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segunda-feira, 6 de janeiro de 2025

Resenha #360 Batalha no Setor Vega, Perry Rhodan 10 (K. H. Sheer)

 


"Batalha no Setor Vega" é o décimo livro da série Perry Rhodan. O livro começa três anos após os acontecimentos do livro anterior. Ironicamente, minha leitura deu-se em um bom espaço de tempo entre o número 9 e o 10, onde fiquei quase dois anos afastado da leitura. Contudo, estou de volta para deixar meus dois centavos sobre esta aventura.

A Terceira Potência é teve tempo para se desenvolver e se consolidar. Ainda que já tenha impactado o mundo, não foi o suficiente para unificar o planeta. Apesar disso, tempos uma sequencia considerável no início para mostrar o General Pounder (que treinou Perry Rhodan) impressionado com seus progressos. Maravilhamento interrompido apenas por um alarme no relativamente próximo Sistema Solar de Vega. Rhodan decide investigar, pois acredita que a presença detectada, pode ser uma ameaça a Terra. Assim, inicia a primeira a jornada de Rhodan fora do Sistema Solar.

Esta viagem trouxe, de fato, aquilo que sempre queremos ver ao abrir um livro de Perry Rhodan: uma aventura espacial. A nave de Rhodan, sua tripulação, a exploração de novas formas de vida. São elementos que encontraríamos em Star Trek (relembrando PR é de 1961 e Star Trek 1966). A tripulação da nave auxiliar arcônida Good Hope se vê chegando em Vega em meio a uma batalha de naves de guerra entre os Ferrônios (raça humanoide que habita os plantas 7, 8 e 9 do Sistema Vega) e os Tópsidas (seres bípedes mas assemelhados a lagartos). Os Ferrônios estavam em desvantagem até Perry Rhodan tomar partido pelos nativos e refrear a invasão, até que após uma intensa batalha encontram um cruzador arcônida pilotado por Tópsidas, e se vê obrigado a recuar.

A segunda parte é incrivelmente melhor que a segunda. O gancho sobre o cruzador sob controle tópsida, foi excelente. O ponto baixo, se for citar algum, é a forma como Rhodan é descrito de forma messiânica (como se já soubessem que passariam no número 3000, e não sabiam) e da forma desumanizante como os Tópsidas são retratados, para que fiquemos mais tranquilos em ver a Good Hope estraçalhar naves e mais naves de seres vivos.


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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2023

Resenha #274 Socorro para a Terra, Perry Rhodan 9 (W.W. Schols)


[As resenhas do blogue não costumam ter spoilers, mas para esta série não teremos esta preocupação. Pois ela será escrita pensando em trocar ideia com os leitores que já leram as obras ou que não se importam com spoilers. Além disso contar o enredo das primeiras histórias não constitui grande prejuízo para quem deseja começar a série, mas de qualquer forma fica o aviso]

"Socorro para a Terra" é o nono livro da série Perry Rhodan. Após as a exploração planetária e as descobertas em Vênus, retornam para o derradeiro confronto contra os DIs (Deformadores Individuais). Temos várias sequências interessantes. A primeira mostra os pilotos americanos servindo como pilotos de uma flotilha de caças que consegue abater uma nave dos DIs mas os problemas que enfrentam na Terra. Pausa para uma curiosidade sobre como funciona a produção de alimentos na Terceira Potência, usando as áreas circundantes e agricultores mongóis arando terras revitalizadas com a tecnologia arcônida.

