segunda-feira, 7 de setembro de 2026

Resenha #377 Os Agentes do Caos - As aventuras de January Purcell (Fábio Fernandes)


"Os Agentes do Caos" é o segundo livro da série As aventuras de January Purcell, que são aventuras steampunks cheias de referencias as obras de ficção e personagens reais da época vitoriana principalmente mas de várias épocas, pois se tem uma coisa que aprendemos com este universo criado pelo Fabio Fernandes, é que o limite está na sua imaginação. Tudo pode fazer parte deste universo, que se baseia na viagem pelos sonhos, através de pessoas com este dom. Junto deles, há toda uma disputa que perpassa os limites do tempo, universos paralelos estabelecidos como obras de ficção para uns que em outro é a mais pura realidade. Os oneironautas e os anarcronistas, enfrentam-se por entenderem o sonhar de forma diferente. São duas ideologias que se colidem.

Este embate fica mais evidente nesta sequência, pois acompanhamos, não apenas January Purcell, mas ela divide a narrativa alternando com Maria Skłodowska, que neste mundo não chegou a ser (pelo menos não ainda) a famosa química Marie Currie, mas uma anacronista que tem sua própria jornada de recrutamento e adesão a forma de pensar o uso de suas habilidades, que é um contraponto ao que vimos com January no primeiro livro. Já com January temos uma evolução da personagem que hora parece estar pronta e experiente, se vê perdida e despreparada em outros. Não que a personagem seja competente, mas o desafio de ser uma oneironauta é algo que não cabe em uma pessoa. Há o grande jogo, e o autor consegue imprimir essa escala gigantesca de importância para as coisas. O fato de January ser uma peça importante e não conseguir ocupar um cargo no Clube Oneiros por ser mulher é uma forma muito bacana de mostrar a estupidez do machismo, mesmo em uma época em que qualquer um poderia argumentar que 'na época era assim mesmo'.

Já estamos no terceiro parágrafo e não falei do enredo. Temos uma Máquina do Tempo, que pode transportar uma pessoa para qualquer tempo. Em um universo onde os sonhos transportam a mente do oneironauta para as mentes de outras "encarnações" em outros tempos, uma Maquina do Tempo não é tão fantástica assim, mas ainda assim é fonte de problemas e ela está em disputa entre as duas facções. Contudo, quem leu A Máquina do Tempo de H. G. Weels sabe que os vilões não são do tipo que dividem poder. Então, January e Maria vão ter de se aliar para salvar a humanidade, mas não necessariamente confiar uma na outra. Tudo isso numa aventura bem frenética, com aquele clima de espionagem e pequenos toques de mistérios transcendentais que vamos desvelando aos poucos. Felizmente, o Fábio Fernandes vai continuar a série em até cinco livros, e mal posso esperar até o próximo. 

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