segunda-feira, 19 de setembro de 2022

Resenha #253 Ubuntu 2048 (Raphael Silva)



"Ubuntu 2048" (2020) é um thriller cyberpunk afrofuturista lançada pela Kitembo, editora voltada a publicar autores negros no Brasil. A obra é voltada ao publico adolescente e é eficiente em divertir e deslumbrar o leitor, com o carisma dos nossos heróis. A filosofia Ubuntu permeia o conto todo sem parecer didática demais e acrescenta a relação de solidariedade e amizade entre os protagonistas, Tsehai e Kinaya.

A história se passa num futuro caótico, repleto de desastres naturais e provocados pelo homem. Apesar da tecnologia ainda ser uma última barreira contra a extinção da humanidade, o seu fim parece inevitável. Os habitantes da cidade de Salvadora não tem permissão para sair da cidade mesmo que seus habitantes sejam obrigados a coletar Méritos para não serem aposentados (como em Blade Runner, um nome suave para assassinato). É aqui que Teshai (ou Tsehai) se vê obrigado a pegar um serviço perigoso para coletar Méritos, para tirar sua cabeça da lista de pessoas a serem aposentados. Sabemos que esse serviço vai colocar Tsehai em mais confusão e no caminho da androide procurada Kinaya. O livro acompanha a jornada de dois marcados para a morte, cheio de ação e carisma dos personagens. Inicialmente temos sequencias de perseguição mas logo o tema das inteligências artificiais toma conta do livro e conhecemos mais da dinâmica deste mundo onde estabelece o objetivo final do protagonista.

É preciso advertir o leitor que é um livro YA (Young Adult) e os personagens adolescentes podem não ser tão interessantes para velhos rabugentos como eu, que ainda assim gostei da construção leve dos protagonistas e da inserção da linda filosofia Ubuntu na história. Infelizmente a parte física da edição tem alguns erros muito difíceis de ignorar. O nome Tsehai estar grafado Teshai na contra capa e a inserção de separação entre os parágrafos e por fim a repetição de um capítulo inteiro, causam um desconforto ao ler a obra. Felizmente a leitura é muito fluída e tudo é muito ágil, o que ameniza os defeitos da edição. Como o mais importante é a história e a experiência da leitura, recomendo Ubuntu 2048!
 
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segunda-feira, 12 de setembro de 2022

Resenha #252 Solarpunk (Gerson Lodi-Ribeiro)



"Solarpunk" (2013) organizado por Gerson Lodi-Ribeiro e o terceiro volume da coleção Mundo Punk da editora Draco, que inicialmente fecharia uma trilogia, iniciada com Vaporpunk e Dieselpunk. O Solarpunk diferente do Steampunk e do Dieselpunk, não se volta necessariamente ao passado, com histórias retrofuturistas, ainda que alguns contos tenham feito esse caminho. Trata-se de um gênero muito recente e esta edição foi pioneira, não apenas no Brasil mas no mundo. Sendo assim, é normal que a leitura de alguns contos não pareça ornar bem com o termo Solarpunk. A antologia Cyberpunk por excelência Mirrorshades tem mais contos que não se parecem cyberpunks que aqui. Vamos aos contos em separado.

Soylent Green is People! (Carlos Orsi) Acompanhamos um investigador particular, no melhor clima noir onde uma femme fatale pede um serviço de investigação mas parece ter culpa no cartório. O caso envolve o suicídio do namorado da moça e o desaparecimento de sua mãe. Um sacerdote de uma igreja também parece interessado numa herança polpuda, acumulada pelo trabalho científico do namorado. O contraste de um mundo de energia limpa e um clima pesado que o noir sugere, ficou bem atrativo (fiquei imaginando que todas as cenas eram de dia, talvez seja a capa.) e ajudou a criar uma solução pouco óbvia para o mistério.

O Confronto dos Reinos (Telmo Gonçalves) Também é uma trama policial. O português lusitano me travou no início mas logo deixa de ser o maior problema do conto. Acompanhamos o protagonsita, um policial enviado para espionar uma colônia de pessoas "clorofilizadas", que não precisam mais de alimento além do sol e logo se mostram ser algo muito mais ameaçador para as pessoas comuns. O protagonista nutre um ódio e preconceito contra os "verdes" antes de eles darem razão para isso. Um ódio de cunho fascista e xenofóbico, bem ao estilo do praticado pelos europeus as minorias estrangeiras que vivem na Europa. Infelizmente não achei nada no conto que desvalide esse pensamento.