Voltando aos DIs, temos uma sequencia que temos Marshall, o telepata, infiltrando-se na fortaleza superprotegida do gangster Clive Cannon, sobre o qual cai a acusação de ser um DI. No entanto, Rhodan não tem ainda a tecnologia para detectar com segurança dos invasores e precisa capturar Cannon vivo. Seguiu-se assim um plano de fato perigoso e teve de enfrentar os interesses das potências terrenas e necessitou de muita astúcia para dar certo. O plano termina com uma tensa negociação entre Rhodan e a mente coletiva dos invasores. Contudo ainda restava a invasão de fato, concentrada na cidade de Nova Iorque. Lá a ausência de um método de identificar os DIs causou pânico na população e quase destruiu a cidade até que se encontrassem os meios de separar os tomados pelos DIs das pessoas normais. Foi muito interessante ver os duelos mentais entre os membros da Terceira Potência. Marshall sobrevivendo a uma assimilação de um DI e Rhodan quando consegue caputrar e negociar diretamente com um DI.

O episódio termina com, obviamente, uma vitória da Terceira Potência. A invasão em maior escala dos DIs foi a última tentativa desta raça, mas a incerteza da segurança da Terra ainda mais ameaças de invasão podem acontecer. Também, o sucesso na invasão não acabou com as desconfianças entre as potências terrenas. Essa nova história de invasão, deu a complexidade que falou para situação anterior. Isso é algo que é muito bacana na série.
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segunda-feira, 23 de janeiro de 2023

Resenha #269 Base em Vênus, Perry Rhodan 8 (Kurt Mahr)


[As resenhas do blogue não costumam ter spoilers, mas para esta série não teremos esta preocupação. Pois ela será escrita pensando em trocar ideia com os leitores que já leram as obras. Além disso contar o enredo das primeiras histórias não constitui grande prejuízo para quem deseja começar a série, mas de qualquer forma fica o aviso]

"Base em Vênus" é o oitavo livro da série Perry Rhodan. Onde finalmente entramos na exploração planetária. Uma das marcas da série. Após a invasão pelos DIs no volume anterior, Perry Rhodan decide que é a hora de buscar tecnologia para estabelecer a sua Terceira Potência, não apenas entre as outras potências, mas para melhor cumprir sua missão de defender a Terra de novas ameaças externas. Para isso, Rhodan convoca uma missão exploratória a Vênus pois já havia indícios de que poderia encontrar algo valioso lá. Mas antes disso, a Good Hope, nave auxiliar do cruzador arcônidas, e principal nave que Rhodan tem ao seu dispor, no momento, faz uma parada na Lua para investigar novamente os destroços do cruzador arcônidas destruído em busca de material que pudesse ser aproveitado para a construção de uma nova frota estelar. Chegando lá, Rhodan encontra a Greyhound. Uma nave estadunidense idêntica a Stardust, que havia chegado antes com o mesmo objetivo que Rhodan: obter tecnologia arcônida.

Após um leve embate, tudo é decidido muito rapidamente, com Rhodan convocando os americanos para a Terceira Potência. Achei estranho uma traição deste nível ser perdoada tão facilmente, ainda mais após uma provocação feroz do Comandante da missão, Michael Freyt. De qualquer forma, Rhodan acompanhado de alguns mutantes, os arcônidas Crest e Thora; e os astronautas estadunidenses, partem para Vênus. Lá encontram uma fortaleza escondida na floresta e são recebidos por um raio de sucção (equivalente ao raio trator de Star Trek) e uma mensagem em uma língua desconhecida e após uma fuga, decidem pousar longe da origem do raio, para que possam investir contra a fortaleza a pé mesmo.

Começa uma das primeiras aventuras de exploração planetária da série. Algo que se repetirá em vários episódios e influenciaria Star Trek, por exemplo. O cenário que a expedição encontra em Vênus é basicamente uma grande selva amazônica com dinossauros e animais enormes e grotescos. Cabe lembrar que este era o imaginário dominante sobre o planeta até dia 12 de dezembro de 1962, quando a sonda estadunidense Mariner 2 acabou com as probabilidades de haver vida no planeta. “Base em Vênus” foi escrito entre 1960-62 e foi um dos últimos exemplares dessa “velha Vênus”, essa visão romântica do planeta.

