segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Resenha #376 Hyperion (Dan Simmons)


"Hyperion" é o livro que escolhi para começar o ano lendo um tijolão em 2026, mesmo não sendo tão grande, com apenas 560 páginas. É um clássico da ficção científica, mas não tão famoso quanto Duna ou Fundação, mas que segue os passos deste tipo de obra, sendo uma saga de um mundo enorme, abordado com profundidade em vários tijolões, no caso desta saga chamada "Os Cantos de Hyperion", tem quatro livros. Contudo, um clássico deste tamanho tem que ter suas particularidades.

Hyperion conta a história de um grupo de peregrinos com objetivos muito distintos que partem em uma peregrinação ao Picanço, uma entidade conhecida por conceder um desejo a quem solicitasse, porém com um preço. Sete peregrinos pedem, um é atendido e os demais são sacrificados pela criatura que usa espetos de metal para matar (como o passarinho sanguinário que existe de verdade e que guarda suas presas em espinhos). São eles Lenar Hoyt, um sacerdote católico, num mundo onde a Igreja Católica é uma seita que é um resquício da antiga Terra que não existe mais. Coronel Fedmahn Kassad, um herói de guerra obscecado por uma aparição que se repetiu durante sua vida. Martin Silenus, um poeta dionísico, lembrado pelo único livro de sucesso. Sol Weintraub, um velho intelectual que carrega uma criança de colo. Het Masteen, capitão da nave que trouxe os peregrinos para Hyperion (planeta onde ocorre a perigrinação). Browne Lâmia, uma detetive que entrou numa trama após investigar um assassinato, envolvendo uma trama ainda maior. Por fim, o Cônsul, que inicia o livro e só mais adiante vai contar sua história, que é a mais misteriosa de todas.

O livro se apresenta quase como uma coleção de noveletas, onde cada peregrino conta o que os levou a serem chamados para a perigrinação. Isso se reforça pela narração acompanhar o estilo do personagem. A história do Coronel Kassad, tem uma narração no estilo Tropas Estelares, enquanto a parte do Martin Silenus, tem toda a verborragia que irrita Browne Lamia. Falando nesta, temos um ritmo de conto policial clássico em sua parte. Por um lado, temos uma versatilidade monstruosa do Dan Simmons, por outro, você pode se desagradar bastante de alguns personagens, mas acho que não da para se apegar muito a isso. O livro tem uma trama maior que é alimentada aos poucos durante as "histórias de origem" de cada peregrino e isso me instigou tanto ou mais que as histórias individuais. Outra coisa que pode desagradar é o desfecho, sendo praticamente um fim de episódio de série com "...to be continued". Contudo, eu já estava fisgado pela complexidade e riqueza deste mundo, ao qual vai muito além dos portais entre planetas e a guerra entre a Hegemonia contra os Desterros. Tanto que não vou esperar até o próximo inicio de ano para pegar o próximo tijolo da série "A queda de Hyperion".

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