E atenção: Notícia urgente! (Romeu Martins) O conto divide-se em duas partes. Na primeira acompanhamos uma transmissão rádio jornalística de um protesto e invasão de uma instalação de pesquisas por camponeses revoltosos. Uma alusão a destruição dos viveiros de eucaliptos da Aracruz em 2006 pela Via Campesina. Na segunda parte acompanhamos alguns empresários contando seu plano, revelando os motivos obscuros para lucrar com experimentos execráveis. No que tange ao movimento dos camponeses e aos empresários, parece tudo muito caricato e de fato é, mas a especulação é bem articulada e no que se trata de empresários de corporações não duvido de nada. 
  
Era uma vez um mundo (Antonio Luiz M. C. Costa) passa-se no mesmo mundo da noveleta “Ao perdedor, as baratas” da antologia Dieselpunk passado décadas de economia socialista e de respeito ao meio ambiente. Figuram personalidades conhecidas do nosso tempo em papéis nem sempre de pessoas famosas. Patrícia Galvão, a Pagu, protagoniza o conto como uma jornalista que estava no lugar certo ou errado, em meio a um atentado terrorista liderado por Fillippo Marinetti (filósofo do futurismo italiano, de caráter fascista), além de outros em uma aventura aventuresca muito divertida e gostosa de se ler.

Fuga (Gabriel Cantareira) conto se passa num futuro pós guerra onde o uso de energia limpa se tornou amplo por falta de alternativas. A cidade de São Paulo foi reconstruída por conglomerados empresariais que impõem sua lei e tem um plano nefasto para expandir seu domínio para o resto do país, porém a protagonista (filha de um dos empresários), sabe destes planos e está em fuga para poder contar a verdade. Achei um conto interessante, por sua proximidade a proposta da antologia mas pouco corajoso para se posicionar e acabou ficando um entretenimento com discurso vazio.   

Gary Johnson (Daniel I. Dutra) traz um vislumbre sombrio de um mundo solarpunk, com uma energia limpa ainda que obtida de forma imoral. O conto é escrito de forma epistolar, por uma fonte de segunda mão, o que é bem utilizado pelo autor para criar o suspense e manter o mistério como nos contos do século XIX. O narrador é bisneto de um empregado do padre gaúcho Landell de Moura, conhecido por suas pesquisas sobre ondas de rádio que revela coisas não contadas sobre tais experiências. Como adoro escrita epistolar o conto fluiu lindamente e o mistério me prendeu até a última página.

Xibalba sonha com o Oeste (André S. Silva) traz uma história alternativa muito ousada, ainda que imprecisa na divergência que fez o mundo ficar daquela forma. A américa como conhecemos desenvolveu-se sob as civilizações incas e tupi, sendo os maias relegados a marginalidade, e tuteladas pelo Império Chinês que fornece a tecnologia limpa que tira eletricidade dos raios das tempestades. Acompanhamos Maiara, uma professora que é confrontada com seu passado, quando descobre a verdade sobre seu pai, um traidor do governo. É um conto que se beneficiou e se prejudicou com a própria ousadia. Por um lado é fruto de uma imaginação fértil, por outro algumas imprecisões podem quebrar a magia. Ainda assim, é um mundo que vale a pena ser refinado com mais pesquisa e lapidado com mais apelo estético, pois é um cenário por demais prolífico a imaginação. 

Sol no Coração (Roberta Spindler) traz um tema bem parecido do conto "O Confronto dos Reinos", onde humanos se adaptam para viver de energia solar e a resistência a mudança. Porém, sai o preconceito vazio e entra a sensibilidade e inteligência na abordagem, onde um pai precisa decidir sobre uma operação delicada em seu filho, para colocar uma tatuagem que possibilita a nutrição pela energia solar. Segue um dilema com a mãe que expõe outro ponto de vista. Conto muito bonito e emocionante.

Azul Cobalto e o Enigma (Gerson Lodi-Ribeiro) é uma noveleta, do organizador da antologia, que se passa no mesmo universo do livro "Um Vampiro em Palmares" e a noveleta "Consciência de Ébano", onde Palmares não apenas sobrevive como transforma-se num Reino rival ao Brasil. Esse Reino dos descendentes de Ganga Zumba, conta com um vampiro ancestral como arma secreta que permitiu o Reino de Palmares ascender como potência mundial. Esta noveleta, acontece mais de um século no futuro, onde o Brasil desenvolve um traje biomecanico, um super-herói, capaz de fazer frente ao Enigma (a essa altura o leitor já supõe que trata-se do vampiro) e apesar de haver pouca coisa referente a energias limpas, eu gosto tanto desta série de histórias do vampiro de Palmares que não me importo nenhum pouco com isso.
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segunda-feira, 5 de setembro de 2022

Resenha #251 Colonialismo Digital (Deivison Faustino, Walter Lippold)


"Colonialismo Digital" é uma obra que me atraiu desde que soube que seria lançada. O livro traça um caminho analítico e conceitual, num processo histórico do colonialismo até as avassaladoras mudanças tecnológicas atuais, para que possamos nos situar de forma crítica. É uma ferramenta para o pensamento muito bem vinda e que vai beneficiar o leitor, principalmente aquele mais atrasado em relação aos recentes processos tecnológicos com uma visão crítica apurada. Este é um blogue de Ficção Científica e, como autor e divulgador de literatura de ficção, acredito que Colonialismo Digital é uma leitura extremamente necessária também para quem quer imaginar mundos futuros, pois nossa imaginação de autor é inquieta, muitas vezes reflexo de nossas preocupações com o presente.