Como era de se esperar, o passeio em Vênus não foi agradável. Até gostei de parte da exploração com a tentativa de contato com uma raça de focas com algum intelecto, mas o tratamento da personagem Anne Sloane, a mutante com poder de telecinese, foi muito mal escrito. Mesmo com seus poderes, ela foi basicamente à donzela a ser salva por Rhodan e quando não estava desacordada, estava cansada ou chorando ou gritando por ajuda. De fato, um tratamento tão ultrapassado quanto à visão antiquada do planeta. O livro perdeu muito com isso.

Porém a revelação no final deu uma levantada na obra. Acompanhamos um certo “comandante” a espreita, dentro da base, sondando as intenções dos exploradores antes de tomar medidas violentas pois eles reconhecem a tecnologia arcônidas que carregam mas hesitam por não ver nenhum arcônidas com eles. Crest e Thora estão na Good Hope dando apoio. Então após capturar o teleportador Tako Takuda e sondar seu cérebro, o Comandante e Rhodan conseguem estabelecer contato amistoso e revelar a história da base. A Base de fato pertenceu a uma colônia arcônida 10 mil anos atrás, que tentou colonizar a Terra, mas foi destruída junto com um continente inteiro. Confirmando que o continente de Atlântida existiu. Além disso, o comandante revelou ser um cérebro positrônico de grande capacidade e se colocou a disposição de Rhodan, pois reconheceu sua liderança.

Não há como negar a conveniência deste achado em Vênus, mas não foi algo tirado da cartola pelos roteiristas da série. Crest já havia mencionado algumas vezes que já havia indícios de que os arcônidas haviam passado pelo sistema solar, mas os registros oficiais haviam se perdido. Logo, o achado da Base em Vênus, é um achado arqueológico até para Crest e Thora, mas além disso uma fonte de recursos que vão acelerar os planos de Rhodan para unificar a humanidade de forma inestimável. E Rhodan vai precisar.
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segunda-feira, 2 de janeiro de 2023

Resenha #265 Invasão Espacial, Perry Rhodan 7 (Clark Darlton)


[As resenhas do blogue não costumam ter spoilers, mas para esta série não teremos esta preocupação. Pois ela será escrita pensando em trocar ideia com os leitores que já leram as obras. Além disso contar o enredo das primeiras histórias não constitui grande prejuízo para quem deseja começar a série, mas de qualquer forma fica o aviso]

"Invasão Espacial" é o sétimo volume da série Perry Rhodan, que nos traz uma aventura bastante ágil onde nosso herói e seu Exército de Mutantes enfrentam a ameaça de uma invasão pelos DIs, Deformadores Individuais, uma raça insetoide que tem a habilidade de trocar de espírito com humanos. Habilidade essa que usam para tentar extinguir a humanidade. Esse mote de invasão nos remete ao clássico Invasores de Corpos de Jack Finney, mas os invasores aqui agem em escala global, procurando posições chave entre governantes e cientistas.

Esse episódio explorou muito bem as habilidades dos mutantes, que apesar de poderosos, não são uma solução instantânea para a ameaça dos DIs. Perry Rhodan precisou coordenar esforços e agir com cautela para finalmente conseguir eliminar os invasores que quase detonaram uma quantidade colossal de combustível radioativo. O destaque vai para Ernst Ellert que se sacrifica para a equipe mas não morre devido aos seus poderes de transportar seu espírito/consciência, seja lá o que for pelo tempo. Porém, como desta vez o fez de forma reativa, seu espírito foi arremessado pelo espaço-tempo e ele tornou-se um vagante perdido no tempo em um diálogo, no mínimo intrigante, com uma inteligência chamada Gorx.

