigor, nada, a não ser uma história. A história de um desastre e o drama para a sobrevivência, a convivência sob o estresse do confinamento, o perigo eminente, até o resgate tornou-se comum no cinema nas décadas seguintes. Se o leitor conseguir se levar pelos acontecimentos, vai conseguir tirar o que a obra tem de bom. Contudo, mesmo erguida sob uma teoria que logo se tornou furada, temos um livro muito bem escrito e bem especulado em relação aos desafios que a tripulação e a equipe de resgate tem que enfrentar. É muito fácil cair em falar besteira ao imaginar um mar de poeira fina em gravidade quase zero e como retirar 21 pessoas de uma embarcação afundada de lá. Ainda assim, é uma obra que não é boa como seus maiores clássicos, "O Fim da Infância", "A Cidade e as estrelas" e "Encontro com Rama", mas é superior a "As Fontes do Paraíso".
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terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

Resenha #120 - 2001: Odisseia Espacial (Arthur C. Clarke)


"2001" é a obra mais conhecida de Arthur C. Clarke e, graças a adaptação ao cinema, uma das obras de ficção científica mais famosas do cinema. Um dos poucos filmes considerados melhor que o livro. Apesar do filme e do livro serem indissociáveis, o assunto é apenas o livro que traz o que Clarke tem de melhor: Uma história cheia de criatividade que nos leva longe na imaginação e precisão científica apurada.

A história começa 3.000 anos atrás acompanhando um grupo de hominídeos na visão de seu líder, referido como Amigo da Lua, que se depara com o monólito que o ensina habilidades que tornariam o homem a espécie dominante do planeta. O que chama a atenção nessa primeira parte são as descrições da vida cotidiana bem embasadas no conhecimento científico disponível até então. 

A segunda parte da obra, se passa no então futuro em 2001 e segue o Dr. Heywood Floyd, em uma missão até a base internacional na nossa Lua onde é encontrado o misterioso monólito, referido apenas como ATM-1. A própria tecnologia alcançada pela humanidade em 2001, mostra muito do otimismo que Clarke tinha no desenvolvimento tecnológico, comprovável pelo atual andamento da conquista do espaço. A terceira parte, que dura até o final do livro acompanha a da nave Discovery, pouco tempo depois da missão de Floyd, para explorar a pequena lua de Saturno (Jápeto) passando por Júpiter. Bowman, Poole e o computador HAL 9000, conduzem a nave com mais três membros em estado criogênico. Contudo, há um objetivo secreto, investigar uma nova ocorrência de um monólito igual ao encontrado na Lua. 

As primeiras sequências parecem acumular sem ter uma resolução, mas são muito boas para criar mistério e se mostram partes de uma única jornada de transformação e busca por respostas. Clarke usa bem as descrições dos momentos mais insólitos. Elas exigem da imaginação do leitor, até então bem abastecido de referenciais científicos, passam a acompanhar uma viagem lisérgica ao desconhecido, que é muito difícil de mensurar. Essa mudança no ritmo e da própria forma da narrativa é o que costuma desagradar o leitor desavisado. Para quem puder ler e deixar que a obra lhe abra a mente, o livro é muito recomendado!
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terça-feira, 3 de dezembro de 2019

Resenha #113 - As Fontes do Paraíso (Arthur C. Clarke)


"As Fontes do Paraíso" é uma das obras de Arthur C. Clarke em que ele se mostra mais otimista em relação ao futuro em relação a outras de suas obras clássicas, pois é mostrada uma tecnologia muito avançada, em um futuro relativamente próximo.

A história segue o engenheiro Vannefar Morgan em sua obra mais ousada e grandiosa: um elevador orbital, uma forma de ligar a Terra e o espaço de forma rápida, levando mais cargas/passageiros que os custosos foguetes. O primeiro problema para a realização da obra gira entorno da montanha escolhida para a torre base do elevador. Lá fica o templo budista de Kalidassa, um imperador da antiga Taprobana - equivalente a Sri Lanka e a história de sua construção e intrigas palacianas é contada nos primeiros capítulos.