"Assim, o mito prometeico, em sua face estranhada, se converte em seu oposto: o fogo produtivo que permitiu se rebelar contra os deuses agora, fora de controle, ameaça destrutivamente a vida humana e, até sobrevivência do planeta. A vida humana, a mesma que produz a riqueza social do qual advém a máquina, o software e seus algoritmos socialmente determinados; a vida que se desvaloriza na mesma velocidade em que produz valor, submetida a poderes que encarceram, matam, mutilam, fazendo do corpo uma mercadoria quantificável e descartável de um espetáculo de terror necropolítico" (p. 40)

O livro traça um caminho que conecta o Colonialismo, ancorado no Racismo, como processo fundamental para o estabelecimento do Capitalismo. O Racismo condicionando o Colonialismo e este o Capitalismo. A nova era da informação, ao contrário do que muito se apregoa por ai, não é uma quebra de paradigma do capitalismo, nem dos conceitos marxistas que alicerçam sua analise. O capitalismo na era digital, apesar de o tornar mais complexo, não deixou de depender de bases materiais. Não há software sem hardware.

A obra dedica uma boa parte de suas páginas em solidificar suas bases argumentativas. Diferenciando o Virtual do Digital, sendo o digital a forma que as informações trafegam a velocidade espantosa de hoje. Somos orientados teoricamente a evitar o excesso de entusiasmo ou de receio ao analisar a influência da tecnologia no nosso modo de produção. O Dilema das Redes, não é tanto a intensidade da tecnologia mas a manutenção do uso para a exploração do homem pelo homem, inclusive do homem por si mesmo. Os autores também analisam as contribuições de autores como Byung-Chul Han, Mbembe e Zizek entre vários outros, mesmo que estes não entendam que o capitalismo mudou sua forma mas em essência continua o mesmo.

O racismo e o colonialismo são intimamente ligados, assim como o racismo algorítmico e o colonialismo digital são hoje, e o estudo do pensamento de Frantz Fanon continua sendo essencial para os autores estabelecerem o diálogo e manterem a atualidade do colonialismo na era digital. O conceito de Colonialismo Digital é construído durante a obra toda e quando chegamos em sua implicação nas novas tecnologias, em como nossas cidades estão configuradas, adaptadas a um trafego tão intenso de informações que a fábrica se entranha na cidade, precarizando o trabalho e minerando (nossos) dados que são o ativo mais lucrativo do nosso tempo. Conhecemos uma nova exploração que é tão intensa quando difícil de fazer sentir diretamente por alguém leigo. 

"Como se o princípio low life high-tech, desenvolvido nas distopias da literatura cyberpunk, tivesse se concretizado, vemos o antagonismo entre uma guerra de alta tecnologia e precisão e o uso de táticas nômades com raids relâmpagos contra o inimigo, que geralmente se configura em populações não organizadas em milícias, que vivem/morrem nos mundos da morte do século XXI: circuitos de extração de minerais preciosos e essenciais para alimentar a revolução militar e tecnológica." p.93

A obra dedica uma última parte a ideologia californiana do Vale do Silício, onde as perspectivas de uma democratização da informação foram suplantadas pelas necessidades predatórias do capitalismo, mas sob uma ideologia influenciada pelos hippies e yuppies dos anos 70 num pretenso contraponto ao rígido modelo fordista-taylorista e se você já ouviu falar daquelas empresas que deixam você ir de berumda em reuniões, fazem áreas de recreação e aulas de yoga durante o expediente e continuam pagando uma miséria é sobre isso. Concluindo a obra ainda temos alguns horizontes na direção da Descolonização Digital (que mereciam um livro a parte) por parte de ativistas.  