O destaque negativo vai para o discurso de Rhodan para a necessidade cega para a construção de armas como único caminho possível para a Terceira Potência. Até entendo que a situação da 3ª Potência exija um mínimo armamento, mas achei mais do mesmo da Guerra Fria que pretendiam superar, com a filosofia de unir a humanidade. Unir para que? Entrar em guerra com outras espécies? Nem todas as outras raças serão hostis e alheias a diplomacia neste universo, então o Império Galático de Rhodan será apenas uma megalomania expansionista? Ficam estas dúvidas.   

Destaco também, o final do livro com uma revelação de que Alan D. Mercant, chefe da espionagem do Ocidente e aliado de Rhodan fora enganado pelas autoridades do próprio país que quebrou o acordo com a Terceira Potência. Foi um livro curto e ágil, que poderia ter explorado melhor as variáveis de uma invasão pela raça DI mas entregou bem o que se propôs. 
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segunda-feira, 30 de maio de 2022

Resenha #237 - O Exército de Mutantes, Perry Rhodan 6 (W. W. Shols)


[As resenhas do blogue não costumam ter spoilers, mas para esta série não teremos esta preocupação. Pois ela será escrita pensando em trocar ideia com os leitores que já leram as obras. Além disso contar o enredo das primeiras histórias não constitui grande prejuízo para quem deseja começar a série, mas de qualquer forma fica o aviso]

"O Exército de Mutantes" é o sexto volume da série Perry Rhodan, que diferente do que o título aponta não explora muito os mutantes, porém joga na trama algo que já se esperava após o encontro com inteligências amigáveis (arcônidas), que seria uma invasão de inteligências hostis (cena retratada na capa). Contudo, antes dessa revelação, acompanhamos o recrutamento de Homer Adams, um especulador financeiro que vai ajudar a Terceira Potência a integrar-se usando de táticas que poderiam ser consideradas criminosas ou desonestas. Somando-se isso ao caráter aparentemente segregado do Exército de Mutantes, a Terceira Potência, como Estado independente em meio as grandes potências funciona, ao menos até o momento, como uma Força-tarefa independente para proteção da humanidade. 

Rhodan não precisa superar as potências imediatamente, pois acredita que elas vão perder a razão de existir pela força de seu exemplo, ainda que nesse episódio, quando Homer entra a Terceira Potência, vemos que esta pode andar por uma área cinzenta de moralidade e nem sempre pelo caminho da virtude. Acredito que esta seja a maior contribuição deste episódio para a série, mais que a formalização do Exército de Mutantes.
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segunda-feira, 9 de maio de 2022

Resenha #234 - Alarma Galatico, Perry Rhodan 5 (Kurt Mahr)


[As resenhas do blogue não costumam ter spoilers, mas para esta série não teremos esta preocupação. Pois ela será escrita pensando em trocar ideia com os leitores que já leram as obras. Além disso contar o enredo das primeiras histórias não constitui grande prejuízo para quem deseja começar a série, mas de qualquer forma fica o aviso]

O impossível acontece! Num ataque de surpresa, as superpotências terrenas destruíram, na superfície lunar, a nave dos arcônidas, uma raça semelhante aos homens, que domina um grande império galático. Apenas dois arcônidas sobreviveram ao ataque e encontram-se em segurança junto a Perry Rhodan, o homem que descobriu a nave dos arcônidas e, com o auxílio dos recursos tecnológicos infinitamente superiores dos mesmos, formou a Terceira Potência. Perry Rhodan impediu a guerra mundial que há tanto tempo ameaçava a humanidade. E agora, quando um novo perigo, vindo do espaço cósmico, desencadeia o Alarma Galático, mais uma vez a Terceira Potência realiza uma intervenção decisiva.

"Alarma Galático" é o quinto volume da série Perry Rhodan. Neste volume um grande percalço acaba se tornando uma oportunidade de solidificar a Terceira Potência, frente aos outros governos da Terra. O episódio se divide em três momentos. No primeiro acompanhamos o teleportador Tako Takuda disfarçado para adquirir materiais para que a Terceira Potência possa construir uma nave capaz de fazer cumprir o trato que Perry Rhodan fez em nome da humanidade. É uma parte com espionagem que termina de forma inusitada, com Tako fazendo um acordo com um sindicato de metalúrgicos.