A história é narrada do ponto de vista de Morgan, principalmente, mas também do jovem imperador Kalidasa, de um diplomata da ONU aposentado e de uma jornalista ambiciosa. Os capítulos são curtos mas as descrições técnicas da tecnologia usada no elevador é muito apurada e bastante baseada na realidade e em teorias existentes. Inclusive um posfácio do autor detalha mais tais fontes. O otimismo do autor em imaginar que em tão pouco tempo a humanidade estaria agregada o suficiente para uma obra deste porte ou para a colonização espacial, como vemos em Marte. 

Clarke atribui em parte esse avanço civilizacional a um evento sem precedentes: o contado com uma inteligência alienígena superdesenvolvida, chamado apenas de Sideronauta, que travou um contato breve mas devastador para as religiões no mundo. Menos para os solitários monges que ocupam a montanha ideal para a obra. O livro conta com capítulos curtos que ajudam a amenizar o ritmo lento da obra. Os debates sobre religião tomam conta da primeira metade da obra enquanto na segunda metade a tecnologia do elevador fica mais em evidência, e é onde o livro é mais interessante. Pessoalmente, acho o debate religioso um pouco inocente, mas de forma nenhuma inútil. A obra é recomendada, contudo, os outros clássicos do autor são bem melhores.
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terça-feira, 8 de outubro de 2019

Resenha #105 - A cidade e as estrelas (Arthur C. Clarke)

"A cidade e as estrelas" de Arthur C. Clarke, de 1957, foi baseado em uma novela de duas décadas antes. A obra consegue trazer temas e extrapolações ainda relevantes hoje mesmo passado mais de meio século depois de escrita, ainda que tenha elementos bem calcados no seu tempo Clarke consegue extrapolar a Guerra Fria buscando soluções sempre além disso. A história se passa milhões de anos no futuro e o texto consegue transmitir muito bem essa distância temporal. 

Acompanhamos Alvin, que vive numa metrópole isolada do resto da Terra e do universo chamada Diaspar. Nela, a cidade é governada por um computador central e a morte foi derrotada completamente e os habitantes dedicam seu longo tempo de vida para seu próprio prazer, sem compromissos ou laços familiares fortes. O poderoso Computador Central de Diaspar provê comunicação instantânea, inclusive com hologramas sólidos e interações a distância muito mais complexas que a ainda distante internet. Apesar de todas essas benesses, os habitantes de Diaspar são desencorajados a sair da cidade baseados num acordo de paz lendário com antigos inimigos chamados apenas de Invasores, que aceitaram não atacar a Terra desde que não voltassem a explorar o espaço. Contudo, Alvin quer conhecer o mundo e o universo que há fora de Diaspar.

Infelizmente se faz necessário um spoiler que acontece antes da metade do livro, quando o mundo parece bem estabelecido: A cidade de Lys é encontrada por Alvin vasculhando uma antiga estação de transporte nos subterrâneos de Diaspar. Na cidade, Alvin encontra Hilvar que se torna um grande amigo. Lys se mostra uma outra Utopia de harmonia com a natureza, cultivo de plantas e criação de animais e apesar de ainda lidarem com a morte, desenvolveram habilidades telepáticas. Ambas as cidades são extrapolações das ideologias da Guerra Fria, de um lado Diaspar se apresenta como um shopping center dos sonhos, um templo voltado ao prazer entediado de tanto consumo enquanto Lys é uma comunidade autogestionada de contado pacífico com a natureza. Ainda que também sejam isolacionistas e temerosos em relação aos invasores. Alvin atua, com sua curiosidade, no  rompimento dessa barreira contruí há milhões de anos.

A escrita de Clarke é bastante agradável, dando uma boa forma as suas ideias fantásticas que são o forte de sua obra. Além do mais é autor clássico em uma obra clássica da Ficção Científica que envelheceu bem e ainda merece atenção dos novos leitores. Recomendado!
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terça-feira, 1 de novembro de 2016

Resenha #49 - Encontro com Rama (Arthur C. Clarke)

"Encontro com Rama", é outra obra clássica de um autor clássico da FC. Arthur C. Clarke consegue envolver o leitor num suspense envolvente. Suas obras são conhecidas por misturar conhecimentos científicos, muito bem embasados, com elementos místicos que perpassam a obra. Nesta obra a parte científica se faz muito mais presente.