Difícil ler Colonialismo digital e não traçar esse paralelo entre o que podemos ler nas obras Cyberpunks conhecidas nos anos 1980, como Neuromancer, de William Gibson e Piratas de Dados de Bruce Sterling. Em ambas as obras, os autores imaginaram uma quantidade gigantesca de dados são a fonte de poder dos poderosos e nossos heróis são atormentados tanto pelo excesso de consumo quanto pela abstinência da vida digital. O cyberpunk, mesmo que não debatido conceitualmente na obra, a perpassa todo o processo abordado, dos anos 1980 em diante, pintando com tintas sombrias um futuro repleto de tecnologia da informação guiadas por um capitalismo cada vez mais selvagem e pervasivo, resumidas no lema low life, high tech. Deixo o questionamento se estamos vivendo o cyberpunk agora, embora não tenhamos samurais urbanos andando com katanas pela rua e cidades repletas de neon, temos cada vez mais tecnologia e a vida vale cada vez menos.
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segunda-feira, 29 de agosto de 2022

Resenha #250 Afrofuturismo: O Futuro é nosso! Vol 2 (Aisameque Nguenge, Alexandre Diniz, Anderson Lima e Israel Neto)


"Afrofuturismo: O Futuro é nosso. Volume 2" da Kitembo Editorial é a sequência que, tal qual o primeiro livro, reunir contos de autores negros que abordem o afrofuturismo. Ainda que não haja nenhuma obrigação dos contos serem FC, nesta edição todos são deste gênero. Basicamente tudo nesta edição está melhor que na anterior. O visual, de forma geral, está mais bonito. Além da ilustração da capa estar sensacional, também há gravuras que abrem e encerram cada um dos cinco contos. A diagramação com detalhes em tema ciber ficou muito agradável. Quanto ao conteúdo literário, temos uma coleção melhor. A decisão editorial de manter poucos contos, considero acertada. Enfim, agora vamos falar sobre os contos individualmente.

Te encontro no futuro (Kinaya) Aya é uma trabalhadora em uma cidade virtual, com estrutura fechada, onde os jovens são mandados de bem cedo para trabalharem sem contato social além do ambiente de trabalho. Então, em uma noite solitária, numa caminhada noturna Aya encontra um jovem que parece saber mais sobre o lado de fora. O conto abre bem a antologia, com um bom mistério desenvolvendo o mundo e ação para concluir o conto.

Como a gente (Junno Sena) Abidemi e Dandara são duas exploradoras espaciais em uma de muitas  missões exploratórias para encontrar um novo lar para a humanidade. Eles estão acompanhadas de Migu31, um robô androide, que as intriga e assusta devido ao sua curiosidade. Gostei como o autor desenvolveu tanto as astronautas como o robô, criando a tensão necessária para validar o final. Meu conto preferido da antologia. 

O último racista (Mateus Domont Fadigas) O detetive Motumbi está no encalço d'O Ariano, um perigoso terrorista que difunde discurso racista pela internet, até que é convocado para investigar a morte de um homem branco e envolvendo seus amigos de infância, Dandara, perseguida pelo Ariano e Kaio, nas investigações. Mistério bem trabalhado em tão poucas páginas e gostei como a tecnologia influi na trama de forma consistente. Muito bom!

A lua em minha palma (Sarah Aniceto) Ayo é uma demibot que devido a sua personalidade livre e inconstante não consegue encontrar sua função na sociedade e acaba fugindo na sua busca por significado. Conto muito bonito e singelo, principalmente pelo carisma da protagonista.

Aye Kekere: A cidade do futuro (Marcello Souza) A ambientação da cidade de Aye Kekere e a motivação do protagonista lembram bastante o clássico A Cidade e as Estrelas, de Arthur C. Clarke, porém com a pegada afrofuturista e um desfecho singelo e bonito.


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terça-feira, 23 de agosto de 2022

Resenha #249 Olhos de Pixel (Lucas Mota)


"Olhos de Pixel" de Lucas Mota foi lançado pela Plutão Livros, uma editora focada em livros digitais. É uma aventura cyberpunk que se passa nas ruas de uma Curitiba num futuro próximo. É uma abordagem do cyberpunk amplamente diferente do introspectivo e intimista Diário Simulado de Delson Neto (também pela Plutão Livros), partindo para a aventura frenética usando e abusando da estética dos jogos eletrônicos, quase numa paródia ao cyberpunk oitentista. 

Acompanhamos Valentina Santeless, conhecida como Nina. Uma root, uma fora da lei que aceita trabalhos perigosos e duvidosos para descolar uma grana para buscar uma vida nova para ela e seu filho na colônia Chang'e. Junto com a temperamental Iza e o valente Tera, vão travar uma verdadeira guerra pela própria liberdade, após terem sido pegas pela polícia privada e terem que pagar capturando o Kalango, um terrorista que sabe dos segredinhos sujos da Igreja de Salomão. Entidade que controla a cidade com mãos de ferro e impõe um conservadorismo religioso que caça lésbicas como Nina e transexuais como Tera. Em certos momentos acompanhamos Lídia, a policial que tenta usar os roots para prender o Kalango.