No segundo momento, Perry Rhodan ativa um Alarme Galático, um dispositivo das naves arcônidas quando são destruídas que envia um esquadrão automatizado para dizimar em retaliação ao Império Arcônida. Perry faz uma invasão, retornando o ritmo de espionagem deste volume, para encontrar Alan Merchant e pedir apoio por uma causa maior. O que acaba tornando todo o esforço de Tako inútil, mas providencial visto que as naves automatizadas chegariam muito antes das peças por via ilegal.

Na terceira e derradeira parte, descobrimos que a base automatizada que enviaria as naves robôs, enviaram uma nave do povo Fantan. Rebeldes do Império Arcônida. Rhodan manobra a nave para interceptá-los da única maneira que consegue: dizimando os inimigos em combate. Interessante como a descrição dos Fantan procura enfatizar suas características não humanas, como se eles não fossem sencientes. Para que sua forma repulsiva torne Perry Rhodan menos assassino, uma vez que nenhum fantan sobreviveu a incursão. Apesar de tudo, Rhodan tem motivos concretos para usar o medo de um ataque externo para colocar as potências terrenas ao seu lado e validar cada vez mais a Terceira Potência. Plano que vai ganhar corpo com "O Exército de Mutantes".
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segunda-feira, 31 de janeiro de 2022

Resenha #220 - O Crepúsculo dos Deuses, Perry Rhodan 4 (Clark Daltron)


[As resenhas do blogue não costumam ter spoilers, mas para esta série não teremos esta preocupação. Pois ela será escrita pensando em trocar ideia com os leitores que já leram as obras. Além disso contar o enredo das primeiras histórias não constitui grande prejuízo para quem deseja começar a série, mas de qualquer forma fica o aviso]

Perry Rhodan, comandante da Stardust, descobriu, na Lua, a nave gigantesca dos arcônidas que realizou um pouso forçado. Foi um acontecimento feliz para a humanidade.
Rhodan prestou auxílio aos arcônidas, uma raça em decadência que dominava um império galático que entrara em declínio. Na verdade, prestou um auxílio aos homens, ao empregar o enorme poderio de Árcon para impedir a eclosão da terceira guerra mundial. Já existem muitos homens que compreendem os esforços de Rhodan em prol da união do mundo. Mas falta percorrer um caminho longo até o Crepúsculo dos Deuses, representado pelo abandono do pensamento mesquinho que até então prevalecia...

"O Crepúsculo dos Deuses" é o quarto volume da série Perry Rhodan. Neste volume voltamos ao ritmo de prólogo, pois somos apresentados a muitos personagens e pouco evoluímos na história principal. Perry Rhodan e seu fiel escudeiro, Reginald Bell, são treinados em um aparelho arcônida que aumenta as habilidades cognitivas dos dois, equiparando-os aos arcônidas, ao custo de apenas um dia inconsciente. É nesta janela narrativa que somos apresentados aos mutantes. Seres humanos que receberam habilidades especiais, em decorrência da radiação. Não há muita questão em esconder que eles se unirão a Perry Rhodan. Não há como negar que a ideia dos mutantes desta série, publicado em 1961, é parecida com a dos X-men pela Marvel em 1963, porém os personagens são extremamente diferentes.