A Estória se passa num futuro onde o homem assentou-se solidamente em vários planetas e luas do sistema solar (Mercúrio, Terra, Marte, Ganimedes, Titã e Tritão), contudo, ainda se vê sozinho no universo. Até a chegada do misterioso objeto que se dirige em direção ao Sol velozmente. A estória é basicamente a missão de exploração comandada pelo Capitão Norton ao objeto denominado Rama, para travar o esperado primeiro contado com um ser alienígena.

O leitor pode esperar uma estória bastante envolvente. Ela segue duas linhas, a principal é onde a expedição se desenrola, as sensações dos personagens aos efeitos gravitacionais são descritas com muita perícia e eficiência. Tudo fruto do conhecimento científico do autor. A segunda linha é das reuniões do conselho dos Planetas Unidos que auxiliam (ou atrapalham?) o andamento da missão. O livro é curto, isso justifica, em parte, os personagens serem comuns e pouco desenvolvidos. Os personagens que fazem parte da expedição são, basicamente, aventureiros intrépidos frente a uma mistério estrondoso e a jornada para descobrir esse mistério, consiste a maior qualidade do livro. Note que eu disse "a jornada", e não "a revelação". Pois não há muitas respostas no fim. É sabido (e não spoiler), que as sequências revelam os grandes mistérios apresentados nesse livro.

Considerações finais
Clarke mostra mais ciência que misticismo neste livro. É um prato cheio para quem gosta de FC "Hard". Contudo, pode desagradar quem gosta de personagens bem desenvolvidos (não há aqui) e uma revelação bombástica no fim, pois existem sequências.

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sábado, 2 de janeiro de 2016

Resenha #13 – O fim da infância (Arthur C. Clarke)

[SEM SPOILERS]
O fim da infância é um clássico da Ficção Científica. Arthur C. Clarke trás uma história de uma invasão alienígena sem ocupação militar ou coisa parecida. Os chamados Senhores Supremos trazem uma era de prosperidade material envolta em muito mistério. O curto romance viaja longe no tempo e no espaço sem tirar a Terra e a raça humana do centro da narrativa.

A estória mostra uma invasão alienígena cercada de mistérios. Eles chamados pelos humanos de Senhores Supremos. Eles escondem seus objetivos, bem como se negam a compartilhar sua tecnologia inclusive reusam a mostrar sua aparência. Os personagens são representantes da raça humana, que aprece ser o personagem principal, sendo que o autor alguns “porta-vozes” para tecer a narrativa. Na primeira parte acompanha o secretário-geral da ONU Rikki Storngren, o único ser humano recebido pelo único Senhor Supremo conhecido chamado Karellen. Apesar dos Senhores Supremos acabarem com as guerras e distribuírem recursos em abundância, a sua tutela não é aceita por todos. Na segunda parte, cem anos depois, acompanhamos um grupo de amigos que vive numa Terra tecnologicamente utópica sob o patrocínio dos Senhores Supremos. Algumas perguntas são respondidas ao longo da narrativa e outras são desenvolvidas na terceira parte até a conclusão reveladora e surpreendente.

Universalidade localizada

Principalmente na primeira parte a colonização é um tema implícito frente as suspeitas que cercam a relação entre humanos e senhores. O caráter de exploração da colonização não aparece pelo próprio mistério do qual os senhores se cercam. Contudo o controle implícito, vigilância sutil são uma constante na presença dos senhores. Clarke consegue manter o mistério a té sua derradeira revelação. Na segunda parte, a utopia patrocinada pelos senhores é carregada de dubiedade. A visão do autor se mostra muito racionalizada tendo como problema o tédio da maioria substituindo a desconfiança da fonte de toda essa riqueza. Outra que escapa a vontade do autor é como se dá a realização desta utopia, ainda baseada em moldes de uma família ocidental foram alçadas a condição de padrão universal de riqueza material e cultural, onde a tecnologia rompeu barreiras físicas dentro da Terra, a família ocidental padrão é a única imaginável pelo autor.


Considerações finais
Como o romance é bem curto, sendo que muitas descrições do mundo utópico ficaram rasas. Os temas sociais acabaram sendo tratados on passant pelo autor, contudo só incomodarão aos leitores que pensam mais sobre tais temas. Aos restantes os aspectos da física e astronomia são, nada menos, que uma referência para os entusiastas do assunto. A quem nunca leu, pode aproveitar o clima de suspense bem construído pela obra.
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