O livro tem um ritmo alucinante, recheado de cenas de ação, que só não vai divertir quem não quer. Contudo, temos uma preocupação em colocar ideias tecnológicas interessantes, retiradas de jogos. Um processo coerente com a gamificação do trabalho que vemos hoje. Por exemplo, as smartselfs, que são apetrechos que aparentemente apenas servem para inserir programas utilitários mas que na mão dos hackers são modificados com modpacks que implementam melhorias nos sentidos e na força física dos usuários com o risco de superaquecimento e reboot - que deixa o usuário desacordado por algumas horas. Podemos imaginar que sofrer um reboot, em meio aos intensos combates que nossos roots se submetem enquanto estão arriscando-se para fechar seus trabalhos, é uma morte quase certa. Quando lemos esses sistema em ação durante o livro, temos algo fácil de visualizar, acompanhar e torcer pelos protagonistas.

Isso acontece porque também houve uma preocupação em dar mais camadas a Nina, pois ela teve atitudes condenáveis em relação ao seu filho e precisa arcar com as consequências, como podemos ver nesta história. Lidia Gaber, também foi bem trabalhada no seu dilema, uma vez que a narrativa em terceira pessoa a acompanha em suas reviravoltas. O resultado de tudo isso junto é um livro que não tem medo de dizer a que veio. Duro e sem meias palavras, Olhos de Pixel mete o pé na porta assim como nas suas cenas de ação! Recomendado!   




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segunda-feira, 15 de agosto de 2022

Resenha #248 Contos de Outrora, d'As Crônicas de Kérdar (Eduardo Alós)


"Contos de Outrora" de Eduardo Alós é uma pequena coleção de contos de Fantasia ambientados no mundo de Kérdar, o mesmo o romance "As Crônicas de Kérdar: A espada do dragão e os dragões vermelhos". Os contos exploram momentos antes do início do livro, revelando algumas origens e dando protagonismo a personagens secundários. É interessante como este conjunto de histórias funciona tanto quando lidos antes do romance (uma prévia do que esperar deste mundo, sem comprometer o romance) quanto depois (pois aprofunda alguns personagens secundários).

Nordhal e o tesouro de Hedlund acompanha um grupo de pescadores que, influenciados por um velho persuasivo, partem em busca de um tesouro numa ilha que ninguém parece saber a localização. Conhecemos Rekdal e a entidade que sabe o futuro, além dos que viriam a ser os donos do mercado de Udveske, que entrarão na trama do primeiro livro das Cronicas de Kerdar. É basicamente uma historia de piratas com tudo que queremos ver neste tipo de história, principalmente ação e maldições!

Em Thern e o Torneio de Verão conhecemos como o chefe da guarda de Sydlige chega ao seu posto e como a linha entre o sucesso e o fracasso é tênue. Além desta reflexão, podemos vislumbrar o reino dos humanos em uma época de paz, com suas estruturas sociais que são uma boa introdução ao primeiro romance. O torneio é bastante divertido de acompanhar e as cenas de ação bem conduzidas.

A Perdição de Álfheim nos leva até o Reino dos Elfos onde vemos que uma pequena fagulha de tragédia pode desencadear outras tragédias ainda piores. Além de conhecermos as origens de alguns personagens e as motivações de outros, temos o lado melancólico de um reino que aparenta ter sempre a sabedoria necessária para ser eternamente feliz mas nada é sempre tão feliz assim. 

A Senhora da Floresta acompanha uma menina que ao descobrir a verdade sobre sua mãe biológica tenta quebrar a maldição que persegue sua linhagem e ao mesmo tempo tenta viver ao lado de seu amado mesmo contra a vontade de todos. Novamente temos uma tragédia no sentido clássico do termo. Vale acompanhar este drama até o fim.






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segunda-feira, 8 de agosto de 2022

Resenha #247 O bebê em Netuno (Clare Winger Harris)


"O bebê em Netuno" de Clare Winger Harris é uma das histórias da autora que surgiu nas antigas revistas pulp dos anos 1920 nos Estados Unidos e que está sendo celebrada pela editora Cyberus com vários lançamentos de contos na Amazon. Este é um dos contos que foram lançados e o segundo da autora resenhado aqui.