John Marshall, é um australiano com poder de ler pensamentos, que é descoberto por alguns policiais após impedir um assalto a banco. Ana Sloane, é uma americana que foi recrutada por Alan D. Merchant por usa habilidade com telecinésia. Rais Tchubai é um químico do Sudão, perdido em uma expedição, quando descobre sua capacidade de teletransporte. Ernest Ellert, um intelectual pobretão da Alemanha tenta convencer seus amigos em uma conversa regada a vinho, que é capaz de viajar no tempo, de forma imaterial, habilidade chamada de teletemporação. Por fim, Tako Takuda, um técnico japonês que trabalha na escavação que planeja colocar uma bomba de hidrogênio abaixo da abóbada energética que proteger Rhodan e a Terceira Potência. Tako acaba sendo vital para evitar o plano iniciado por Merchant e acaba sendo recrutado por Rhodan, junto com Marshall que momentos antes ajuda nosso herói quando este tenta levantar recursos para ajudar os arcônidas.

Então é isso, o episódio quatro soa como um novo prólogo, mas que mostra uma agilidade na trama que abre um novo arco sem ter resolvido de fato a Terceira Potência. Nos vemos no próximo episódio, "Alarma Galático"!


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segunda-feira, 10 de janeiro de 2022

Resenha #217 - A Abóbada Energética, Perry Rhodan 3 (K.H.Sheer)


[As resenhas do blogue não costumam ter spoilers, mas para esta série não teremos esta preocupação. Pois ela será escrita pensando em trocar ideia com os leitores que já leram as obras. Além disso contar o enredo das primeiras histórias não constitui grande prejuízo para quem deseja começar a série, mas de qualquer forma fica o aviso]

Perry Rhodan, comandante da primeira nave terrena tripulada a pousar na Lua, retornou a nosso planeta. Pousou no Deserto de Gobi onde, valendo-se da super-técnica da nave exploradora dos arcônidas, uma raça vinda da região central da Via Láctea, instalou uma base que vem desafiando os ataques das grandes potências da Terra.
Perry Rhodan conseguiu impedir a terceira guerra mundial, mas ainda não está satisfeito. Quer promover a união da humanidade.
Mas a humanidade ainda não está madura para os planos de Perry Rhodan, Por isso a luta prossegue em torno da Abóbada Energética.

"A Abóbada Energética" é o terceiro volume da série Perry Rhodan, aquela mesma que começamos e não temos nenhuma perspectiva para terminar. Nesta volume voltamos a ter um clima de ameaça mais sério, uma vez que as potências começaram a aprender como lidar com a tecnologia dos arcônidas. Não superá-la mas conseguiram se recobrar das humilhações e do despreparo. Agora estão em condições de alvejar a cúpula de energia com uma barragem de mísseis terra-terra enquanto as potências começam a ensaiar uma união, conforme planejava nosso protagonista. Agora voltamos a ter uma ameaça real contra o protagonista, diferente do episódio anterior, a energia da cúpula além de não ser infinita, não impede o som do impacto das barragem de artilharia atormente os ocupantes da stardust, como era comum nas trincheiras da Primeira Guerra Mundial.

Por outro lado, Rhodan tem de lidar com sua aliança com os arcônidas que depende da sobrevivência de Crest, que no fim do volume, acorda e dá as orientações necessárias para Thora, ainda aguardando o cumprimento do trato de curar Crest, na nave principal. Thora, é orgulhosa e impulsiva, muito diferente da maioria dos arcônidas, imersa na apatia quase total. Os arcônidas são retratados como um império decadente pela falta de vontade de manter seu império, tendo em algumas das mulheres de sua raça, um resto desta vontade, porém insuficiente para manter o império. Thora é o retrato no mínimo antiquado de uma mulher no comando, principalmente pelo orgulho e impulsividade, enquanto Crest é o velho sábio ancestral, ponderado. Há muito da aristocracia inglesa nos arcônidas, neste primeiro momento.

A impulsividade de Thora não permite ver que as potências terrenas, se juntaram para uma missão espacial de bombardeio a nave dos arcônidas, com uma arma nuclear de fusão a frio, para o qual eles não estavam preparados para se defender. A humanidade ainda não estava classificada baseada nesta descoberta recente, logo as defesas não estavam esperando uma bomba deste tipo. A nave é destruída, enquanto Thora havia chegado na Terra para levar Crest e a tripulação da Stardust. Um final que me surpreendeu na época e me surpreendeu agora, relendo. Foi um bom fim para a parte terrestre da jornada de Rhodan que agora promete iniciar sua jornada aos confins do universo. Que é o mote principal da série.
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segunda-feira, 27 de dezembro de 2021

Resenha #215 - A Terceira Potência, Perry Rhodan 2 (Clark Darlton)


[As resenhas do blogue não costumam ter spoilers, mas para esta série não teremos esta preocupação. Pois ela será escrita pensando em trocar ideia com os leitores que já leram as obras. Além disso contar o enredo das primeiras histórias não constitui grande prejuízo para quem deseja começar a série, mas de qualquer forma fica o aviso]

Perry Rhodan e mais três oficiais da Força Espacial dos EUA haviam pousado na Lua a bordo da nave Stardust.
Lá encontraram a gigantesca nave espacial dos arcônicas, que tinha realizado um pouso de emergência. Era tripulada pelos representantes de uma grande potência galáctica que, apesar de sua superioridade técnica e científica, estavam em decadência. O cientista-chefe da expedição, um dos poucos que não fora atingido pela total apatia que dominava os tripulantes, padecia de uma enfermidade do sangue que só a medicina terrena podia curar.
Perry Rhodan decide ajudar os arcônidas: retorna à Terra em companhia de Crest, o cientista-chefe e, ao invés de aterrissar em território dos EUA, prefere a solidão do deserto de Gobi a fim de evitar que os avançados conhecimentos arcônidas caiam nas mãos de qualquer potência terrena.
Rhodan tem motivos de sobra para proceder dessa forma. Seus superiores hierárquicos, contudo, veem nele um traidor…

"A Terceira Potência " é o segundo volume dessa série gigantesca que sabemos que começamos e não temos nenhuma perspectiva para terminar. Neste segundo volume Perry Rhodan, começa a colocar em prática seu plano de unificar a terra, objetivando a construção de um grande império galáctico. Notemos a mudança no tom, pois no primeiro volume, Rhodan falava apenas em preparar a humanidade para um universo cheio de raças alienígenas e tecnologia evoluída, através de uma aliança humanidade-arcônidas, e não em um império galáctico.

Apesar de sabermos das intenções do Perry Rhodan e das linhas gerais do plano, não sabemos como ele vai concretizar seus planos. Não acompanhamos os pensamentos de Rhodan, ao contrário do primeiro episódio, o que temos é um foco na humanidade reagindo a sua chegada inesperada. Acompanhamos suas decisões por fora. Entendemos que Rhodan quer consolidar a aliança arcônida-humanidade, para isso precisa evitar a terceira guerra mundial e trazer uma cura para leucemia. A doença que acometeu Crest, como já sabemos desde o episódio anterior.

A ideia de humanidade unida é muito bonita, mas não faz isso sem tomar partido nas rivalidades da Guerra Fria que tanto tenta superar e acaba agarrando-se em alguns vícios anticomunistas. Quando Rhodan é abordado por um general e alguns soldados, da “Federação Asiática”, são feito de palhaços com uma arma antigravitacional, enquanto o general americano é tratado com respeito, mesmo que ambos representem dois lados do mesmo status quo a ser superado.