Em O bebê em Netuno acompanhamos dois pesquisadores que conseguem estabelecer comunicações com vida em Netuno porém o tempo corre de maneira extremamente lenta para os netunianos o que faz com que as comunicações demorem bastante. Então uma expedição é formada para ir até o planeta para travar contato pessoalmente. Os protagonistas descobrem que além de seu tempo passar de forma muito rápida, não são vistos a olho nu. Quando os cientistas conseguem travar contato visual descobrem que os conterrâneos de Elzar, um cientista netuniano, estão em perigo e cabe apenas aos terráqueos ajudarem. Como muitos contos da era pulp, hoje soam absurdos mas trabalham muito bem com a ciência que tinham na época e, levando isso em consideração é uma história que faz especulações interessantes sobre outras formas de vida senciente tão diversa da humana e a autora conduz muito bem o mistério, com um final bonito e de encher os olhos.
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segunda-feira, 1 de agosto de 2022

Resenha #246 Afrofuturismo: O futuro é nosso. Vol 1 (Aisameque Nguengue, Alexandre Diniz, Anderson Lima e Israel Neto)


"Afrofuturismo. O futuro é nosso. Volume 1" é uma antologia da Kitembo Editorial. Uma editora dedicada publicar autores negros com histórias afrofuturistas, em formato impresso. Este primeiro volume foi organizado por Aisameque Nguengue, Alexandre Diniz, Anderson Lima e Israel Neto, reunindo cinco contos em um formato pequeno, curto porém muito bonito, caprichando nas ilustrações, na qualidade da diagramação e, no principal, os contos. Achei sempre interessante a opção de publicar menos contos ao invés de colocar o máximo possível apenas para fazer volume. O resultado é uma antologia curta mas muito gostosa de ler.

O livro abre com um texto de apresentação escrito por Eugênio Lima e trás uma reflexão bem embasada e apaixonada sobre o afrofuturismo, fazendo a expectativa sobre o livro aumentar bastante. Temos ainda um prefácio de Lu Ain-Zaila, pioneira na literatura afrofuturista no Brasil. A ilustração da capa e as internas são de Fabrício Flor e Lucimara Penaforte.

Black Looping: a (re)volta do presente (Felipe Augusto) abre a antologia com o conto de maior fôlego. Somos apresentados a Zwi que vive clandestinamente em Nova Ethiopia, mesmo local onde o General Arimbé e o Dr. Mbembe debatem sobre o futuro do país. Então Maria, comenta que seu filme favorito é Nova Ethiopia e entramos de fato na história do conto. Maria vive num futuro onde é comum viagens assistidas no tempo. Prestes a fazer sua primeira viagem rumo a Bahia do nosso tempo, Sueli, a mãe da menina decide acompanhá-la e é nos preparativos da viagem que temos as revelações do conto. Particularmente eu gostei delas porque remetem a um mundo aventuresco que podia ser mais explorado.

A peixeira e a esfinge (Alec Silva) autor que também integra o movimento Sertãopunk traz um conto que se encaixa em ambos os movimentos. Acompanhamos um assassino contratado por um traficante de arte dos povos africanos e da diáspora, para matar uma esfinge que queria proteger os artefatos. O desdobramento é o típico do cyberpunk, mas foi muito bem feito e isso é o que importa em um bom conto.

O caderno de Evee (Alisson Matheus) não costumo gostar de contos muito descritivos, mas este me surpreendeu. A narrativa e ambientação, muito imersiva e passa a sensação dos contos clássicos de passagem do tempo. Evee é uma mulher sobrevivente de uma das colônias, criadas numa reorganização pós-apocalíptica e em nova crise, ambiental e social. Vou deixar um detalhe sobre a personagem para que vocês descubram, pois o autor foi muito sutil. Mesmo sendo um conto, sobre uma personagem contemplativa, ainda guarda uma surpresa no final.

A guerreira Nabliahh: Conquistando a galáxia Mater Constructer (Fernando Gonzaga) conto curto sobre Nabliahh, a líder guerreira de um império galáctico que está nos momentos finais de uma investida a um antigo inimigo. Tem imagens muito bem construídas e interessantes, mas senti falta de um enredo mais elaborado.

Tempestade (Ana Meira) conto sobre uma habitante da cidade de Berten que é abordada por uma misteriosa mulher que a atrai e faz revelações sobre sua origem. Prosa carregada de poesia e alegorias bem construídas. Encerrou bem a antologia!
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segunda-feira, 25 de julho de 2022

Resenha #245 Fuligem (Evelyn Postali)


"Fuligem" é um romance policial de Evelyn Postali que traz uma trama envolvente em que os personagens são submetidos a pressão de resolver um crime que parecia fadado a ficar sem solução. O grande trunfo da obra é o tratamento psicológico dado aos personagens que nos coloca em dúvida sobre quem está do lado de quem. 

A história começa com a investigadora de Polícia Civil, Estela Lopes, chegando de Caxias do Sul para Porto Alegre, Rio Grande do Sul e logo é recebida pelo preconceito por Alexander Medina, seu novo parceiro. Medina tem um grande caso não resolvido que acaba caindo no colo de Estela. O assassinato de Tim Harlet, jornalista inglês que trabalhava para um jornal que investigava um figurão rico chamado Evilásio Prates. Quando Estela começa a encontrar novas pistas para o caso, envolve-se com Benjamin Müller, filho adotivo da vitima.