De uma forma geral, temos um episódio em que os acontecimentos são muito mais acelerados que no episódio anterior. Não há suspense a ser feito em relação aos arcônidas, apenas em relação a uma possível guerra nuclear, mas mesmo esse suspense não tem muito efeito, pois já sabemos que a tecnologia arcônida tem soluções fáceis para evitar o temido holocausto nuclear. Sendo assim, além de acelerado, o episódio tem um tom mais leve, com cenas até engraçadas. O episódio termina com Rhodan conseguindo manter seu acordo com o Arcônida Crest, mas sem conseguir unir a humanidade, mesmo que seja para matar ele mesmo.
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segunda-feira, 29 de novembro de 2021

Resenha #211 - Missão Stardust, Perry Rohdan 1 (K. H. Scheer)


[As resenhas do blogue não costumam ter spoilers, mas para esta série não teremos esta preocupação. Pois ela será escrita pensando em trocar ideia com os leitores que já leram as obras. Além disso contar o enredo das primeiras histórias não constitui grande prejuízo para quem deseja começar a série, mas de qualquer forma fica o aviso]

"Missão Stardust" é o primeiro volume do que viria a ser a maior saga da ficção científica, com mais de 3000 volumes já lançados no original, em alemão, e quase 1500 no Brasil. 536 deles, em papel entre os anos 70 e 1991. A série foi continuada pela SSPG editora até meados de 2010 em papel e digital até hoje. Contudo, por maior que a saga seja, o início é sempre o numero um e vamos começar por ele, e quem sabe um dia parear com os lançamentos recentes mas, de qualquer forma, o que vale é o caminho.

O primeiro episódio é Missão Stardust, que podemos dividir em três partes. Na primeira acompanhamos até a página 57 uma viagem até a lua repleta de detalhes. É importante lembrar que o livro foi escrito e lançado na Alemanha, alguns anos antes do voo real da Apolo, e portanto, trata-se de uma especulação com bastante detalhes, relevando as diferenças. Tanto que quando o volume chegou ao Brasil, foi colocado um aviso ao leitor, recomendando que inicia-se a leitura após o relato dessa viagem que terminava na página 57. Contudo, a viagem da Stardust e a da Apolo já são antigas e não vi motivo para não ler e quem gosta de detalhes técnicos vai gostar desta parte.

Na segunda parte temos o contato travado, o primeiro oficial entre a humanidade e os arcônidas. Os arcônidas são retratados como uma raça inteligente, com uma tecnologia muito superior porém que está definhando por falta de "força de vontade". Com a exceção de Crest e Thora, que os recebem, os demais arcônidas são letárgicos, satisfeitos apenas em assistirem "vídeos" em uma tela esférica. A letargia chega a um ponto em que reagem a problemas que colocariam suas vidas em risco. Crest e Thora ainda mantem viva essa chama, se importam com o futuro de seus iguais, contudo são bem diferentes. Crest é um cavalheiro com ares aristocratas e simpatiza com a humanidade, enquanto Thora é impulsiva e repudia os humanos. Rhodan representa nossa humanidade, uma visão de que a humanidade é cheia de vontade de realizar grandes feitos e conquistar o espaço.

É aqui que Perry Rhodan é definido ideologicamente, com uma visão de mundo humanista liberal, sem perder o capitalismo de vista. O humano é o centro de tudo e os arcônidas são um alerta trágico caso os humanos se rendam ao assistencialismo, a dar tudo de mão beijada, sob o custo de estagnação. O medo da estagnação pelo bem estar pleno é um medo do capitalismo. Na terceira parte, Perry Rhodan começa a agir para que a humanidade não perca seu rumo, uma vez que a descoberta de um espaço cósmico cheio de raças e tecnologia inexploradas pela humanidade é a descoberta de sua própria fragilidade. Sua missão é salvar a vida de Crest, que padece de uma doença terminal e que em troca de auxílio, ajudaria Perry Rhodan a acabar com a Guerra Fria.

A Guerra Fria Perry Rhodan, nesse novo cenário, é apenas uma perda de tempo, o que pode ser visto enganosamente como uma visão pacifista pedindo a união da humanidade, é apenas um clamor pela reorganização da Terra para adequar-se a novas ameaças. Por esse motivo, Perry Rhodan, na última frase do livro, remove os emblemas dos Estados Unidos de seu uniforme.

Tem resenha em vídeo desta série que rola no YouTube também. Lá no canal Diário de Anarres:





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