As coisas complicam quando o envolvimento amoroso de Estela por Müller, desperta o ciúmes de Medina e segredos cabeludos. O grande trunfo da obra é que os envolvimentos e conflitos amorosos e sentimentais se mesclam perfeitamente a trama, a medida que a investigação avança, pois realmente me confundiu sobre quem seria o assassino. Quanto ao desenlace, teve alguns momentos que poderíamos chamar de clichê, que quando bem feito é muito bom e ainda reservou umas surpresas. Ainda que a história tenha um encerramento, sem pontas soltas, podemos aguardar uma sequência. Espero que venha!  
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segunda-feira, 18 de julho de 2022

Resenha #244 Brasa 2000 e mais Ficção Científica (Roberto de Sousa Causo)


"Brasa 2000 e mais Ficção Científica" de Roberto de Sousa Causo é uma antologia, parte da coleção Futuro Infinito, muito representativa da versatilidade do autor, principalmente na Ficção Científica, retirados de diversas publicações. Como fã do trabalho do autor, foi muito bacana encontrar contos de publicações antigas e, por vezes, difíceis de encontrar. O livro celebrou isso da mesma forma que Fanfic, de Bráulio Tavares, lançado na mesma coleção. Vamos falar dos contos em separado.

A primeira parte Aqui, Agora, Futuro Próximo, trouxe contos com especulações e reflexões mais envolvidas com nosso presente. "Infiltrado" é narrado num fluxo de consciência que ao mesmo tempo que nos envolve numa sensação de fuga e nos entrega, aos poucos o contexto desta fuga entregando tudo na última frase. Uma aula de como não colocar infodump nas histórias e usar isso em favor dela para deixá-la mais instigante. 

"A mulher mais bela do mundo" conta sobre um fotógrafo brasileiro que encontra sua satisfação estética suprema e vê sua obra apreciada por um emissário do espaço. Adorei a forma como o debate entre o estético e o essencial é tratado aqui, num conto com desdobramentos instigantes.

"O salvador da pátria" um soldado acorda após um acidente aéreo, que vitimou todos os outros tripulantes. Contudo ele é auxiliado por uma indígena que lhe incumbe uma última missão. O conto se passa na floresta amazônica, um cenário muito caro ao autor que já escreveu uma trilogia de romances sobre a Amazônia. A índia logo revela-se vinda do futuro e a missão ganha uma importância extrema, contudo ainda coube espaço para uma discussão sobre o que afinal de contas é o Brasil. Mais do que fornecer qualquer resposta determinista, temos um punhado de boas reflexões que valem tanto quando a ação bem narrada, costumeira dos escritos do autor. 

"Pré-natal" acompanhamos Paulo, que busca proteção na ONU para proteger um segredo de Estado de uma nação totalitária. Seus segredo tem um potencial único de acabar com o domínio de um ditador aparentemente Imortal. De fato seria um pesadelo, existir um país assim, não é verdade?!

"Brasa 2000" acompanhamos uma fuga de um soldado, único sobrevivente do seu esquadrão em uma São Paulo devastada pelo exército argentino munido de drones estrangeiros. Menos importante que as grandes movimentações militares e tramas políticas, esta é uma história sobre um soldado lutando para sobreviver, a condições que ele não criou.  

A segunda parte, Tupinipunk, é um termo cunhado pelo próprio autor que é basicamente uma visão brasileira do cyberpunk. O primeiro conto é "A luta do Cangaceiro Jedi" que narra uma breve aventura de um hacker que disfarça grandes roubos de dados com atos puramente rebeldes. Vemos a abordagem tupinipunk florescer ao modo de falar brasileiro, no contra ponto do protagonista conversando com uma estrangeira russa bem politizada.    

"Para viver na barriga do monstro" o autor retorna a Amazônia para mostrar um indígena que trabalha em um centro de pesquisas em meio a uma pane tecnológica de escala global. Junto com sua namorada carioca e um colega estadunidense, vemos todos exibirem seu interior na eminência de um apocalipse tecnológico.

"Vale-tudo" é uma dos dois trabalhos de mais fôlego do autor neste livro. Acompanhamos Jareen, uma jornalista americana que vem ao Brasil para entrevistar um apresentador de programas policiais, ex-lutador de Vale-tudo (nome antigo para o MMA) André Mattar. Após um atentado durante a entrevista, Jareen se vê em meio a uma disputa política, rebeldes e um Brasil parcialmente destruído após um desastre nuclear. Vemos novamente o autor trabalhando as peculiaridades do Brasil contraponto com algum personagem estrangeiro, aqui a protagonista.  

A terceira parte contém apenas dois contos Steampunks curtos, que servem como homenagens, primeiro a H. G. Wells, em "A vitória dos minúsculos" onde a invasão dos tripods acontece no Rio de Janeiro e em "Dactilomancia", acompanhamos um inventor de máquinas de datilografia em busca da máquina perfeita quando suspeita da existência de seres de outro mundo habitando entre nós.

Por último e não menos importante, a última parte é uma Space Ópera que reúne seus dois personagens principais de suas sagas interestelares. Jonas Peregrino e Shiroma em "Tengu e os assassinos", uma noveleta que exemplifica bem a riqueza do mundo espacial do autor. Peregrino está em uma missão para salvar uma herdeira de uma dinastia nipônica, mas ela é perseguida por perigosos assassinos. Durante a missão o autor explora bem todas as variáveis, das políticas até as táticas. O resultado é a solidez e imersão nas histórias.
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segunda-feira, 11 de julho de 2022

Resenha #243 Estrela Vermelha (Aleksandr Bogdanov)


"Estrela Vermelha" de Aleksandr Bogdanov é um livro raro, pois poucos os envolvidos naqueles anos revolucionários na Rússia até a vitória da revolução se dedicaram a escrever ficção e menos ainda Ficção Científica. O autor teve uma formação intelectual muito vasta, da medicina passando pela matemática e física, contudo sua Ficção Científica, plenamente satisfatória no quesito hard também era muito sensível no aspecto social e humano. Esses dois aspectos são muito bem alinhados em Estrela Vermelha.

Acompanhamos a história de Leonid, contada por ele próprio através de um longo relato de sua experiência incrível. Leonid, assim como o autor, é um revolucionário do PSDR (Partido Social Democrata Russo), um bolchevique da velha guarda, que recebe um convite estranho de um colega estranho, que logo se mostra um marciano, chamado Menny, recrutando Leonid para visitar marte. Quando este aceita, segue um panorama pela vida e organização social do planeta vermelho, que aderiu ao comunismo. Mais do que uma mera exposição das conquistas do povo marciano Leonid é apresentado também ao lado sensível dos habitantes, incluindo um romance com Netty, a médica da expedição que o trouxe da Terra.

A escrita em forma de relato, é bastante rica em percepções do personagem que não deixa de ser trabalhado emocionalmente pelo autor. Inclusive, as partes mais interessantes, não são as técnicas como a especulação da radiação, recém desenvolvida por Mary Curie e as naves imaginadas escrupulosamente pelo autor. O desenvolvimento do amor e dos sentimentos numa sociedade comunista são brilhantemente imaginados. Antes de pensarmos em "amor livre", temos Bogdanov tecendo considerações avançadíssimas para seu tempo. Imagino como devia ter sido arrojado para os leitores de sua época, pois ainda hoje a leitura tem momentos de frescor tanto em aspectos sociais, quanto em aspectos das ciências duras.

O que pode desagradar eventualmente o leitor é que a trama não se movimenta muito no meio do livro, e depois de um início bastante movimentado e de um final curto mas também agitado, tem um desenvolvimento mais lento. Contudo é uma obra curta e que pode ser lida em uma ou duas sessões de leitura atenta. Recomendado!
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segunda-feira, 4 de julho de 2022

Resenha #242 O ciclo do macaco (Clare Winger Harris)


"O ciclo do macaco" de Clare Winger Harris é uma das histórias da autora que surgiu nas antigas revistas pulp dos anos 1920 nos Estados Unidos e que está sendo celebrada pela editora Cyberus com vários lançamentos de contos na Amazon. Este é um dos contos que foram lançados e o segundo da autora resenhado aqui.

Em O ciclo do macaco" acompanhamos a saga da família Stoodart quando na década de 1910 Daniel decide iniciar um empreendimento de domesticação de símios e macacos para substituir a mão de obra humana para trabalhos braçais e em poucos anos já obtém sucesso com algumas espécies, até que Beta o gorila mais inteligente e forte entre os animais de Daniel começa a se rebelar. Apesar do desfecho trágico a família Stoodart não desiste de levar o experimento adiante. Passa-se três séculos e os macacos estão em quase todas as posições de trabalho. Os macacos passam a se organizar e ensaiam uma revolução para sair do jugo dos homens mas Wil Stoodart, um descendente direto de Daniel, é o único que desconfia dos planos dos macacos.

A fórmula do conto lembra bastante as já conhecidas das revoluções das máquinas e me lembrou bastante "O Planeta dos Macacos" de Pierre Boule, no sentido de organização dos macacos mas sob um prisma diferente, o do confronto. Algo que só vi nos últimos filmes baseados na obra de Boule, onde uma humanidade enfraquecida tem de lutar contra os macacos em ascensão. Obviamente temos as limitações das extrapolações da literatura pulp de FC dos anos 1920. Levando-se isso em consideração é possível embarcar na viagem e ver um "protótipo" do filme Planeta dos Macacos: o confronto.
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